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Desporto

Encontro celebra e recorda a final de causas de 1969

Isabel Freitas

Evento marcado pela entrega do emblema de platina a Jorge Condorcet pelos 75 anos de filiação. Francisco Andrade ressalva importância de a luta académica ter saído de Coimbra. Por Beatriz Furtado

“Não sejamos 11, mas sim um só”. São palavras do presidente da Assembleia Geral da Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF), João Vasco Ribeiro, que descrevem o sentimento presente na tarde do passado sábado, dia 29 de março, no Estádio Cidade de Coimbra. Marcado pelos 50 anos da final da Taça de Portugal de 1969, contou com a presença de sócios, atletas do plantel desse ano, dirigentes da AAC/OAF e da Direção-Geral da AAC (DG/AAC).

Os presentes frisaram a ligação entre a final do Jamor e a crise académica que se desenrolava naquele ano. “Hoje assinalam-se os papeis notáveis que a Briosa teve na cidade, na academia e no país”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, antes de começar o almoço. A final de ’69 não foi apenas uma final, “havia um jogo além do jogo”, lê João Vasco Ribeiro as palavras do presidente da DG/AAC da época, Alberto Martins.

 Uma crise académica disputada dentro e fora do campo de futebol

Depois de a Alberto Martins ter sido negado o uso da palavra em nome dos estudantes da Universidade de Coimbra, e a sua subsequente detenção, os ânimos exaltaram-se. Em resposta, foi decretado o luto académico em Assembleia Magna e, mais tarde, foi decretada greve aos exames. A Académica também se associou ao movimento, o que viria a preocupar as autoridades.

Francisco Andrade, treinador da equipa de ’69, explica que não só a final foi especial, dado que surgiu de um acumular de sentimentos e demonstrações de luto académico. O antigo técnico lembra o exemplo frente ao Sporting CP, em que se jogou de branco e faixa preta. “A PIDE perguntou porque jogávamos de branco e nós respondemos que no verão não se vai de preto à praia”, continua. Cada vez que havia um jogo, “as pessoas interrogavam-se sobre o emblema traçado e levavam esta mensagem para o resto do país”, explica o treinador. Os jogos começaram a ter maior assistência, não só em Coimbra.

No dia 22 de junho de 1969, os estudantes “já tinham ganho desde que entraram em campo”, declara João Vasco Ribeiro. “Foi uma luta pelos valores da democracia e da liberdade, naquela que foi a maior manifestação antifascista do Estado Novo”, ressalva o dirigente. Francisco Andrade garante que “não foi por acaso que, pela primeira vez na história, as mais altas figuras do Estado se encontravam ausentes”. Mas, ao contrário da crise de 1962, da qual também fez parte, a mensagem passou para lá de Coimbra.

Manuel António relembra o golo que marcou na final como “um momento de alegria muito grande com um final triste”. Por terem perdido o jogo e pelo que se passava fora de campo, com protestos por parte dos adeptos que levantavam e escondiam placares num estádio repleto de polícia e PIDE. Conta que não houve represálias para equipa porque perderam. Mas, quando foi para o serviço militar após a final, revela, foi questionado se tinha participado em manifestações contra o governo português, ao que respondeu: “Não, eu fui jogar futebol”.

O estudante, Coimbra, a Académica e as causas

Sobre relação atual da AAC/OAF com a academia, o presidente da DG/AAC, Daniel Azenha afirma que “é uma casa, una” e que a ligação entre a DG/AAC, os estudantes e o OAF é muito próxima.  Acrescenta que “não se pode deixar de recordar que, se há 50 lutaram por nós, também temos de lutar pela geração futura”. Manuel Machado considera que “os estudantes se sentem cidadãos de Coimbra e os cidadãos têm gosto em ter cá os estudantes”.

Segundo o presidente da CMC, há uma preocupação em não perder a memória. “Cabe a nós a tarefa de imortalizar estas pessoas, pelo que deram à Académica”, sublinhou João Vasco Reis. O presidente da AAC/OAF, Pedro Roxo, ressalva que muito mudou nestes 50 anos, mas não se pode esquecer daquele que “foi o maior comício político do antigo regime e que foi protagonizado pela Académica”.

O evento abrangeu ainda a homenagem aos jogadores, treinador e dirigentes que participaram da final de ’69 e a entrega dos emblemas de ouro e prata aos sócios com 25, 50 e, pela primeira vez, de platina pelos 75 anos de filiação, a Jorge Condorcet. Foram momentos emocionantes para o público e para os homenageados, recebidos com uma estrondosa ovação. “É tempo de olhar para trás e repetir os bons exemplos, de ousar ser diferentes”, termina o presidente da AAC/OAF.

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