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Cidade

Olhos abertos para a violência doméstica em Coimbra

Samuel Santos

Mais de 80% das vítimas de maus tratos eram mulheres em 2017. É o crime com mais pedidos de apoio em Coimbra. Por Júlia Fernandes

Portugal iniciou o ano de 2019 com um elevado e anormal número de feminicídios. Foram dez as vítimas só durante o mês de janeiro e fevereiro, o que desencadeou uma discussão a nível nacional sobre a violência doméstica e como combatê-la. Em 2017, foi registado pela PSP e pela GNR, em Coimbra, um total de 936 casos.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), define a violência doméstica como comportamentos de controlo utilizados por uma das partes dentro de um relacionamento. Estas atitudes podem ocorrer tanto dentro de relações íntimas, como entre familiares. A gestora do Gabinete da APAV em Coimbra, Natália Cardoso, afirma que “não é necessária  a repetição de uma situação de violência para a pessoa se considerar vítima”. De acordo com a gestora é preciso ter atenção às situações que antecedem a questão física, como a manipulação a nível psicológico. Natália Cardoso explicita que a violência inicia-se “quando o agressor grita com a vítima, a culpabiliza da própria condição abusiva, controla os comportamentos e o contacto com outras pessoas”.

A nível nacional, em 2017, 82,5% das vítimas eram do sexo feminino, com uma idade média de 42 anos, de acordo com o relatório anual de estatísticas da APAV. A coordenadora executiva do Observatório de Justiça da Universidade de Coimbra, a doutora Conceição Gomes, reflete sobre a necessidade do sistema judicial ser mais rápido e efetivo, o que na prática, considera não acontecer. “O Estado não consegue proteger as vítimas, existe uma falha no sistema judicial”, aponta a coordenadora. Além disso, Conceição Gomes destaca a falta de outras áreas do saber, além da técnica jurídica, para tratar destas questões. “Muitas vezes há falta de sensibilidade dos tribunais para lidar com o problema”, lamenta.

Em relação a Coimbra, Natália Cardoso afirma que as percentagens “não são muito diferentes das nacionais”. A previsão para as estatísticas de 2018, no distrito, é que reflitam um declínio do número de contactos, apesar de um aumento de atendimentos. “Isto porque têm sido feito mais atendimentos duradouros às vítimas, acompanhamentos especializados e prolongados de casos complexos”, explica a gestora. Em 2017, o gabinete da APAV de Coimbra teve 412 vítimas e um total de 937 crimes, tendo em vista que cada vítima de violência doméstica sofre mais de uma injúria.

Natália Cardoso reitera a necessidade das vítimas conversarem com alguém, principalmente, se possuem dúvidas sobre a situação. A partir disso, é possível identificar esses comportamentos abusivos e procurar solução. “É importante um profissional para dizer como se defender no sentido de justiça, quais os direitos da vítima e como responsabilizar o agressor”, declara. Por fim, a gestora fala da necessidade de abordar mudanças em termos sociais e culturais, tendo em conta que “a mentalidade da cultura à nossa volta tem como permissíveis alguns comportamentos violentos”.

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