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Ensino Superior

João Ferreira: “O CG é um órgão que está demasiado fechado”

Miguel Mesquita Montes

De 23 anos, o aluno do Mestrado Integrado em Engenharia Civil apresenta a sua candidatura pela Lista P – “A tua Palavra, a nossa Prioridade” – ao cargo de representante dos estudantes de 1º e 2º ciclo no Conselho Geral da UC. Por Patrícia Silva

Qual é o motivo da tua candidatura?

Candidato-me porque considero ter o perfil que um estudante candidato a um órgão destes deve ter. Consegui essas competências ao longo do tempo pela minha experiência como administrador da Associação Académica de Coimbra (AAC). Em toda a minha equipa, temos pessoas que têm uma diversidade muito grande em termos de associativismo, pertencendo a núcleos de estudantes. Por esse motivo, conseguimos estar junto dos estudantes no dia-a-dia e perceber os seus problemas. Temos muita capacidade e credibilidade para conseguir levar todos os problemas dos estudantes ao Conselho Geral, um dos órgãos máximos da universidade.

Quais as bandeiras do teu projeto?

Na ação social, queremos continuar a batalhar na redução da propina nacional e do estudante internacional. Neste seguimento, tencionamos batalhar para que as taxas e emolumentos não sejam um mecanismo da instituição para colmatar o prejuízo que advém deste decréscimo. Pretendemos que aumentem e, posteriormente, que acabem. Queremos criar o estatuto de estudante integrado em atividades culturais e desportivas ao tentar aproximá-lo à realidade do estudante.

A Universidade de Coimbra (UC) é a que menos proporciona vantagens ao estudante universitário que pratica desporto. Nos Jogos Europeus Universitários, a UC foi medalhada com o 3º lugar no futsal masculino. Os estudantes receberam 50 euros e acesso à época especial. A Universidade do Minho, que ficou em 2º lugar, para além de ter tido a totalidade da propina paga, teve depois um prémio extra. Se a UC pretende uma base de internacionalização ao apostar no desporto, não é desta forma que consegue cativar estudantes nacionais para que consigam conciliar o estudo e a prática desportiva. Uma mais valia para o estudante seria arranjar um ou vários escalões em que, consoante os objetivos que eram tratados no tipo de modalidade, o esforço do atleta devia ser tido em conta. O estudante-atleta devia poder pensar: tenho o símbolo da universidade ao peito, represento-a e ainda ganho algo em troca.

Queremos colmatar o problema da mobilidade e tentar ter uma sala de estudos aberta 24 horas por dia em cada pólo. O Estádio Universitário está completamente desatualizado e tem horários que não permitem aos atletas praticar desporto, dado que fecha à meia noite e aos fins-de-semana.

Em relação à cultura, uma vez que Coimbra se irá candidatar a Cidade Europeia da Cultura de 2027, acho que fazia sentido que a universidade também começasse a pensar em se aproximar à cidade.

Tirando isso, gostaríamos de tentar perceber os Serviços Académicos, que não funcionam nas devidas condições e sobre os quais os estudantes apresentam muitas queixas.

Consideras que os estudantes têm um desconhecimento quanto às funções do Conselho-Geral?

Eu acho que sim. Penso que ao longo dos últimos anos o desconhecimento veio a decair imenso, não só sobre o Conselho Geral (CG), como sobre o Senado. A tentar colmatar esse facto entendemos que na Assembleia Magna devia mostrar-se recorrentemente o que está a ser discutido no CG e perceber a opinião dos estudantes.

A estratégia da nossa lista é a da criação de comissões e de áreas de trabalho, com todas as faculdades representadas. Essas áreas, nas quais vão trabalhar oito pessoas, têm um programa específico. As pessoas vão fazer um trabalho conjunto para conseguir perceber o que é que se consegue mudar.

Criámos também uma plataforma informática disponível durante o tempo de campanha, e de mandato, se nós ganharmos. Nesta, o estudante pode dar sugestões e referir problemas que vamos avaliar e reencaminhar para o Provedor do Estudante, outro órgão que a universidade não divulga.

Esse desconhecimento por parte dos estudantes pode levar cada vez menos alunos a votar?

Penso que sim. É um órgão que está demasiado fechado, visto que não há ligação do CG para com a comunidade. E não estou a falar apenas do estudante, o próprio docente não tem mecanismos de obter informação. Ler as atas das reuniões, qualquer um de nós pode fazer. Contudo, não é o ideal. O ideal é haver algum diálogo permanente. A universidade deveria ter um papel muito maior em relação à questão de proporcionar ou divulgar este tipo de órgãos para fora e não se limitar à colocação de atas no ‘site’. Temos de ser mais ativos.

Quais os principais problemas dos estudantes do 1º e do 2º ciclo?

Já auscultámos alguns estudantes. Para além da questão do desporto, queixaram-se muito da ação social, e da questão da mobilidade em cantinas, que cada vez estão com menos condições e têm grandes filas de espera. Precisamos de batalhar com os Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra. O trajeto deve ser feito de cima para baixo, para que as soluções apresentadas venham sendo distribuídas pelas pessoas corretas.

Há falta de espaços abertos durante 24 horas para qualquer estudante frequentar. Já para não falar que os estudantes da Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física queixam-se de esta não possuir biblioteca. Para além disso, podem praticar a atividade física das aulas durante o dia, mas chega ao final do tempo letivo e não têm sequer esse tipo de condições.

Qual é a tua posição relativamente à proporção existente entre os representantes dos alunos e os outros membros do CG?

Esse é um dos pontos onde nós temos de batalhar. O Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), que retirou dois lugares aos estudantes para entregar a não docentes, sublinha que existem várias percentagens que podem ser revistas e ajustadas. Queremos aumentar esse número de representantes, ao tentar fazer uma proposta, em parceria com a AAC, que tem ações de luta contra o RJIES e para a revisão dele. Depois, acho que não faz sentido o presidente do Conselho Geral ser obrigatoriamente um elemento externo.

Qual o balanço que fazes do atual mandato dos representantes de 1º e 2º ciclo?

A única coisa que vejo do mandato deles foi ter conseguido ler as atas das reuniões. Eu acho que não é culpa deles. Contudo, deveria haver mais divulgação, transparecer mais o que é feito e o que acontece. Por exemplo, no Regime Fundacional, que foi chumbado por unanimidade, o estudante foi preponderante. Nesses temas macros, o balanço que faço é positivo. No entanto, não sei qual a posição deles no CG porque não há nada que o transmita.

Qual o balanço que fazes do mandato do Reitor?

Acho que o reitor teve coisas boas e coisas más, mas primou sempre por uma gestão muito rigorosa da universidade.

Em termos financeiros, a UC expandiu-se, no panorama internacional, através do turismo. Conseguiu, com isso, aumentar a sua receita. Também esteve sempre ao nosso lado, na questão do aumento do valor da refeição social para 2,65 euros, aprovado em Assembleia da República, e não implementado na UC, por sua decisão.

Sei que o final do seu mandato não foi o que idealizava, devido à existência de certas divergências dentro da equipa reitoral ou à saida de algumas pessoas. No entanto, acho que ele próprio conseguiu colmatar esses problemas ao absorver toda essa gestão e, por isso, o balanço que faço do último mandato dele é positivo.

Falando um pouco da experiência que consegui ter com a AAC, penso que a ligação com a universidade é de se manter. Apesar de haver muita discrepância em termos de visões políticas, sempre se chegou a um consenso.

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