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Desporto

Peixoto quebrou malapata dos penáltis

Ao quarto ano, Académica vence o jogo inicial. Tiago Pereira foi o herói das grandes penalidades. Texto por Paulo Sérgio Santos e fotografias por Inês Duarte

Primeira eliminatória da Taça de Liga, com a anfitriã Académica a receber o Farense num estádio demasiado despido de adeptos. E foi uma Briosa com seis novas caras, a que subiu ao relvado do Estádio Cidade de Coimbra para a estreia oficial na época 2019/20. César Peixoto, no primeiro jogo a doer, estreou na baliza Tiago Pereira, Silvério e Mauro Cerqueira na defesa, o regressado Leandro Silva no meio-campo, Barnes Osei na ala direita e Filipe Chaby no apoio ao ponta-de-lança. De fora ficou a aposta numa tática de três centrais, ensaiada durante a pré-época, mas que abanou no confronto com o Benfica.

Disposta no habitual 4-4-2, a Académica entrou em campo sem trinco definido, função que ia sendo repartida entre Reko e Leandro Silva, mediante quem saísse com a bola. A opção do técnico da Académica deu um maior pendor ofensivo à equipa, que permitiu a colocação rápida de várias unidades atacantes na frente, com destaque para o irrequieto Barnes Osei e para a mobilidade de Filipe Chaby. Foi precisamente o jogador emprestado pelo Sporting quem protagonizou a primeira ocasião de perigo da contenda, com um remate em arco, de fora da grande área, a passar perto da barra da baliza forasteira. Perto do primeiro quarto de hora, foi Ki a tentar imitar Chaby, mas sem sucesso, inclusive no perigo.

Com 15 minutos jogados, o ascendente pertencia aos estudantes, com um futebol mais apoiado, resultado da disponibilidade ofensiva de Filipe Chaby, e a tempos dos passes longos de Zé Castro, embora sem grande acerto. Daí até final da primeira parte, o encontro decaiu em qualidade, passando a ser jogado a meio-campo e nem sempre com o melhor acerto. À passagem da meia-hora, o Farense assustou os adeptos da casa, com um cabeceamento a passar rente ao poste direito da baliza de Tiago Pereira. Pouco depois, Silvério estreava o livro do árbitro com o primeiro amarelo da partida.

A meio-campo, Ki e Reko eram figuras em destaque, mas por motivos distintos. O sul-coreano vagueava pelo campo, deixando o seu flanco muitas vezes desprotegido, e falhava oportunidades de ouro, como aos 31’, não conseguindo dar o melhor seguimento de cabeça a um centro com conta, peso e medida de Barnes Osei. Já o médio português ia remando contra a maré do marasmo, obrigando Hugo Marques a uma defesa a dois tempos com um remate rasteiro e colocado, aos 35’. Era também Reko o intérprete das indicações de César Peixoto, que aproveitava muitos momentos do jogo para conversar com o camisola 28.

A última oportunidade de relevo da primeira parte pertenceu aos algarvios, com um remate por cima, estavam decorridos 39 minutos. A partir daí, o jogo entrou numa fase mais quezilenta, com várias faltas a meio-campo e consequentes paragens de jogo até ao apito para recolher aos balneários de João Gonçalves.

Após o descanso, a toada manteve-se desinteressante. Reko parecia dos poucos a manter-se ligado à corrente, por vezes até demais, como exemplifica o cartão amarelo aos 49’, fruto de uma entrada dura a meio campo. Uma explicação para o arrefecimento da partida pode ter estado no desaparecimento de Chaby, quiçá por menor fulgor físico, retirando à equipa da casa aquele que estava a ser o pêndulo da equipa.

Aproveitou o Farense para surgir no jogo. Aos 62 minutos, a equipa de arbitragem anulou um golo a André Vieira, que viria a ser contestado pelo seu treinador já na conferência de imprensa. O perigo continuava a rondar a baliza de Tiago Pereira, que viu um cabeceamento passar ligeiramente por cima da barra da sua baliza, três minutos volvidos.

César Peixoto leu bem o menor fulgor estudantil e mexeu na equipa, aos 66’, com André Claro e Dany a entrarem respetivamente para os lugares de Ki e Hugo Almeida. A Académica ganhou mais mobilidade, com a defensiva farense a revelar bastantes dificuldades em travar as novas dinâmicas ofensivas dos estudantes. Aos 68’, André Claro rematou ao lado, após uma bela jogada de envolvimento atacante e, um minuto volvido, foi a vez de Leandro Silva, com um remate rasteiro, levar o perigo à baliza adversária.

Perante o acordar da Briosa, o treinador do Farense, Sérgio Vieira, resolveu alterar o seu onze, com Fábio Nunes a sair para a entrada de Alvarinho, à passagem do minuto 74. E três minutos volvidos, contra a corrente do jogo, surge o primeiro golo da partida, para os forasteiros. Fabrício cruza rasteiro da direita e André Vieira surge isolado na área dos estudantes, fuzilando Tiago Pereira. Estava feito o 0-1.

O jogo voltou a baixar de ritmo, com o Farense a tentar controlar a vontade da Académica em chegar ao empate. Nos quinze minutos seguintes, o único motivo de destaque foi um remate de Barnes Osei, que passou por cima da baliza de Hugo Marques. Até que, ao minuto 88, Alvarinho faz falta sobre Mauro Cerqueira, na esquerda do ataque dos estudantes. Chamado a converter o livre, Leandro Silva colocou a bola na área, onde apareceu Reko, de cabeça, a fazer abanar as redes algarvias e materializando assim o empate. Os homens da casa forçaram um pouco mais, mas só no último minuto dos quatro de compensação dados por João Gonçalves é que os adeptos ainda se agitaram. Contudo, o livre direto, cobrado por Leandro Silva, foi à figura do guarda-redes do Farense.

Como mandam os regulamentos da Taça da Liga, um empate registado no final do tempo regulamentar leva a decisão diretamente para as grandes penalidades. A baliza do topo sul foi a escolhida para consagrar Tiago Pereira como o herói do momento. O guarda-redes da casa defendeu dois penáltis, de Alvarinho e Irobiso, contra um de Hugo Marques, que se opôs a Mauro Cerqueira. Para a Académica, converteram Leandro Silva, Zé Castro, Barnes Osei e Dany, tendo Cássio, Fabrício e Miguel Bandarra marcado para o Farense, com o ‘placard’ final a assinalar 4-3.

Na conferência de imprensa, Sérgio Vieira salientou o que acabou por ser um bom jogo por parte das duas equipas e sublinhou o golo anulado ao Farense, considerando que “se existisse VAR, o golo acabaria por ser validado”. Contudo, com uma postura tranquila, o técnico algarvio vincou que “é uma situação que faz parte” do jogo em si e que, apesar da frustração de não ter passado, interessou mais “participar e mostrar os processos” que têm sido treinados com vista ao principal objetivo da época, “lutar pela subida”.

César Peixoto concordou com a análise do seu homólogo, num jogo entre “duas equipas bem organizadas, com oportunidades de parte a parte, e com um empate que se aceita”, no fim do tempo regulamentar. Para o técnico dos estudantes, a lotaria dos penáltis acabou por sorrir aos seus jogadores, dado que “trabalharam para isso durante a semana”. Sublinhou também que o jogo não foi “esteticamente tão bonito” como deseja que a Académica faça, mas deixou a certeza vincada que o vai ser no futuro. No que toca ao mercado, César Peixoto espera ainda a chegada de mais três reforços, em particular para a baliza e para a frente de ataque, onde pretende ter mais um extremo e um avançado. Questionado, por fim, acerca da tática usada, com quatro defesas ao contrário dos três treinados em algumas partidas da pré-época, o técnico explicou que “a equipa faz a três e a quatro, dependendo da posse de bola”.

Pela sala de imprensa passou ainda o guarda-redes Tiago Pereira, que destacou que “o mérito é da equipa” e não seu, e que está num “grande clube”, onde vai “trabalhar no sentido de se afirmar” no futebol português.

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