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Ensino Superior

Conselho Geral debate empregabilidade dos estudantes da UC

Isabel Simões

Não há consenso sobre as possibilidades de trabalho para todos os licenciados, mestres e doutorados que a Universidade de Coimbra prepara. Se antes os conhecimentos científicos faziam a diferença, nos dias que correm, falar mais do que uma língua e adquirir ‘soft skills’ podem ser determinantes para o primeiro emprego. Por Isabel Simões

“A empregabilidade é uma questão chave para qualquer academia e a Universidade de Coimbra (UC) não é exceção”, afirmou o reitor da UC, Amílcar Falcão, no encerramento da conferência “Empregabilidade dos Licenciados, Mestres e Doutores pela Universidade de Coimbra”. A iniciativa promovida pela Comissão de Atratividade e Empregabilidade do Conselho Geral teve lugar hoje, sexta-feira, dia 15 de março, no Auditório da Faculdade de Direito da UC e contou com a presença de associações empresariais e de comércio, diretores de empresas e de especialistas de cultura e tecnologia. Embora o reitor considere que a empregabilidade não é um problema só de Coimbra, entende que “também nos atinge” e, como tal, vai ter de ser olhado “de frente”.

Para que o objetivo seja atingido, Amílcar Falcão crê ser necessário “encontrar estratégias” para que os estudantes da UC “tenham vantagens na entrada para o mercado de trabalho”. Enquanto o diretor de recursos humanos da empresa Bluepharma, Luís Rebelo Silva, destacou a aprendizagem de línguas e de aquisição de competências comportamentais, o reitor reforçou a importância das últimas nas entrevistas de emprego. As ‘soft skills’, capacidades inventivas, de comunicação e de liderança fazem a diferença e, por isso, o reitor crê que se deve “puxar mais por estas características na UC”. Acredita também que a instituição o pode “fazer com muito sucesso”. Como exemplos, o reitor deu a participação dos estudantes como voluntários nos Jogos Europeus Universitários e a Académica Start UC, um projeto na área do empreendedorismo que envolve os 26 núcleos de estudantes da universidade.

“A atitude empreendedora é fundamental no mercado de trabalho”, afirmou Amílcar Falcão. Apesar do “longo caminho a percorrer”, o reitor alegou que o mesmo deve ser “trilhado em conjunto com a consciência de que a empregabilidade é uma pedra basilar da capacidade de a própria academia atrair estudantes”.

Da academia à indústria farmacêutica, à arte, à construção civil e ao IPN

“A Universidade de Coimbra é um parceiro essencial na nossa estratégia de retenção e de atração de capital humano”, responsável pela área de desenvolvimento de recursos humanos da Bluepharma, Luís Rebelo Silva

A empresa Bluepharma opera na área da Indústria Farmacêutica, tem sede em Coimbra, e Luís Rebelo Silva foi um dos oradores da tarde. Segundo o responsável, a média de idades na empresa “é muito jovem” e a instituição “distingue-se por isso”, ao colocar nos anúncios de emprego preferir “pessoas recém-licenciadas, mestres ou doutoradas”, em vez de colocar “três a cinco anos de experiência” como fazem outras do mesmo mercado. Um outro dado facilitado pelo responsável de recursos humanos da Bluepharma é que 68 por cento dos trabalhadores da empresa são mulheres. A mobilidade interna, a avaliação de desempenho e o reconhecimento pelos pares, assim como os benefícios financeiros, são, segundo Luís Rebelo Silva, instrumentos usados pela empresa na gestão de recursos humanos.

“No âmbito das Artes, a Universidade de Coimbra fornece várias valências”, diretor adjunto do Museu Calouste Gulbenkian, Nuno Vassallo e Silva

História da Arte, Estudos Artísticos, mestrados em Estudos Curatoriais, doutoramento em Arte Contemporânea e a Arqueologia foram as áreas apontadas por Nuno Vassallo e Silva como valências que a UC tem ao dispor dos estudantes. Quer o Estado central, quer as estruturas regionais e os museus carecem destes profissionais e “não menos importante o emprego nos municípios”, salientou. Se o universo de trabalho dos recém-formados em História da Arte “surge na atualidade bastante sombrio”, só na aparência as “instituições estão saturadas”, uma vez que as mesmas se “têm esvaziado de profissionais e os edifícios estão a ficar vazios”, afirmou Nuno Vassallo e Silva.

O “quadro negro” que teceu tem segundo o próprio “ao mesmo tempo sinais bastante positivos”, pois o “Património, a Arte e a Cultura em geral são hoje em dia cada vez mais assumidos como um fator de desenvolvimento social e económico”. O desenvolvimento do turismo e das indústrias relacionadas “tem muito a ver com o conhecimento que foi feito na área do Património mas parece que o Património é o que menos beneficia”, lamentou.

“Entre 2011 e 2013, o setor da construção civil foi o mais penalizado pela crise”, secretário-geral da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Luís Saraiva

O mercado da construção civil “está melhor”, na opinião de Luís Saraiva. As empresas especializaram-se e já há “falta de engenheiros civis” uma vez que os alunos deixaram de procurar o curso por ser “menos atrativo”. Por outro lado, houve um aumento de emigração de profissionais da construção o que coloca desafios às empresas. A reabilitação urbana das cidades tem gerado “boas oportunidades” para as construtoras mas torna mais “exigente” a qualificação das empresas que operam nesse mercado em que há gente a trabalhar de “forma clandestina”, revela o Secretário-Geral da AICCOPN.

A Gestora de Inovação no Departamento de Valorização do Conhecimento e Inovação do Instituto Pedro Nunes (IPN), Carla Duarte, foi outra das conferencistas da tarde. Anunciou que até final do ano vão criadas 30 ‘startup’ no centro de incubação da Agência Espacial Europeia (ESA) em Portugal, o ESA BIC Portugal.

Salários baixos serão competitivos?

O docente da Faculdade de Economia da UC (FEUC), Elísio Estanque, moderou o debate. Desafiou os oradores a comentarem as razões para os baixos salários que existem em Portugal nos escalões mais baixos e intermédios, abaixo da média europeia, enquanto, no topo, os níveis salariais são equivalente aos que se pagam em países como a Alemanha.

Luís Saraiva explicou que na construção civil a competitividade não se faz pelo salário baixo, mas pelos valores “impostos pela contratação pública” das obras. Esclareceu que alguns concursos públicos têm ficado desertos devido ao “esmagamento dos preços”. Já nas empresas do IPN a grande dificuldade está “em reter o talento”. Carla Duarte adiantou a necessidade de “uma estratégia da cidade para o empreendedorismo”.

Já Luís Rebelo Silva considerou que o que atrai as pessoas é o “conjunto de benefícios” bem como o “comprometimento emocional”. Destacou também a necessidade de a UC formar pessoas com uma “componente de curiosidade”, competência que lhes permite distinguirem-se das máquinas.

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