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Ciência & Tecnologia

Inatividade física afeta um terço das crianças do centro de Portugal

D. R.

Estudo comprova que o desporto nas crianças parte da influência adulta. Fatores socioeconómicos e excesso de peso apontados como as principais causas. Por Rafaela Chambel

Uma equipa do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) realizou um estudo que demonstra que um terço das crianças de Coimbra e Lousã não pratica desporto extracurricular. Com publicação no American Journal of Human Biology, o foco é definir as principais circunstâncias por detrás da estatística.

Daniela Rodrigues, investigadora no centro, salienta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 60 minutos de atividade física por dia. Acrescenta ainda que a atividade não se limita a um desporto concreto, mas também a atividades do quotidiano. Ir a pé ou de bicicleta para a escola, brincadeiras ativas e aulas de educação física complementam um estilo de vida saudável, explica.

Nas últimas décadas, são vários os estudos que comprovam os benefícios do exercício físico para a saúde. Entre os seis e os dez anos, idade estudada, é ainda mais importante, porque é em criança que se adquirem os hábitos que se mantêm na idade adulta. “Crianças ativas têm mais probabilidades de serem adultos ativos e é uma espécie de bola de neve”, esclarece a investigadora. Nesta fase, uma vida ativa é sinónimo de saúde física e mental, melhoria na auto-estima e de desempenho escolar, fruto de uma maior facilidade de concentração.

Através de um inquérito aos pais, foram delineados os fatores fundamentais, pela positiva e pela negativa, deste resultado. Entre estes, destaca-se o nível socioeconómico da família, que, quando baixo, dificulta o acesso a práticas desportivas extracurriculares, bem como o excesso de peso. De acordo com Daniela Rodrigues, “estes resultados importam porque permitem identificar alguns dos problemas que estão a atuar sobre as famílias para elas não praticarem desporto”.

Todo o problema tem solução

A investigadora do CIAS adianta que a prática desportiva deve partir dos familiares, que servem como modelo para as crianças. “Os pais têm de ter em atenção a importância de um estilo de vida saudável”, mas, para este efeito, “também eles precisam de ser educados”, afirma Daniela Rodrigues. Clarifica, ainda, que “é preciso mostrar aos pais que está cientificamente provado que os problemas de saúde estão relacionados com a inatividade física e com o sedentarismo”.

Concluiu-se, também, que há uma maior probabilidade de as crianças praticarem desporto extracurricular com espaços recreativos na área circundante à sua residência. De modo a fazer frente à problemática estudada, a investigadora sugere a criação de instalações moldadas às necessidades das crianças, com vista para a prática de exercício.

Para as famílias com piores condições económicas, afirma que “as autarquias e as escolas podem organizar programas desportivos grátis, feitos na própria escola, que muitas vezes já possui as infraestruturas”. Lança, ainda, outra ideia: programas para toda a família.

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