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Ensino Superior

Daniela Rosa: “a UC, além de formar bons profissionais, deve formar bons cidadãos”

Miguel Mesquita Montes

De 22 anos, a mestranda em Economia apresenta a sua candidatura pela lista D – “Decide a UC” – ao cargo de representante dos estudantes de 1º e 2º Ciclo no Conselho Geral da UC. Por Maria Salvador e Isabel Pinto

Qual é o motivo da tua candidatura?

Atualmente sou conselheira geral. Quando entrei, deparei-me com uma série de problemas que estavam longe de serem sanados. O Conselho Geral (CG) é o órgão deliberativo da Universidade de Coimbra (UC) e é preciso ter muita responsabilidade para fazer parte dele. Acho que o estudante eleito, quando lá chega, tem medo de ligar o microfone, questionar os professores, questionar o excelentíssimo reitor. O comum estudante não sabe o que é o Conselho Geral e isso preocupa-me. Percebi que tinha um longo percurso pela frente. Além do mais, sabia que havia a possibilidade de começar um projeto, mas precisava de mais de um ano para o colocar a funcionar como deve ser. Dentro do CG existem comissões que discutem temas específicos em núcleos mais particulares. Há dois anos, a lista que ganhou tinha uma ideia incrível na campanha eleitoral que passava por replicar as comissões que existem dentro do CG para os estudantes. Assim, quando um estudante conselheiro eleito fosse reunir dentro do CG, levava a opinião da equipa, bem como opiniões externas, o que aumentava exponencialmente a representatividade e o poder de decisão. Acontece que ganharam as eleições, mas nunca colocaram a ideia em prática. Acredito que tenho toda a capacidade para chegar onde se pretende, que é a construção dessas comissões. Esta eleição é importante porque o estudante conselheiro eleito vai votar na eleição do reitor. Ou seja, é uma grande responsabilidade e define o futuro da UC nos próximos anos. Portanto, pela importância e pela consciência de ser uma eleição extremamente decisiva, eu optei por avançar. Acho que cada pessoa tem de fazer um bocadinho para melhorar o meio onde está e eu tenho essa oportunidade.

Quais são as bandeiras do teu projeto?

O meu projeto pauta-se muito pela proximidade que queremos criar com o estudante, através das comissões. Nós dividimos isto em duas vertentes: comunicação e política universitária. Dentro da política universitária, existem várias comissões. A divisão da comunicação é responsável por, ao longo dos dois anos de mandato, informar a comunidade estudantil do que se está a fazer. O que se passa é que, na altura das eleições, toda a gente quer saber do Conselho Geral. Fora isso, não se preocupam com o que os eleitos estão a fazer ou com o que está a ser discutido. Pretendemos, através das redes sociais, chegar a todos de forma criativa e diferente. Para nós, a ação social é muito importante, nomeadamente no que diz respeito às residências porque são precisas mais e as que existem não têm condições. Outro ponto é a discussão sobre a propina internacional. Queremos criar uma universidade mais aberta e reconhecida globalmente, queremos criar um fundo para a captação de estudantes internacionais. Para este fundo é cobrado um determinado valor de propina ao estudante internacional e a ideia é tirar uma percentagem dessa propina a cada estudante e canalizá-lo para esse fundo. Assim, um estudante muito bom que não consiga vir é captado através desse fundo. Além de que a propina internacional está, obviamente, muito alta e queremos também fazer uma adequação da mesma a cada curso. Outra bandeira relaciona-se com a avaliação dos professores da UC. O valor dado ao ensino não é tanto quanto deveria. Nem todos os professores têm aptidão para dar aulas e, por isso, o que propomos é uma adequação da sua avaliação às próprias atividades.

Acreditas que o desconhecimento sobre o CG leva menos estudantes às urnas?

Sem dúvida. O primeiro passo para não irem votar é não saberem para o que vão votar. Se ninguém tirar um tempo para explicar aos estudantes o que é o Conselho Geral, eles provavelmente não vão investigar e não vão votar. O facto de as eleições para a DG/AAC serem próximas das eleições do Conselho Geral leva a que os alunos se fartem de ouvir falar em listas. A situação não melhora com o impasse vivido. Temos de perceber que uma coisa é a AAC e outra é o órgão de governo da UC. As pessoas não votam porque não sabem, estão cansadas e há um completo descrédito. A suspeita que envolveu as eleições para a DG/AAC leva os estudantes a não quererem perder mais tempo com brincadeiras. É importante que compreendam que vão votar num órgão decisivo que determina a universidade que temos.

Quais são os principais problemas dos estudantes do 1º e do 2º ciclo?

Os principais problemas prendem-se com a falta de interesse que têm. Cada vez mais o que se quer é estudar, fazer as cadeiras e ir para casa, e o Tratado de Bolonha não contribuiu para mudar isso. Falta muito desenvolvimento da consciência cívica da comunidade estudantil. Falta envolvimento na vida académica, nas secções da AAC, nos órgãos da academia, Senado, Assembleias Magnas, Conselho Geral. O grande problema é que o estudante está muito focado no seu curso, tem uma visão cada vez mais individualista, e isso tem de ser quebrado. Acho que a UC, além de formar bons profissionais, deve formar bons cidadãos, informados e que queiram atuar em tudo o que puderem. Relativamente ao 2º ciclo, o problema em relação a alguns colegas é a falta de escolha que têm a nível de mestrados. Fazem a licenciatura na UC, mas optam por outras instituições para frequentarem o 2º ciclo de estudos, pela falta de oferta formativa da instituição, o que faz com que percamos alunos muito bons.

Como pretendes resolver estes problemas?

O Conselho Geral é o órgão que toma decisões, portanto queremos propor a contratação de docentes que permitam abrir o leque de percursos de mestrado. Para combater a falta de envolvimento dos estudantes, a solução passa pela contabilização de atividades extracurriculares como unidade curricular. Por exemplo, um estudante de medicina pode transformar horas de voluntariado em créditos. Não quero que isto seja mal interpretado, mas o Tratado de Bolonha deixa pouca margem para se envolveram na vida cívica e acredito que isto seria um incentivo.

Qual é a tua opinião acerca da proporção de representantes dos alunos para outros membros do CG?

Claro que uma universidade sem docentes e sem funcionários não resulta, mas é para os alunos e para o ensino que é criada. Defendo que dar mais voz ao estudante é fundamental. Sei que muitos estudantes ocupam órgãos e depois não se dedicam. Por isso, só quando dermos o máximo e percebermos que não é suficiente é que podemos reivindicar por mais. Elegemos pessoas que se vão sentar à mesa com o reitor e com professores catedráticos e se forem lá só assistir, não vale a pena. Têm de ser pessoas que, ao chegar, liguem o microfone e defendam os estudantes, porque é para isso que lá estão. Não estou a falar de ninguém individualmente, mas acho que há muita coisa que pode ser feita.

Que balanço fazes do atual mandato dos representantes dos estudantes?

O balanço é positivo. Conseguimos colocar quatro pessoas de listas diferentes a trabalhar com um objetivo único. Na fase de eleições somos todos adversários, mas no fim temos de saber trabalhar uns com os outros para os estudantes. Acho que nisso estivemos muito bem. Organizámos o UC2030, um fórum com o objetivo de pensar a UC para o futuro, que terminou na elaboração de um documento geral da visão do estudante para a universidade em 2030. No geral, acho que trabalhámos bem para no fim votarmos no que achávamos que era a opinião dos estudantes

Que balanço fazes do mandato do reitor?

O mandato foi positivo, embora não ache que seja a opinião geral dos estudantes. Tive oportunidade, neste último ano, de contactar mais com o reitor e acho que a visão que muitos têm não é real. Pondera muito as decisões, é empenhado e dedicado, é uma pessoa muito realista e não gasta podendo hipotecar o futuro. Nesse sentido é uma pessoa muito sensata. Claro que há pontos em que discordo dele, mas acho que o mandato foi positivo.

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