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Ensino Superior

Ernesto Costa: “Incorporar a investigação na formação é uma maneira de incentivar”

Júlia Fernandes

Programa pretende renome na área de investigação. Candidato preza por ações sociais que atraíam estudantes. Por Júlia Fernandes

Decorreu, na segunda feira, dia 4 de fevereiro, a auditoria pública do Ernesto Costa, candidato a reitor da Universidade de Coimbra (UC). Este, que é Professor Catedrático da UC no Departamento de Engenharia Informática e fez parte do Conselho Geral por seis anos, tem como princípios de governação: o diálogo com todos que façam parte da estrutura da Universidade; a coabitação entre o papel do reitor e do conselho geral; e a descentralização, de forma que promova a autonomia das faculdades. A nomeação do próximo reitor da UC ocorre no dia 11 de fevereiro.

UC como referência na área da investigação

Ernesto Costa tem como ideal transformar a Universidade de Coimbra numa universidade de investigação de renome nacional. Para isto, propõe um estatuto do estudante investigador. Para ele, propor um estatuto é uma forma de valorizar os estudantes que estão dispostos a iniciar um processo de investigação e incorporá-la à formação “é uma maneira de incentivo”, tendo em vista que muitos estudantes “depois do primeiro ciclo não continuam no mestrado”.  O estatuto servirá para “reconhecer o mérito dos estudantes e também para que eles conheçam não apenas os seus deveres, mas também os seus direitos”, afirma o candidato.

O professor catedrático acredita ser “fundamental que a percentagem de estudantes do terceiro ciclo, comparada aos outros, seja elevada” e, para isso, a UC “precisa de ter a investigação como centro” e, através dessa, “ser capaz de colher fundos”. O candidato a reitor acredita ser necessário um Instituto de Investigação e Inovação que “promova a integração e o reforço dos grupo e centros de investigação, e reconheça a importância das instituições privadas sem fins lucrativos neste processo”.

Política ativa de atratividade e ação social

Diante a questão do inverno demográfico, Ernesto Costa acredita que a solução está na internacionalização e na busca de mais estudantes. Para ele, a UC “está bem no indicador de internacionalização”, devido o fato de que cerca de 20% dos estudantes são internacionais. Entretanto, a universidade encontra-se “cada vez pior” na questão de atratividade no país. “Menos estudantes procuram a UC como primeira opção”, afirma o professor. Ernesto vê como política ativa a atribuição de bolsas de mérito académico e bolsas de mérito desportivo.

Em relação à ação social, Ernesto acredita ser necessário reforçar os Serviços de Ação Social da UC  e “fornecer meios financeiros, não apenas para as bolsas de mérito, mas também no aspecto das residências”. O professor prevê mecanismos que possibilitem o reforço da ação social. Um dos meios propostos é a revisão do valor e da aplicação das multas, taxas e emolumentos que os estudantes pagam. “É importante transformar este dinheiro em apoio social”, defende. Além disso, afirma que com seu plano de transformar a investigação na UC, as receitas provenientes desta devem aumentar, de forma a que também possam ser utilizadas no âmbito da ação social.

Propina como um obstáculo ao ingresso ao ensino superior

Ernesto Costa firma-se contra a existência das propinas, tendo em vista que “muitos jovens do país, por razões puramente económicas, não são capazes de fazer parte do ensino superior”, alerta. “Se a proprina é um fator de inibição à frequência universitária, é preciso abordar o problema”, reitera. Ressalta também a relação “forte e positiva” entre o desenvolvimento económico social e a educação de um país, exemplificando que para um melhor desenvolvimento do país, é necessário que mais pessoas estejam formadas e no mercado de trabalho.

Sobre as propinas dos estudantes internacionais, o professor catedrático afirma que não devemos tratar os estudantes internacionais de forma discriminatória, mas que deve haver uma “estratégia que passe pela cultura e língua portuguesa”. Desta forma, “existe uma propina diferenciada para com os estudantes internacionais que vêm dos países de língua nacional portuguesa”. Ernesto Costa acredita que a propina deva ser um elemento de atração e assinala a necessidade de “quantificar e perceber se é um erro perder estudantes por praticar propinas de 7000 euros”. O candidato ressalva que “não colocaria em causa a responsabilidade financeira da UC”

Diálogo com a academia

O professor catedrático preza por uma “relação de diálogo e compreensão” com a Associação Académica de Coimbra (AAC). Ernesto Costa considera importante que a reitoria trabalhe junto com a AAC não só nas questões que envolvam as secções culturais e desportivas, mas também nas discussões quanto o financiamento, propinas, regime jurídico das instituições do ensino superior, de forma que “os estudantes participem não apenas no órgão de decisão, mas que tenham influência no resultado final das decisões”.

Ernesto Costa afirma que a UC tem “problemas graves” quanto a infraestrutura e que “faltam recursos financeiros para resolver todas as questões”. Diante disso, o candidato julga importante “planear os recursos e responder aquilo que precisa de uma solução imediata e, após isso, articular o processo de renovação de todos os polos”. O professor catedrático também reconhece a falta de alojamentos como um “grande problema”, e que é preciso buscar soluções para os meios financeiros escassos; uma de suas propostas é utilizar instrumentos, como “um fundo gerido por uma empresa privada” para aumentar a oferta de alojamentos.

Balanço do mandato atual

Em relação ao mandato do reitor João Gabriel Silva, o candidato a reitoria diz reconhecer “o esforço e dedicação ao longo destes 8 anos”, mas que possui “visões diferentes” na maneira de governar e no tema central da sua candidatura. “A universidade deve ter um instrumento de integração e informação da investigação, que é central para o futuro da UC”, afirma o Ernesto Costa.

Quando perguntado sobre o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), o candidato a reitor afirma que “deve haver uma preocupação de melhor equilíbrio de poderes e também uma discussão mais efetiva”.

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