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Ensino Superior

José Pedro Paiva: “É através da investigação que se dá qualidade ao ensino”

Pedro Emauz Silva

Apesar das áreas estratégicas, a UC deve ser uma universidade de espetro largo. Candidato defende fim da ideia de “universidade clássica” e apela a políticas de comunicação mais ousadas. Por Luís Almeida

José Pedro Paiva teve ontem, no Auditório da Reitoria, a sua audição pública para reitor da Universidade de Coimbra (UC). Perante os conselheiros gerais, o atual diretor da Faculdade de Letras da UC (FLUC) expôs as razões pelas quais deve ser escolhido como o próximo dirigente da instituição na eleição de dia 11. Também diretor do Arquivo da UC desde 2011, propõe a preservação da Língua Portuguesa, uma universidade internacional e alterações nas dinâmicas de governança.

Incentivos à investigação

Entre os assuntos tratados, o diretor da FLUC chamou a atenção para a intervenção da universidade no plano da investigação e dos estudantes. Neste sentido, sugere o melhoramento da Sala de Estudo da Associação Académica de Coimbra (AAC) ou até mudar a sua localização. Refere ainda que nem todas as cantinas ou residências estão ótimas, mas seguem um padrão mínimo de condições. Sublinha isto como um fator de atratividade para os estudantes.

O diretor do Arquivo da UC realçou a sua rigorosidade em fazer cumprir o número de horas letivas de cada docente na sua faculdade. Afirma que tem de existir uma cultura uniforme neste campo. De acordo com o candidato, “é através da investigação que se dá qualidade ao ensino”. Defende uma maior interdisciplinaridade, maior contacto com as empresas e com a vida social.

Para concretizar isto, aponta a criação de escolas reitorais como algo “muito importante e decisivo”. Acrescentou ainda que, para contribuir para a produção científica dos docentes, vai ser analisada uma possível alteração do calendário letivo. Isto é, tenciona encurtar o período de avaliação de forma a que em junho estes não necessitem de se ocupar com questões pedagógicas. Contudo, sublinha que isto seria feito em clima de diálogo com os estudantes pois, à partida, nem todos vão concordar de imediato com esta proposta.

Dinâmicas de governança

Assume-se como um defensor do diálogo e deseja uma relação mais próxima com o Conselho Geral (CG) através das suas comissões de trabalho. Em relação às unidades orgânicas, o diretor da FLUC expôs a possibilidade de rever os Estatutos da UC, em especial a questão da duração dos mandatos dos diretores das unidades orgânicas. Considera que dois anos é pouco tempo para consolidar medidas e cria-se uma “cultura de clivagem” quando se dão sucessivas alterações na direção e quando existe muita concorrência.

Também deu como exemplo a questão de o diretor de uma faculdade ser o presidente dos conselhos científico e pedagógico da mesma. Vê isto como algo benéfico, mas também problemático. Por um lado, permite coesão entre os órgãos, mas, por outro, facilita o abuso de poder por parte de pessoas com certas personalidades. Indicou, ainda, o centralismo como algo que atrasa respostas. Isto é, deve-se alocar alguma autonomia às unidades orgânicas de forma a que estas possam resolver casos específicos de forma mais célere.

Esquecer a velha Cabra

Em relação à imagem da UC, José Pedro Paiva acredita que está na altura de pôr de parte a ideia da universidade clássica. “Não pode viver à sombra da velha torre e das tradições académicas”, afirmou. Deseja políticas de comunicação mais ousadas e não restringidas só à região em que se situa.

Neste sentido, apela também a um turismo que não seja massificado. Considera que este não pode ser apenas voltado para os recursos que traz. Deve também servir como elemento de atratividade para a UC.

Projetar o futuro

José Pedro Paiva referiu que não se pode cair no estereótipo português de “desenrascar”. Acredita que tem de se planear, estabelecer um calendário e uma planificação, em especial no que toca a possíveis intervenções no património da instituição situado no Polo I.

Em termos de política desportiva, afirmou que se devem criar condições de lazer para toda a comunidade e estímulos para os estudantes de alto rendimento. Relatou a sua experiência nos Estados Unidos da América neste campo e revelou que a diferença para com o contexto europeu é “abismal”. Em relação às secções da AAC, tanto desportivas como culturais, considera que é necessário ter respeito pela autonomia da associação.

O candidato defende a criação de áreas estratégicas e aponta uma delas como sendo a saúde. Para José Pedro Paiva, este campo é decisivo dado o seu potencial. Explicou que existe um ecossistema propício na zona para desenvolver esta vertente. No seguimento desta medida, mencionou uma “Coimbra cidade da saúde”, para a qual tenciona designar um vice-reitor responsável por este pelouro. Contudo, reflete, apesar de existirem áreas estratégicas, a UC deve ser sempre uma universidade de largo espetro.

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