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Desporto

Académica, do oito ao não repetir

Homens da casa não conseguiram fazer frente ao campeão nacional. Ambiente de festa estragado por confrontos nas bancadas. Texto por Paulo Sérgio Santos e fotografias por Inês Duarte

O Estádio Cidade de Coimbra vestiu-se de gala para receber uma partida que, apesar de amigável, teve cheiro a I Liga, com 17350 espectadores. Com a taça Hospital da Luz em disputa, Académica e Benfica defrontaram-se em jogo que serviu para os adeptos da casa poderem ver em ação alguns daqueles que vão integrar o plantel estudantil, que tem como objetivo o regresso ao escalão maior do futebol português.

César Peixoto continuou a testar uma defesa a três, que em muitos momentos do jogo acabou por se transformar num quinteto, fruto da intensa pressão benfiquista. Na baliza surgiu Júlio Neiva, o terceiro guarda-redes da época transata, secundado por Silvério (ex-Rio Ave), Zé Castro e Yuri Matias. A estes juntaram-se, nas alas, Traquina e Mauro Cerqueira (ex-Nacional). Reko e Pedro Pinto, talvez o nome menos conhecido dos adeptos (veio dos sub-23), formaram o tampão na zona central do terreno, com Ki a funcionar como elemento mais móvel no apoio aos homens da frente – André Claro (ex-Boavista), com mais liberdade, e Hugo Almeida, mais fixo.

Os estudantes entraram na partida algo tímidos, a optar por controlar a posse de bola do Benfica, mantendo os campeões nacionais afastados da sua baliza. Com o passar dos minutos, foram perdendo a timidez e começaram a dar um ar da sua graça. As primeiras oportunidades flagrantes pertenceram mesmo à Académica. Aos cinco minutos, Silvério cabeceou com perigo, na sequência de um canto na esquerda, e, logo de seguida, Traquina isolou-se, mas acabou por se atrapalhar e rematar bastante ao lado. Hugo Almeida, aos 10’, teve um remate forte, que passou perto do poste direito da baliza à guarda de Svilar.

Findo o primeiro quarto de hora, os estudantes eram a equipa com sinal mais, onde o menos era Mauro Cerqueira, dado que era precisamente pela lateral esquerda academista que os encarnados carrilavam a maior parte da sua dinâmica atacante. Caio ia deixando a cabeça em água a quem encontrava pela frente, mas falhava na definição e finalização, como quando desperdiçou uma assistência de Raul De Tomás (RDT), apenas com Júlio Neiva pela frente.

A partir dos 15 minutos, a inovação tática do novo timoneiro da Académica começou a ceder, quiçá a necessitar de maior entrosamento. Silvério foi batido várias vezes pelas subidas de Grimaldo, com Traquina a falhar o devido acompanhamento, e foram vários passes em profundidade a fazer surgir quer RDT quer Caio na cara de Neiva.

Aos 21 minutos, num período em que o Benfica parecia estar a arrefecer a partida, uma aceleração momentânea dos encarnados abriu o marcador. Rafa apareceu sozinho na grande área academista, a finalizar um cruzamento de Grimaldo, batendo o desamparado Júlio Neiva. Dois minutos volvidos, novo cruzamento da esquerda e RDT aproveitou uma falha de Yuri e Mauro e empurrou para o fundo da baliza. 0-2 para o Benfica.

A Académica procurou reagir, mas não conseguiu reproduzir a fórmula do primeiro quarto de hora. A exceção foi um remate fraco e rasteiro de Reko, estavam decorridos 25 minutos. A partida voltou a cair numa toada típica de pré-época, com ritmo quase inexistente.

A dez minutos do intervalo, uma escaramuça nas bancadas, entre adeptos das duas equipas, levou à interrupção do encontro, dado que muitas famílias optaram por saltar para a pista do estádio para fugir à confusão. O jogo viria a ser reatado passados cerca de dez minutos, depois de um adepto ter de receber assistência médica e ser transportado para o hospital.

Vítor Ferreira, o árbitro da partida, deu então sete minutos de compensação. Do lado da Briosa, Ki voltou a repetir um remate que já havia tentado por duas ocasiões, em arco, para a direita de Svilar, com o guardião benfiquista a socar a bola para o lado. Na resposta imediata, Rafa rematou ao lado da baliza de Neiva. Na última jogada do tempo de compensação, Júlio Neiva, completamente à-vontade, resolveu colocar a bola nos pés de RDT que, isolado frente ao guarda-redes estudantil, não enjeitou marcar o terceiro golo do encontro, e o segundo da sua conta pessoal.

O intervalo serviu para a Académica homenagear dois funcionários da casa, pela sua dedicação, e também dois jogadores que terminaram a sua carreira – João Real e Marinho. O central e o extremo, que vestiram cada um a camisola estudantil em mais de 200 jogos, chegaram em 2011 vindos da Naval 1º Maio e fizeram parte da equipa que levantou a Taça de Portugal em 2012, numa final em que Marinho foi precisamente o herói da partida, ao marcar o único golo.

No regresso dos balneários, enquanto Bruno Lage optou por trocar praticamente o onze todo, César Peixoto tirou apenas Pedro Pinto para colocar outro dos reforços, Leandro Silva. A primeira ocasião de perigo do segundo tempo voltou a pertencer à Académica, mas Hugo Almeida acabou por perder tempo de remate dentro da área encarnada e já não conseguiu finalizar com sucesso.

A partir daí a história desta partida tornou-se apenas relevante pelo avolumar do resultado, em que os campeões nacionais chegaram à chapa oito, com dois golos de Conti e um de Pizzi, Seferovic e Taarabt. Nos estudantes, para além das tradicionais e numerosas substituições dos jogos de pré-epoca, nota para o cartão amarelo mostrado a Reko por uma entrada sobre Cervi, para as interessantes entradas de Chaby, Lagoa e Daniel Costa, e para o recuo tático de César Peixoto, a mudar nos últimos 20 minutos para o mais entrosado 4-4-2.

No final da partida não houve lugar à habitual conferência de imprensa, tendo os treinadores falado apenas na zona mista.

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