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Ensino Superior

A “marchar, marchar” se homenageia a revolução

Gabriella Kagueyama

“Filhos do 25 de abril” relembram a revolta. Manifestação juntou blocos com diferentes organizações. Por Gabriella Kagueyama e Diana Ramos

A “Trova do Vento que Passa, de Manuel Alegre, iniciou os passos da marcha que recorda o 25 de abril às 15h40. Vários blocos de diferentes formações uniram-se na manifestação que partiu da Praça da República até ao Pátio da Inquisição. Em uníssono, os grupos faziam ressoar pelas ruas “Somos muitos, muitos mil para continuar abril”, enquanto erguiam tarjas alusivas à revolução e às suas associações.

A marcha contou com a presença de múltiplos grupos, entre eles a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), o Sindicato dos Professores da Região Centro e o Bloco Autónomo. Também os representantes dos núcleos da Associação Académica de Coimbra foram à rua demonstrar o seu apoio com as capas negras aos ombros e de cravo vermelho ao peito. Com uma postura firme, evidenciavam uma faixa onde se podia ler “a voz dos estudantes nunca será silenciada”.

Para Marco Cosme, presidente do Núcleo de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (NEFLUC), o grupo veio para “demonstrar o papel que os estudantes tiveram no 25 de abril, que não é esquecido”. Salienta que a academia coimbrã teve um papel importante na crise estudantil de 1969 e que mais tarde contribuiu para a revolução dos cravos. “Não só porque muitos estudantes fizeram parte dos regimentos no dia 25, como também, pelo próprio abalo que a crise estudantil de 1969 trouxe e que descredibilizou o regime salazarista”, esclarece o membro do núcleo.

O Bloco Autónomo reuniu indivíduos e coletivos independentes dos partidos eleitorais e outros sindicatos que integraram a marcha. Composto por diversas nacionalidades, o grupo aglomerou pessoas “solidárias com pautas antifascistas nas relações quotidianas, como o movimento anti-machista e racista” explica o membro do Bloco Autónomo, Matias Toplas. Esclarece ainda que é importante “as novas gerações terem noção que o autoritarismo não é benéfico para a maioria das pessoas”.

“O 25 de abril serve para lembrar que nem sempre foi assim e nem sempre vivemos num estado de livre-arbítrio”, enfatiza o presidente do NEFLUC. Numa nota de conclusão, Marco Cosme alerta que os jovens se esquecem da luta da revolução e tomam a liberdade como garantida. “Não nascemos no 25 de abril, mas acabamos por ser filhos do próprio 25 de abril e do que ele trouxe”.

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