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Ciência & Tecnologia

FCTUC distinguida por estudo inovador no campo do tratamento de cancro

Fotografia gentilmente cedida pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Reação de medicamentos com água presente no interior das células é alvo de estudo pela primeira vez. Novos fármacos pretendem atuar em vários locais da célula ao mesmo tempo. Por Maria Luísa Calado

O laboratório que possui um dos mais potentes feixes de neutrões e muões do mundo, o ISIS Neutron and Muon Source, atribuiu o prémio Society Impact Award 2019. Foi um estudo realizado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) que ganhou a distinção. A pesquisa procura descobrir o efeito de fármacos anticancerígenos na água do interior das células.

Este laboratório britânico pretende reconhecer e premiar o impacto científico, social e económico do trabalho desenvolvido pelos cientistas de todo o mundo. Ana Batista de Carvalho, investigadora doutorada da Unidade I & D Química- Física Molecular da FCTUC refere que “o prémio foi o culminar do estudo e foi importante para sentir que esta é a direção certa e que todo o trabalho tem valor e é reconhecido”.

Pioneiro no seu estudo, a ideia passa por analisar a substância mais abundante da célula, a água, e o seu papel essencial para o bom funcionamento da mesma. A reação dos diferentes tipos de água intracelular na presença de fármacos que combatem o cancro é o foco do estudo. Dessa forma, foi elaborada uma matriz onde se colocou água alinhada e o devido fármaco. O resultado obtido é a desorganização da estrutura da água. Segundo Ana Batista de Carvalho, esse processo provoca outras mudanças no interior da célula, como a “alteração da hidratação das proteínas que acaba por modificar a sua estrutura nativa”. Estas transformações podem “desencadear mecanismos de morte celular”, conclui a investigadora.

Os fármacos que vão ser desenvolvidos não vão ter apenas um alvo de atuação. Devido à alta resistência da doença aos fármacos, o objetivo é “ bombardear a célula em vários alvos ao mesmo tempo, o que faz com que a sua reparação seja mais difícil”, explica Ana Batista de Carvalho. Em relação aos maiores desafios da experiência, a investigadora conta que os ‘timings’ foram o mais complicado de gerir. “Temos um tempo de exposição aos fármacos que não podemos ultrapassar para obtermos resultados corretos”, esclarece. No fim confessa que o estudo pode ser um passo importante para o tratamento do cancro.

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