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Ensino Superior

Opostos atraem-se na receção a Jean Wyllys

João M. Mareco e Diana Ramos

Manifestações em Coimbra revelam posições contra e a favor do político brasileiro. Autoridades impedem violência física, embora os protestantes tenham perpetuado a luta através das palavras. Por João M. Mareco e Diana Ramos

Pelas 15 horas, as manifestações do Partido Nacional Renovador (PNR) e da Plataforma Antifascista de Coimbra colidiam à entrada da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). O convidado divide opiniões. A ala de direita acusa Jean Wyllys de “pedofilia, de estar fugido à justiça” e de não se contentar com os resultados eleitorais do seu país. Por sua vez, a ala de esquerda, embora não concorde com todas as afirmações do ex-deputado brasileiro do Partido Socialista e Liberdade (PSOL), salienta que o seu protesto é uma forma de lutar contra a repressão.

“Fascista não fala, fascista não tem voz”, gritavam em uníssono as centenas de manifestantes em apoio a Jean Wyllys. As palavras proferidas pelos contra manifestantes abafaram as tentativas de resposta oriundas dos escassos membros do PNR e dos apoiantes de Jair Bolsonaro, atual Presidente do Brasil.

As duas fações encontravam-se em lados opostos da rua, separados por um numeroso cordão policial. Penduradas nos gradeamentos da FEUC, uma vez que a calçada já se encontrava preenchida por uma massa de pessoas, que seguravam uma faixa onde se podia ler “não passarão” , balançavam tarjas onde se podia ler “trazemos um mundo novo nos nossos corações” e “luta pela democracia”. No lado contrário da avenida Dr. Dias da Silva, a oposição erguia a bandeira de Portugal e segurava com convicção um cartaz do PNR onde se lia “com a direita nacional a esquerda não faz farinha”, evidenciando a orientação política deste partido.

Fotografia de João M. Mareco e Diana Ramos

Na origem do confronto estão as posições que cada um dos lados tomou, no que diz respeito à vinda do ex-deputado brasileiro para uma conferência acerca das ‘fake news’ da extrema direita e os seus impactos nas minorias. Em comunicado, o PNR, que diz ser “o único partido português que apoiou entusiasticamente a eleição de Bolsonaro”, convocou uma manifestação de forma a demonstrar o seu “repúdio”, não só para com o ativista LGBT, como também para com a Universidade de Coimbra (UC). O presidente do Conselho Nacional de Jurisdição do PNR, Miguel Costa Marques, explica que a presença do partido foi organizada entre o núcleo do PNR de Coimbra, presidido pelo próprio, e a direção nacional do partido.

Por outro lado, a contramanifestação resultou da coordenação da Frente Unitária Antifascista (FUA) e de outros órgãos e associações que partilham a mesma ideologia. Com a ameaça ao debate da UC, promovida pelo PNR, a FUA esclarece que, independentemente das posições políticas do ex-deputado, “é necessário garantir a liberdade de expressão”. “Nós estamos aqui contra o fascismo porque o PNR e os apoiantes de Jair Bolsonaro estão a tentar atacar Jean Wyllys por ele ser da comunidade LGBT e por ser de esquerda”, reitera uma das apoiantes da causa antifascista. O sentido de confiança foi partilhado por João Roberto, estudante de Mestrado em Economia e Políticas Públicas, que enaltece que, “quando os fascistas saem à rua, os antifascistas saem 10 vezes mais”.

Fotografia de João M. Mareco

O coordenador da Comissão da Juventude Nacional no PNR, João Hernandez, esclarece que o partido não intencionava “boicotar a conferência, mas sim manifestar o desagrado”. João Hernandez revela que a razão da presença do partido parte da iniciativa de convidar uma pessoa que “vem simplesmente destilar ódio”. Confessa ainda que se sente “orgulhoso por ter brasileiros do seu lado”. Prova disso é a postura de Tiago Moreno, estudante brasileiro, que afirma estar convicto de que o verdadeiro motivo do exílio de Jean Wyllys é por estar “com medo da justiça que pesa contra ele no Brasil”. Um membro da manifestação em prol de Jean Wyllys desmente esta declaração, uma vez que, na sua ótica, “foram constantes as ameaças de morte que obrigaram o ex-deputado a fugir do Brasil”.

No decorrer dos protestos registaram-se alguns desacatos. Vítor Ramalho, da Comissão Política Nacional do PNR foi alvo, na sua opinião, “de uma tentativa de agressão” com purpurinas. Mais tarde, um filiado do PNR transpôs a barreira de segurança imposta pelas autoridades e dirigiu-se à oposição num tom provocatório. Contudo, a sua tentativa fracassou devido à rápida atuação policial. Os manifestantes do PNR foram molhados por simpatizantes da causa antifascista, que se encontravam numa varanda, atrás dos manifestantes de extrema-direita. Ouviam-se insultos mútuos que não só criou um clima de maior tensão, como também levou ao reforço do cordão policial.

Fotografia de Diana Ramos

Após a saída do ex-deputado brasileiro, pela portas laterais da FEUC, o PNR abandonou o local, dando assim o evento por terminado. No final da manifestação, o movimento antifascista permaneceu junto à entrada do edifício, de forma a organizar a saída dos seus membros em grupos, “para chegarem seguros a casa”.

Fotografias de João M. Mareco e Diana Ramos.

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