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Ensino Superior

Novo reitor da UC apela a “investimento na investigação e inovação”

Isabel Simões

Rejuvenescimento de docentes, diálogo entre gerações e necessidade de dar voz ao corpo estudantil foram preocupações expressas no discurso de tomada de posse de Amílcar Falcão. Reforço da oferta de alojamento alvo de promessa de empenho, através do maior número de residências de estudantes. Por Isabel Simões

A capacidade de atrair estudantes, investigadores, docentes, técnicos e agentes empresariais de qualidade, face aos desafios criados pela competitividade entre instituições de Ensino Superior, requer uma atitude “não isolacionista” por parte da Universidade de Coimbra (UC) e o compromisso de “desenvolvimento baseado no conhecimento”. Palavras do novo reitor da UC, Amílcar Falcão, esta manhã no discurso de tomada de posse, na Sala dos Capelos.

Ensino, Investigação & Inovação, Desafios Societais e Internacionalização foram os quatro pilares do programa de ação para os próximos quatro anos apresentado pelo novo reitor. A investigação teve um papel importante na estratégia da candidatura. Na Sala dos Capelos perante a comunidade académica, Amílcar Falcão declarou que “o investimento na investigação e inovação” coloca a “estabilidade e dignificação das carreiras” na primeira linha do seu pensamento.

O rejuvenescimento da academia, o diálogo entre gerações e a necessidade de dar voz ao corpo estudantil foram preocupações expressas por Amílcar Falcão. Na pessoa do presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), o reitor saudou todos os estudantes que considerou a “razão maior da existência da Universidade de Coimbra”.

Universidade de Coimbra conta com CMC

As condições oferecidas pela cidade para alojamento da comunidade estudantil foram consideradas pelo novo reitor de “importância extrema para a estratégia de atração de novos estudantes”. O diploma de residências universitárias proposto pelo Governo e já aprovado em Diário da República aumenta em 450 camas a oferta da UC. O reitor revelou que “a universidade quer e pode ir mais longe” em colaboração com o município, ao identificar novos espaços destinados a habitação estudantil.

O triângulo constituído pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Universidade de Coimbra e Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra fazia parte do programa do candidato a reitor. Hoje, fez questão de reforçar o empenho na união “em torno de projetos comuns de interesse local, regional, nacional e internacional”. “As vitórias do município vão ser as vitórias da Universidade e vice-versa”, projetou.

O reitor declarou ver “a Universidade de Coimbra como um espaço de pluralidade e multiculturalidade, inclusivo e respeitador da diferença” e apelou ao apoio de toda a comunidade académica na resolução do maior desafio que a UC enfrenta: a “atratividade” de pessoas.

Os primeiros pensamentos do novo reitor da UC, foram para os adversários da corrida eleitoral: Duília de Melo, Ernesto Costa e José Pedro Paiva a quem saudou pela forma como encararam a missão de candidatura para liderar a instituição. Agradeceu também o trabalho do último reitor da UC, João Gabriel Silva, pela “recuperação financeira” da instituição em ambiente de “sucessivas limitações orçamentais”. Da anterior gestão da UC destacou ainda o crescimento em quantidade e qualidade dos artigos científicos, a inscrição da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património da Humanidade e a organização dos Jogos Europeus Universitários. Face a este evento desportivo, Amílcar Falcão recordou a atribuição recente da Medalha de Honra de Mérito Desportivo à UC por parte do Governo.

Presidente da DG/AAC pede “reforma profunda da UC”

No seu primeiro discurso proferido na Sala dos Capelos como presidente da DG/AAC, Daniel Azenha deixou algumas propostas ao novo reitor: enquadramento das atividades extracurriculares, diminuição da carga letiva, investimento nos docentes com alívio da “carga burocrática”, mais residências para estudantes e uma aposta na “dinâmica internacional” com a concretização de um programa de apoios a estudantes Erasmus mais inclusivo. O presidente da DG/AAC solicitou ainda uma melhoria das condições das infraestruturas universitárias que, no seu entender, “devem responder às exigências de quem trabalha, investiga, ensina e aprende” na instituição. Deixou também um apelo para que os edifícios históricos sejam adaptados de forma a “ninguém com dificuldades motoras ficar impossibilitado de aceder aos locais académicos”.

As práticas pedagógicas que o Processo de Bolonha desenhou, carecem de ser aproveitadas em Coimbra com “novas ferramentas disponíveis em prol da ciência e do ensino”, apontou. A libertação da carga letiva, que considerou “excessiva”, em favor da ocupação dos estudantes em “atividades extracurriculares artísticas, científicas, culturais e desportivas foi outra das necessidades apontadas por Daniel Azenha. Com o fim de aumentar a qualidade no ensino, o presidente da DG/AAC considerou importante aliviar a carga burocrática dos docentes para que possam “abraçar o progresso pedagógico”.

A “construção e revitalização de mais residências”, a adaptação das cantinas e da oferta alimentar e a disponibilização de mais salas de estudo com horário alargado, para que os estudantes se preparem para os momentos de avaliação, constituíram um pacote de reivindicações assinaladas pelo presidente da DG/AAC.

“Afirmar a academia de Coimbra na cidade, no país e no mundo”

No campo da internacionalização dos estudantes portugueses, Daniel Azenha considerou que a “elitização” de programas como o Erasmus tem dificultado o acesso a países “com custos de vida muito elevados” a estudantes com carências económicas.

O presidente da DG/AAC avaliou a política seguida pela UC de captação de estudantes no estrangeiro considerando-a insuficiente para colmatar a diminuição da procura interna. Só com a constituição de uma rede no ensino secundário se poderá “alimentar a instituição com as gerações do amanhã”, alegou.

A envolvência com “o tecido social e económico” de forma a garantir mais saídas profissionais para os recursos humanos recém-formados foi outra das preocupações deixadas por Daniel Azenha. O presidente da DG/AAC deixou o desafio “aos trabalhadores de todos os ramos de atividade” para que “reciclem os seus conhecimentos” formando-se ao longo da vida.

Almejando o dia em que o “ensino e investigação revolucionem a sociedade portuguesa” como consequência de a instituição colocar os “estudantes no centro da sua ação”, prometeu colaborar sem passividade. Terminou com o desejo de que a UC forme profissionais “mas acima de tudo pessoas com valores e ética, que afirmem a academia de Coimbra na cidade, no país e no mundo”.

“A UC precisa de um simplex administrativo”

Amílcar Falcão foi empossado pelo Professor Decano da instituição, Aníbal Traça de Almeida, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC). Na intervenção abordou temas como “a investigação, o ensino, a transferência de tecnologia, o património, o quadro dos docentes e a liderança”. A necessidade de um “simplex administrativo” foi um dos desafios que deixou ao novo reitor. O desconhecimento de que as engenharias ministradas na UC têm “as melhores classificações no ranking internacional de Xangai” dentro das universidades nacionais, exige, na opinião do docente da FCTUC, “um plano estratégico bem delineado” para que a informação chegue aos interessados. Considerando que “os professores são o recurso mais valioso” da UC, o decano da universidade congratulou-se com a abertura de cerca de 200 vagas nos últimos meses. Manifestou, no entanto, o desejo de que o número de professores catedráticos e associados aumente de forma a que se cumpra o Estatuto da Carreira Docente Universitária, definido pela Assembleia da República.

Após a investidura do novo reitor seguiu-se a tomada de posse da equipa reitoral na Sala do Senado e a sessão de cumprimentos.

Durante a tarde, a partir das 16 horas, a Sala dos Capelos recebeu as celebrações dos 729 anos da Universidade de Coimbra. Durante a sessão o diretor executivo da Critical Software, Gonçalo Quadros, recebeu o Prémio Universidade de Coimbra 2019.

Fotografias por: Isabel Simões

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