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Ensino Superior

Holocausto: humor ou desrespeito?

Sofia Gonçalves

Docentes da FLUC juntos num debate que visou recordar o Holocausto. Reflexão crítica como um dos caminhos para uma sociedade mais justa. Por Sofia Gonçalves

Numa sugestão apresentada pela comunidade estudantil, o debate “Holocausto, Memória Histórica e Liberdade de Expressão” desenvolveu-se a partir dos pontos de vista dos professores Fátima Castro, António Ribeiro e João Paulo Nunes. A conferência, mediada pelo presidente do Núcleo de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (NEFLUC), Marco Cosme, decorreu hoje, dia 23 de maio, no Teatro Paulo Quintela.

Antes de passar a palavra aos oradores, Marco Cosme realça ser “importante a interação entre docentes e estudantes”, dado que foi um dos objetivos do núcleo “trazer professores que participem nas atividades”. Deste modo, a conversa é iniciada por António Sousa Ribeiro, professor do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da UC, que lança o mote. “O Holocausto é um problema contemporâneo, não é algo que se possa enterrar num arquivo”, informa.

António Sousa Ribeiro explica que as viagens para os campos de concentração “duravam cinco dias sem alimentos, dormitórios ou latrinas”. Acrescenta que, quando chegavam ao destino, “os vagões estavam repletos de cadáveres que não aguentavam as condições da viagem”. O professor encontra ainda tempo para refletir sobre o dever da memória ao referir que “não se deve dar razão aos assassinos que exterminavam todas as lembranças que restavam”.

Fátima Velez de Castro, professora do Departamento de Geografia e Turismo da UC, salienta a importância dos estudantes ao mencionar que “devem estar preparados para defender uma sociedade justa”. Justifica o seu argumento através das relações pessoais, porque é necessário “lutar pela dignidade humana”.

Numa distinção entre sátira e humor, António Sousa Ribeiro clarifica que “o autor da sátira é aquele que está descontente com o mundo e denuncia o seu estado”. Por outro lado, Fátima Velez de Castro assegura como, por vezes, “fazer humor pode magoar outras pessoas”. O professor acentua a necessidade de “respeito pelas vozes de pessoas que foram silenciadas para sempre”.

João Paulo Avelãs Nunes, professor no Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes da UC, toma como exemplo o seu método de ensino para frisar que é fundamental “escolher uma posição e definir o que é inaceitável”. Sem “avaliar opiniões cívicas”, o historiador considera crucial não se deixar “definir pelos outros”.

Ao abrir a intervenção dos presentes no debate, o presidente do NEFLUC declara ser “impossível negar o que foi o Holocausto”. Após as declarações de Marco Cosme, foi à vez que estudantes e docentes se pronunciaram, onde grande parte das críticas se direcionou à forma humorística de abordar temas delicados.

Aos olhos de João Maria André, professor de Filosofia na FLUC, a posição tomada pelo nazismo no Holocausto revelou-se uma “máquina de produção de ódio”. Desta forma, os limites do humor “devem refletir se estamos a perder consciência quanto ao mal que foi feito”, explana o docente. Finaliza ao dizer que “se isto acontece, ultrapassa os limites éticos”. Por outro lado, uma aluna da FLUC presente na plateia acredita que o humor “depende de quem o toma”, isto é, quando o humor “enfatiza e marginaliza aqueles que já passam por isso”, a aluna refere que “está no seu lugar”.

Com João Mareco

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