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Cultura

Medo apodera-se do TAGV com peça “Alba. E nela é que espelhou o céu”

Carlos João Santos

Atuação é uma criação coletiva que reúne diferentes experiências. Grande preparação física e psicológica por parte dos intérpretes. Por Maria Luísa Calado

“Alba faz-te sucumbir numa inevitável viagem ao desconhecido”, é esta a descrição da peça que pretende levar os espectadores a refletir e ultrapassar medos. Vai ser exibida dia 30 de maio às 21h30, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). A produção conta com a participação dos alunos do curso do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC).

Matilde Javier Ciria é o encenador responsável por guiar os protagonistas numa “viagem muito pessoal”. Ivo Santos, aluno do CITAC, destaca este lado íntimo da experiência.  Foi pedido que cada aluno confessasse o seu maior medo e alguma viagem que gostassem de fazer. “A partir daí foram feitos vários exercícios de criação, exercícios físicos que depois resultavam em textos e na sua interpretação”, explica.

Foram seis meses de formação que culminam neste exercício final. Ao todo são 15 os elementos integrantes e todos eles contribuíram para  a construção da peça. Mariana Oliveira, outra aluna do curso, conta como foi a preparação do espetáculo. Ensaios diários de quatro horas no mínimo durante um mês foi algo difícil de gerir para a estudante, já que tinha de conciliar os ensaios com a vida académica.

Em relação ao processo criativo, os exercícios de preparação física que trabalham com o corpo e a resistência psicológica são algumas técnicas que Ivo Santos aponta. Uma das atividades que desempenhou passava por “sentar e levantar durante uma hora e meia, de um lado para outro à espera de alguém que não chegava”, sentiu que “um sentimento de impotência se entranhou em si”. Estas dinâmicas segundo o estudante ajudam a conhecer os limites de cada um e a saber lidar com situações de exaustão física e psicológica.

O trabalho de Matilde Javier Ciria foi elogiado pelos dois alunos que gostaram da forma como o encenador os guiou. Ivo Santos refere que o encenador trabalha muito com o subconsciente. Recorda que “este montou a peça de maneira a que enquanto atores não tivessem plena noção do que acontece em palco”. O objetivo é manter a orgânica e conferir um espectro de possibilidades que permitam ao público criar a sua própria história, esclarece.

Mariana Oliveira sustenta que a ‘performance’ está muito ligada aos sentidos, não basta falar ou mostrar o medo, é preciso senti-lo e fazer com que este esteja presente na interpretação. Conclui que o próprio encenador costumava dizer-lhes que “o espetáculo não era só sobre o medo, o espetáculo era medo, não é só ver, é preciso sentir”.

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Fotografias por Mafalda Ar e Carlos João Santos

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