Cultura

TAGV é palco do lançamento do novo livro de Ricardo Correia

Imagem gentilmente cedida pelo TAGV

Autor usa o teatro como forma de mudar o mundo e comover o público. República, austeridade e exílio são os principais temas abordados. Por Gabriel Rezende e Mariana Rosa

Ricardo Correia apresenta amanhã, dia 28 de fevereiro, a compilação “O Meu País é o Que o Mar Não Quer”, no café do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), pelas 18h30. Composta por três peças de teatro escritas entre 2014 e 2017, a obra aborda temas políticos, como a austeridade em Portugal, a formação das repúblicas e os exilados políticos. O livro pertence à Coleção Dramaturgia, editada pelo Centro de Dramaturgia Contemporânea, Imprensa da Universidade de Coimbra e TAGV.

O título foi resgatado do poema “A morte ao meio-dia”, de Rui Belo, que fala sobre como Portugal é visto por emigrantes que deixam no país algo de si. “O Meu País é o Que o Mar Não Quer” também intitula uma das peças e é uma crítica ao saudosismo das explorações marítimas portuguesas. Para Ricardo Correia, “os portugueses vivem virados para o mar e, portanto, o futuro era sempre lá fora”. A peça aborda ainda a problemática da austeridade e as emigrações desse período.

“Os exílios” é a segunda peça que compõe a compilação. Ricardo Correia declara que “faz uma ponte para quando muitas pessoas emigraram de Portugal, entre 1961 e 1964”. Este foi um período marcado por perseguições políticas e repressão, o que levou ao exílio de portugueses.

A terceira peça, “O republicário”, trata dos problemas da República Portuguesa desde a sua génese. O espetáculo, virado para o público infantojuvenil, fala sobre “o que é preciso para ter uma república” e tem como pano de fundo uma ilha utópica.

O autor explica que o processo criativo varia consoante as suas criações. “O texto nasce de uma escrita que é de palco”, afirma Ricardo Correia. Para o autor, as peças são também moldadas durante o processo de encenação, “ganham vida com os atores e com os seus corpos”, revela.

O encenador dá a conhecer que se interessa por “ouvir os outros, dar-lhes voz e integrá-los”. Os trabalhos de Ricado Correia “olham muito para a realidade e como o testemunho e as vozes de outras pessoas têm o poder de a transformer”. Ricardo Correia revela ter a urgência de tocar a sociedade pelo teatro e com este conseguir mudar o mundo e comover os outros.

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