All for Joomla All for Webmasters
Desporto

Início das aulas mostra ambição para o 20

Estado do relvado dificultou o estilo de jogo idealizado por César Peixoto, mas não impediu a vitória. Quezílias também contribuíram para a menor fluidez de jogo. Texto por Paulo Sérgio Santos e fotografias por Inês Duarte

Académica e Leixões subiram ao relvado do Cidade de Coimbra, num domingo de Agosto sem ares de verão, para o encontro matinal da primeira jornada da II Liga 2019/2020. Um encontro que tinha motivos de interesse, pelos possíveis regressos a Coimbra de Carlos Pinto, o técnico que iniciou a anterior temporada estudantil, e Júnior Sena, que protagonizou o episódio de Famalicão, ao recusar-se a jogar perante as ordens de João Alves.

César Peixoto optou por operar duas alterações em relação à última partida oficial, a contar para a segunda eliminatória da Taça da Liga, que a Académica perderia por 2-0 em Portimão. Assim, no onze dos estudantes, Yuri Matias e Ricardo Dias entraram, respetivamente, para os lugares de Silvério Júnio e Reko. Os homens da casa distribuíram-se em campo num 4-4-2, com Dias e Leandro a funcionarem como médios mais recuados, responsáveis, em simultâneo, por conter os ataques leixonenses, mas também por participarem na primeira fase de construção. Os outros dois homens do meio campo, Barnes Osei e Ki, juntavam-se aos avançados, Chaby e André Claro, formando um quarteto com uma mobilidade assinalável.

A partida começou praticamente com o primeiro lance de perigo do encontro, protagonizado pela Académica. Cruzamento da direita por Barnes, Ki falha o primeiro cabeceamento e Chaby acaba por cabecear fraco, à figura do guardião leixonense. Aos 7’ nova oportunidade no jogo aéreo, desta vez por Yuri Matias, a ressaltar de raspão num jogador do Leixões e a passar perto da barra da baliza adversária. O Leixões acabou por acordar do torpor inicial, mas sem causar muito perigo – Bura, na marcação de um livre direto, à passagem dos dez minutos, atirou por cima.

E eis que aos 13’ surge o primeiro golo do encontro. Após uma jogada algo confusa, Filipe Chaby pega na bola à entrada da grande área, entra em ‘slalom’ pela defensiva forasteira e acaba por ser travado em falta. O juiz da partida, João Bento, não teve quaisquer dúvidas e apontou para a marca dos 11 metros. Chamado a converter a grande penalidade, André Claro não hesitou e rematou forte para a esquerda de Ivo, fazendo o 1-0. Os estudantes continuavam a carregar no acelerador e três minutos volvidos foi a vez de Ki cabecear à barra.

A Académica tinha o sinal mais no jogo e merecia a vantagem. Agressiva na recuperação da bola e a procurar transições rápidas, colocando a bola no quarteto mais avançado, com Chaby a deambular por todo o campo e Ki a procurar, muitas vezes, zonas mais centrais. Até que aos 20 minutos começou o descalabro emocional, já assistido noutras partidas, que escalaria com a partida e viria a ser mencionado mais tarde por César Peixoto, na conferência de imprensa. Na sequência de uma suposta falta não assinalada à entrada da grande área leixonense, os homens da casa ficaram a protestar, ignorando quase por completo o ataque dos forasteiros. Valeu a falta de pontaria de Luís Silva, que rematou por cima da baliza defendida por Tiago Pereira.

A Académica procurou refrescar os ânimos e assentar ideias e conseguiu provocar alguma agitação nas bancadas, primeiro por Yuri Matias, num cabeceamento a canto de Leandro Silva, e depois por Chaby, num livre que cruzou a grande área do Leixões sem que ninguém chegasse à bola. Aos 26’ Barnes e Poloni envolvem-se numa picardia, que se generalizou aos bancos de ambas as equipas, e que resultou em cartões amarelos para os dois jogadores. O jogo processava-se então num registo mais físico, com entradas duras de parte a parte e algumas provocações.

O desnorte estudantil acabou por ser aproveitado pelo Leixões. Aos 33 minutos o ex-estudante Harramiz aproveitou um mau passe de Zé Castro para se isolar e bater Tiago Pereira, consumando assim o empate na partida. A Académica reagiria por André Claro, na sequência de um ataque rápido, a rematar para Ivo conceder canto. A última oportunidade da primeira parte pertenceria, contudo, ao Leixões. A defesa estudantil a não acertar na marcação ao seu antigo colega e Harramiz a rematar por cima. Ao intervalo, o resultado aceitava-se, em certa medida, pela capacidade da equipa leixonense em aproveitar os erros defensivos da Académica.

A toada de um jogo de choque manteve-se no regresso dos balneários, partindo o futebol de ambas as equipas em ataques rápidos e sucessivos de parte a parte. Aos 53’ surge o segundo golo da Académica. Jogada de insistência de Ricardo Dias, na esquerda, a centrar para Chaby, que procurou o espaço vazio na baliza do Leixões e rematou a contar para o 2-1. Pensar-se-ia que estavam lançados os dados para a equipa da casa pausar o jogo e passar a controlar a partida, mas os forasteiros tinham outras ideias. Com o cronómetro a marcar 56’, Mauro Cerqueira chega atrasado a uma disputa de bola no ataque e concede um contra-ataque nas suas costas, sem que Ki fizesse a necessária dobra. Harramiz ultrapassa facilmente Yuri Matias e centra para Enoh fazer o segundo golo do Leixões, num lance em que o banco da Académica ficou a protestar um alegado fora-de-jogo.

O jogo prosseguia partido, com ambas as equipas a não conseguirem assentar o jogo, e, portanto, sem grandes motivos de interesse. Quer Pedro Machado quer César Peixoto pretendiam assegurar os três pontos, por forma a entrar com o pé direito na II Liga, pelo que procederam a mexidas no xadrez tático das suas formações. No Leixões entraram Alan Jr. e Zé Paulo, dois ex-Académica, enquanto que na formação da casa Leandro Silva, Ki e Chaby deram lugar, respetivamente, a ao estreante e regressado Marcos Paulo, Hugo Almeida e Djoussé.

E foi com o jogo a aproximar-se do final que a Académica concretizaria a ambição com que entrou em campo. Canto na direita do ataque estudantil, com um desvio de Hugo Almeida que coloca a bola na pequena área, onde aparece Ricardo Dias a empurrar para o fundo da baliza do Leixões. Estava feito o 3-2, para gáudio da grande maioria dos 2036 espetadores presentes.

O treinador adjunto do Leixões, Pedro Machado, foi o primeiro a vir à conferência de imprensa. Constatou que “o jogo poderia ter caído para qualquer um dos lados” e acabou por listar motivos de insatisfação da equipa do Leixões: “Penálti inexistente. O terceiro golo resulta de um canto inexistente e o jogador que marca está em fora-de-jogo. O guarda-redes da Académica tem uma intervenção onde joga a bola com a mão fora da área”. “Vínhamos preparados para isto”, referiu, embora esperando que não tivesse acontecido. Questionado sobre eventuais ilegalidades a favor do Leixões, Pedro Machado acabou por admitir que ficou com “algumas dúvidas no primeiro golo” da sua equipa.

Para o timoneiro da Académica, César Peixoto, este foi “um jogo difícil e muito competitivo” e salientou “os primeiros 30 minutos”, em que a sua equipa “concretizou uma das oportunidades”. Na sua opinião, “foi uma vitória merecida, num jogo com cinco golos, logo há que valorizar o espetáculo”. Chamado a comentar as declarações do seu homólogo leixonense, César Peixoto disse não ser muito de falar de árbitros, mas “se errou, errou para os dois lados”. Por fim, não deixou de salientar o “estado do relvado, que prejudica o futebol” que quer que a Académica pratique.

Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra

Rua Padre António Vieira, Nº1 - 2ºPiso 3000 Coimbra

239 851 062

Seg a Sex: 14h00 - 18h00

© 2018 Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

To Top