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Ensino Superior

Rafael Duarte: “Antes de recolher a opinião ou as problemáticas dos estudantes, tenho sempre de explicar o que é o CG”

Miguel Mesquita Montes

De 21 anos, o aluno do 5º ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas apresenta a sua candidatura pela lista C – “Um Compromisso Pelos Estudantes” – ao cargo de representante dos estudantes de 1º e 2º Ciclo no Conselho Geral da UC. Por Inês Casal Ribeiro

Qual é o motivo da tua candidatura?

É uma recandidatura, dado que já sou membro do Conselho Geral (CG) e uma das grandes dificuldades que senti ao longo do mandato foi a falta de proximidade entre a comunidade estudantil e o órgão. Os alunos consideram que não podem expor a sua opinião e influenciar as decisões dos estudantes que os representam dentro do CG. O nosso objetivo é desmistificar esta ideia errada. De facto, os estudantes podem ter opinião sobre as decisões tomadas em CG. Além disso, a Universidade de Coimbra (UC) vai atravessar no próximo mandato momentos de extrema importância e a experiência dos representantes dos estudantes é essencial para que zelem pelos íntimos interesses dos alunos.

Quais são as bandeiras do teu projeto?

Temos uma bandeira global que passa pela aproximação do CG à comunidade estudantil. É a base para que tudo o resto seja concretizável. Só através dos testemunhos dos alunos é que conseguimos perceber quais os problemas da UC. Só assim podemos ter uma opinião fundamentada e lutar pelos interesses desses estudantes. Para isso, criámos as comissões de trabalho, uma ideia que surgiu na minha lista, no último ato eleitoral. Estas têm como objetivo permitir que os estudantes tenham um espaço de debate que reúne regularmente.

Este mandato não correu com o sucesso que esperávamos, mas sabemos o que temos a melhorar. Ambicionamos comissões de trabalho remodeladas e reestruturadas. Vai ser um ano decisivo e estratégico para a instituição e temos que colocar o estudante num papel central dentro da universidade. Essa é a principal proposta.

Outras bandeiras passam pela gestão sustentável de recursos e investimento em infraestruturas, como a reestruturação das salas de aula. Defendemos uma articulação com toda a cidade para que o problema seja resolvido. Queremos espaços que possibilitem um percurso académico de sucesso, como salas de estudo abertas durante 24 horas. Consideramos que o plano curricular de cada curso deve estar bem adaptado à realidade profissional, para que haja uma articulação do ensino com o mercado de trabalho. A sociedade evolui e a universidade tem que acompanhar essa evolução.

A nível do ensino, é importante ter ainda em atenção os problemas pedagógicos e articulá-los com o Provedora do Estudante. Deparei-me com um completo desconhecimento dos estudantes perante a existência desta figura. Desta forma, é dever do CG informar os estudantes da existência do órgão.

Apesar de ter sido uma das principais apostas da UC no último mandato reitoral, ainda há muito a fazer no campo da investigação. Não existe uma rede de estágios organizada que permita aos alunos ter uma maior proximidade com a investigação no mundo laboral. É essencial começarmos pelos estudantes e apostarmos na investigação com os recursos que temos. No que diz respeito à atratividade e empregabilidade, é necessário revitalizar a rede Alumni UC e promover a imagem da universidade. Temos que utilizar o sucesso e o percurso dos antigos estudantes para dinamizar interesse nos alunos do ensino secundário. É importante criar uma rede de embaixadores nas escolas.

Ao nível da empregabilidade, falta uma maior ligação da UC com o tecido empresarial e com a própria cidade, no sentido de criar um programa de captação de empresas para a cidade. Temos que olhar para a universidade de uma forma global e pensar que ela está inserida numa cidade. Tem que haver uma melhor relação entre a reitoria e a Câmara Municipal de Coimbra.

Ao nível da Cultura, Cidadania e Desporto o sucesso académico vai depender muito daquilo que o estudante faz fora do plano curricular. É isso que o vai diferenciar. O desporto, a cultura e a investigação são atividades que vão enriquecer o percurso dos estudantes e permitir que se diferenciem no mercado de trabalho. Há algumas unidades curriculares em que se justificava que fosse reduzida a sua carga horária, de modo a permitir aos estudantes conciliar as restantes atividades com os estudos. No seguimento desta ideia, é também necessária uma revisão do regulamento do estatuto do estudante integrado em atividades culturais e também do estudante-atleta. Não existem treinos de captação organizados e vários universitários têm que deixar de praticar desporto, o que não pode acontecer. Temos que saber aproveitar o interesse dos estudantes. Vários estudantes vão escolher uma universidade em função do que ela tem para oferecer. Portanto, reivindicamos a função de uma estratégia integrada entre a UC e a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC). Temos a sorte de ter uma AAC que é das mais diversificadas em termos desportivos e culturais. Devemos aproveitar esses recursos e não deixar que universidades próximas e com menos recursos nos passem à frente a nível desportivo. É inadmissível. Temos de estar atentos a isto para definirmos uma estratégia a longo prazo. Essa estratégia tem que englobar não só o desporto de competição como também o desporto universitário. Temos que disponibilizar espaços para que os estudantes possam praticar desporto livremente e conciliar horários de acordo com a agenda das equipas de competição e das equipas universitárias.

É de salientar que pretendemos garantir que o projeto que existe para as residências universitárias, junto à universidade de desporto, se concretize. Efetivamente é uma ideia que estava no projeto inicial dos Jogos Europeus Universitários e não se concretizou. Relativamente à ação social, há falta de camas para os estudantes, dado o número de estudantes deslocados que temos na UC. Só cerca de 12 a 13 por cento é que têm lugar em residências universitárias. Há uma clara falta destes espaços, mais concretamente na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC. Ao nível das estratégias de comunicação espero que um dos pontos altos deste mandato seja a revisão dos Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). A nossa posição passa por defender um aumento da representatividade dos estudantes nos vários órgãos, nomeadamente no CG, em que só existem cinco estudantes. Não quero pôr em causa o trabalho dos externos e sei que é útil para o funcionamento do CG e da universidade. Contudo, não é justificável que sejam o dobro dos estudantes, porque isso em nada reflete aquilo que é o panorama e a composição da UC. Existe alguma falta de solidez quanto à comunicação da universidade. Isso projeta frutos a nível de ‘marketing’ e daquilo que é a imagem da universidade. Não há uma imagem uniforme que as pessoas associem logo à universidade.

A nível da ação social, também pretendemos proporcionar condições fidedignas aos estudantes portadores de doença. Por exemplo, estudantes com dificuldades motoras que não conseguem aceder a muitos dos espaços e serviços da universidade e ainda alunos invisuais que têm alguma dificuldade em encontrar documentos em braille. Temos de estar atentos e integrar esses estudantes na sociedade e na comunidade universitária.

Enumeraste, nas tuas bandeiras, o que consideras ser alguns dos principais problemas dos estudantes de 1º e 2º ciclo. De que forma os pretendes solucionar?

O projeto vai de acordo com os problemas que detetei durante estes dois anos. Conciliar ideias novas de pessoas que fazem parte da equipa e das comissões permite-nos um equilíbrio muito interessante entre quem conhece e tem experiência com os principais problemas e pessoas que trazem ideias e problemas novos, que eu próprio não conhecia. Este trabalho ao nível de comissões vai permitir-nos estar a par de todos os problemas com maior regularidade e poder intervir mais rápido na resolução desses.

Consideras que há um desconhecimento por parte dos estudantes em relação ao que é e que funções desempenha o Conselho Geral?

Sim, sem dúvida. Essa foi uma das maiores dificuldades sentidas ao longo do mandato. Antes de recolher a opinião ou saber quais são as problemáticas reais que os estudantes sentem no dia a dia, tenho sempre de explicar o que é o Conselho Geral. Isso dificulta um pouco o nosso trabalho até porque os próprios estudantes membros do CG têm noção do desconhecimento que existe por parte dos restantes. Quando intervimos no CG, estamos um pouco rotulados como estudantes desinteressados, que não estão preocupados com a universidade e a reitoria. Precisamente por causa disso, uma das propostas basilares do nosso projeto é a aproximação aos estudantes. Acima de tudo é importante aproveitar o processo eleitoral e o interesse que existe dos mesmos para explicar o que é o CG. Se conseguir explicar a um grande grupo de estudantes o que este órgão é, considero que seja uma vitória.

Esse desconhecimento pode levar menos estudantes a votar?

Sim. E, para além disso, há outros fatores, como o facto de existirem eleições ao mesmo tempo, num período eleitoral muito curto. Isto gera um ciclo em que ocorrem muitas eleições e os estudantes não se mostram tão recetivos. Um dos órgãos, que está sujeito a eleições, acaba por ficar na sombra dos outros e é o que acontece ao CG.

De que forma pretendes aproximar os estudantes do Conselho Geral e evitar que eles não votem nas eleições?

É preciso desmistificar este afastamento que existe entre os estudantes e o CG. Muitos estudantes pensam que este órgão não tem poder e que só cinco estudantes fazem parte dele. Mas, precisamos de saber a opinião de todos os estudantes para estarmos a par de todos os problemas e todas as dificuldades que os estudantes sentem no seu dia-a-dia. E é difícil para cinco estudantes do CG representar os 24 mil, portanto, é importante que haja essa aproximação e que os estudantes sintam que a sua opinião é ouvida e tida em conta na tomada de posições em CG.

Qual é a tua posição relativamente à proporção existente entre os representantes dos alunos e os outros membros do CG?

Considero que o número de estudantes no CG é insuficiente. Falamos de cinco estudantes, o que corresponde a cerca de 15 por cento dos membros do CG. Se tivermos em conta que o órgão tem 35 membros, dos quais 18 são professores, estes têm sempre a maioria dos membros. Portanto, o número insuficiente de estudantes deveria ser compensado com uma diminuição do número de elementos externos.

Qual é o balanço que fazes do atual mandato dos representantes do 1º e 2º ciclo?

É um mandato bastante positivo. Tenho a destacar o evento que organizamos, o UC2030, que teve como objetivo recolher e registar num documento a visão dos estudantes para a UC em 2030. Foi interessante fazer esse exercício porque nos permitiu conhecer novos problemas que surgiram nesse evento e conhecer a opinião e as perspetivas das pessoas quanto à universidade daqui a dez anos. Estes exercícios permitem definir quais são as estratégias que melhor correspondem às expectativas dos estudantes. É um momento que destaco deste mandato. No entanto, este pautou-se pela forte reivindicação do que são os interesses dos estudantes. Houve ao longo de todo o mandato uma forte união entre os cinco estudantes. Acho que tem que funcionar assim, porque somos só cinco e temos que fazer valer esses cinco votos e estarmos em sintonia para conseguirmos alcançar os nossos objetivos.

Qual é o balanço que fazes do mandato do reitor?

A nível económico, é um balanço claramente positivo. Foi um mandato que se pautou pela aposta na internacionalização e na investigação, mas claro que ainda há muito a trabalhar em ambas as áreas. Foi um mandato positivo que teve os seus pontos negativos. A falta de sintonia e de proximidade entre a equipa reitoral e comunidade. Há uma clara falta de sintonia entre as ambas as partes e daí o desconhecimento por parte das dos estudantes. Toda a comunidade devia estar a par daquilo que são os problemas da academia e sentir-se parte integrante desta universidade. A competição dentro dos próprios cursos e departamentos é completamente desnecessária. Devia existir uma competição saudável que nos fizesse crescer e afirmar perante as restantes universidades, quer a nível nacional e internacional. Existem objetivos claramente importantes, mas as estratégias para os alcançar ainda não foram determinadas.

A nível de instalações, foi um mandato que ficou um pouco aquém. A gestão de recursos foi bem feita, no entanto, não se direcionou às problemáticas da universidade. É inadmissível termos residências e cantinas com as condições que temos. Se a gestão de recursos foi tão bem feita, devia ser investida nas áreas mais críticas da universidade.

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