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Cidade

Manifestação nas Monumentais: “Conan Osíris, não vás à Eurovisão!”

Gabriel Rezende

Manifestantes condenam ações israelitas no que consideram ser um ‘apartheid’. Boicote por parte da população e do representante português no Festival da Eurovisão 2019 é palavra de ordem do movimento. Por Gabriel Rezende

Com placas reinvidicativas e em simulação de um ‘checkpoint’ entre os territórios israelitas e palestinianos, o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) restringiu a passagem de peões pelas Escadas Monumentais. “Conan Osíris, sabemos quem mata quem” é o que se lê no cartaz central, em referência à canção que vai representar Portugal no Festival da Eurovisão 2019, em Tel Aviv.

Neste momento, a principal reivindicação é o boicote à Eurovisão em apoio à causa palestiniana. Este boicote foi proposto em carta intitulada “Are you the one?” pelo compositor britânico Roger Waters. A ação tem por objetivo ainda, de acordo com a organização, “dar visibilidade ao esforço palestiniano contra a legitimização [das ocupações] que Israel está a fazer”.

Os manifestantes exigem “o fim da ocupação militar e colonização dos territórios palestinianos e a destruição do muro de separação”. Com um megafone, declaram que a maior parte do muro está “dentro do território palestiniano”. Para os manifestantes, este muro é uma forma de anexação de territórios da Cisjordânia, o que configuraria “um crime de guerra pela lei internacional”.

Miguel Monteiro, manifestante e doutorando em Estudos Clássicos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, explica que “a população palestina já tentou exigências a vários níveis”. O doutorando de Estudos Clássicos reitera que tanto a resistência armada como a pacífica falhou.

A solução, propõe Miguel Monteiro, passa por sanções internacionais e exposição dos crimes de guerra, o que ocorreu durante o ‘Apartheid’ sul africano. “A única medida que parece restar é aplicar os métodos que foram utilizados na África do Sul para acabar com o ‘Apartheid’ e que surtiram efeito”, explica o manifestante.

“[A iniciativa] é uma resposta do mundo a um chamamento palestiniano, não uma espécie de intrusão ocidental com um ‘complexo de salvador’”, elucida Miguel Monteiro. Como forma de protesto, o movimento BDS organizou ainda um visionamento de um filme e um ‘workshop’ de árabe palestiniano.

O grupo pretende convocar manifestações e entregar cartas reinvidicativas aquando da vinda de Conan Osíris a Coimbra, a 26 de abril. “Sabe-se que a pressão internacional pela comunidade artística é gigantesca, e particular numa figura como Conan Osíris, que tem possibilidades de vencer”, finaliza Miguel Monteiro.

Fotografias por: Gabriel Rezende

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