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Cultura

Memórias de Jaime Batalha Reis premeiam Elza Miné

D. R.

Obra “Alguns Homens de meu Tempo e outras memórias de Jaime Batalha Reis” valeu premiação da escritora Elza Miné, hoje, na Sala do Senado da Universidade de Coimbra. 9º edição do “Prémio Joaquim de Carvalho” teve como protagonista o livro que relata as memórias de Jaime Batalha Reis no século XIX e início do século XX, contadas na primeira pessoa. A autora admite que prémio foi “reconhecimento do esforço” e que é “uma prova muito agradável para quem fez o trabalho”. Por Carolina d’Oliveira 

Qual foi a sua inspiração para esta obra?

Tentei assumir por Jaime Batalha Reis um projeto que ele tinha há muito tempo. Quis escrever sobre os homens da sua época, já que era amigo de Eça de Queiroz, de Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão… Enfim, de todo o conhecido grupo. Jaime Batalha Reis foi adiando o projeto e acabaram por passar 28 anos. Volvidas quase três décadas, continuava a falar deste livro que pretendia escrever, mas sem nunca o chegar a fazer. Decidi então abraçar o seu projeto e escrevi as suas memórias na primeira pessoa, como se fosse o autor. Aproveitei peças que ele tinha deixado, factos sobre os amigos inéditos ou publicados e fui entrelaçando essas peças para fazer a primeira parte do livro, que é “Alguns Homens de meu Tempo”. Foi essa a minha inspiração. A segunda parte retrata todas as contribuições de Jaime Batalha Reis para os jornais sobre política, arte, pintura. Adotei a perspetiva de uma linguagem memorialista. Por isso, denominei a segunda parte de “outras memórias de Jaime Batalha Reis”. Concluindo, num primeiro segmento, tentei seguir o seu projeto, que ele não chegou a concluir, num segundo segmento formulei assim a questão.

Esperava que esta obra tivesse uma apreciação tão boa quanto se verificou?

Não sei. Acreditei neste livro e fiz tudo no sentido de reunir os procedimentos, tanto académicos, quanto de edição correta. Mas dei um toque mais pessoal para evitar que a obra ficasse fragmentada.

Quais foram os homens do tempo de Jaime Batalha Reis que destaca?

Os que destaco são Eça de Queiroz e Antero de Quental, em primeiro lugar, por serem os amigos muito chegados. Depois, destaco o Oliveira Martins, e, por fim, o Columbano Bordalo Pinheiro, pintor, e João de Deus.

Quais os aspetos interessantes que encontrou na vida das personagens com quem Jaime Batalha Reis contactou?

Os aspetos interessantes estão relacionados com a forma como pintou essas personagens, que ele dizia querer tornar reais, por serem seus amigos. Fez uma espécie de perfil de cada um deles e detalhou a voz e as maneiras de cada um. Todos são diferentes, mas há uma imagem de amizade que é comum e que passa para os leitores.

Qual a importância da geração de 70 para o seu tempo e para a atualidade?

Acho que a geração de 70 é a mais brilhante geração do século XIX, sem dúvida. Esse brilho ainda se mantém hoje em dia, nas obras consideradas provocadoras. O leitor do presente sente prazer em entrar em contacto com essa geração.

Qual a importância do Prémio Joaquim de Carvalho para a sua vida profissional?

Este prémio é importante, porque é um reconhecimento, feito por um júri, de um trabalho em que investi, estudei, pesquisei e que me esforcei por desenvolver. É uma manifestação favorável, que teve uma boa receção e uma prova muito agradável. É gratificante ver reconhecido um trabalho em que acreditei e em que me esforcei.

Tem alguma ligação à cidade de Coimbra?

Sou professora no Brasil, onde me dediquei ao estudo da literatura portuguesa. Por isso, já vim várias vezes a Coimbra. Fiz, inclusive, um curso na cidade e tenho amigos professores aqui. Também já estive na cidade em trabalho, nomeadamente quando participei numa edição crítica coordenada pelo professor Carlos Reis.

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