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Ensino Superior

Aplausos e ovos marcam a visita de Jean Wyllys à FEUC

Maria Luísa Calado

Político brasileiro acredita que “o que deu a vitória a Bolsonaro foi a homolebotransfobia”. Conferência com forte dispositivo de segurança. Por Maria Luísa Calado

O primeiro deputado parlamentar assumidamente ‘gay’ esgotou, esta terça-feira, a lotação do auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.  Jean Wyllys abordou a questão das ‘fake news’, os discursos de ódio e o modo como isso impacta a vida das minorias.

Deixou este ano o Brasil e renunciou ao mandato face às ameaças de morte que  recebia. Desde o homicídio da vereadora do Partido Socialismo e Liberdade, Marielle Franco, Jean Wyllys tem vivido sob escolta policial. O próprio considera que a situação se tornou insuportável, e que a sociedade “não precisa de mais mártires”. O político brasileiro garante que vai “preservar a vida e continuar a lutar”.

Jean Wyllys defende que “as principais ‘fake news’ massivamente difundidas têm a ver com questões de sexualidade de género”. Para o ativista, Jair Bolsonaro chegou à presidência do Brasil ao “vocalizar o que as pessoas não tinham coragem de dizer”. Acrescenta  que é necessário  “não deixar que os líderes de direita manipulem o medo”.

Um dos principais objetivos é a luta para “desconstruir a homofobia social”. A elaboração de uma democracia de alta intensidade, que faça a junção da democracia representativa e da democracia participativa é uma das propostas dadas pelo ex-deputado brasileiro. “Precisamos identificar aliados dentro de comunidades, que possam fazer aberturas para dialogar com as pessoas”.

No decorrer da conferência, dois homens tentaram atirar ovos contra o político. As suas intenções foram travadas pelos seguranças que rapidamente os expulsaram do auditório. Jean Wyllys prontamente respondeu. “Não temo os cobardes, em vez de atirarem ovos ou darem tiros, por favor, vamos aos argumentos.”, afirmou.

Fotografia por Maria Luísa Calado

O ativista não demonstrou grandes esperanças no que toca às próximas eleições. Aproveitou para deixar um alerta sobre algo perigoso que está a acontecer no país. “As autoridades civis são tão medíocres, desqualificadas e desonestas, que, cada vez que uma delas cai, é substituída por um militar. Então, os militares estão a constituir um Governo sem ter que colocar as armas na rua. Isso é preocupante”, advertiu o político. Segundo Jean Wyllys, o Brasil está a ser comandado não só por “incompetentes”, mas também por “mentirosos e gente com mau caráter”.

Para finalizar o seu discurso o ex-deputado do Brasil apelou às pessoas heterossexuais que “sintam esta violência como se as afetasse”.  A opressão contra as minorias, crê o ativista, “deve ser uma causa de todos”. A sua saída é acompanhada por vigorosos aplausos da plateia que, de pé, se despede de Jean Wyllys, que parte com um ramo de cravos vermelhos na mão e vários seguranças em seu redor.

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