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Cultura

O “Ser” invisível em exposição na Baixa

Isabel Pinto

Frases soltas, um manequim e uma armadilha compõem o espaço. Questões socias vistas como estatísticas, não como pessoas. Por Mariana Nogueira e Isabel Pinto.

O café Santa Cruz, com 96 anos de história, foi o local escolhido por Maria João Damas para expor “Ser: The Unseen”. A obra foi inaugurada dia 16 de fevereiro com uma sessão de “Conversas de café”. Vítor Marques, um dos gerentes do estabelecimento, referiu que “foi surpreendente o número de pessoas que veio à exposição” e que o tema “é importantíssimo”. Esclarece que trata questões sociais que se vivem todos os dias na baixa.

A assistente social e autora da obra explica que se inspirou em imagens e filmes por considerar que “cada um é aquilo que vê e aquilo que vive”. A criação desta “reflexão sobre as práticas socias” funciona como uma chamada de atenção para problemas que, por vezes, não são de consciência imediata, elucida. Composta por frases afixadas, uma peça central e uma armadilha de pesca, a apresentação ganha várias dimensões.

No centro do palco está um manequim de costas com um vestido formado por “uma série de roupas colocadas de forma aleatória”. Maria João desvenda que, muitas vezes, a roupa é dada a quem precisa de forma despersonalizada. Isso resulta na sua exposição e causa vergonha, motivo pelo qual a figura está virada para a parede, desmistifica a artista. Deste modo, incentiva o público a mostrar interesse pelos outros e a querer ver o que está na outra frente.

Na parede esquerda, encontram-se cinco imagens que formam as frases “Quando tenho fome bebo dois copos de água com açúcar. A água enche e o açúcar anima”. A artista escolheu-as por serem das mais poderosas que ouviu de um desconhecido. Enfatiza que a animação causada pelo açúcar é irónica dado “o desespero e a fome de quem não tem nada”.

Na parede direita, está pendurada uma armadilha em rede para captura de lagostas. Esta representa o funcionamento da sociedade que atrai e aprisiona os indivíduos, não permitindo a sua saída, explica Maria João Damas. Esclarece que as pessoas são catalogadas e que se veem cativas num espaço que não é o seu. Prostituição, tráfico e consumo de drogas ou mendicidade são vistos apenas como números e estatísticas, “há uma tendência para esquecer que esses números representam pessoas”, acrescenta.

A assistente social considera que “é preciso parar o sistema e dar rosto a cada uma das pessoas, tornando visíveis os invisíveis”. Vítor Marques reflete que, pelo trabalho que desenvolvem, “são este tipo de pessoas que nos ajudam a dormir tranquilos à noite”. Acessível até dia 16 de março, a exposição vai terminar com nova sessão de “Conversas de café”.

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