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Ensino Superior

Candidatos ao Conselho Geral debatem o futuro da UC

Gabriel Rezende

Listas candidatas defendem, entre as propostas, a internacionalização da universidade. Mandatários demonstram preocupação com distância entre estudantes e o órgão deliberativo. Por João M. Mareco e Gabriel Rezende

Com a moderação do presidente-eleito da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros (APEB), Rafael Firpo, e da vice-presidente da associação, Isabela Romanov, a Casa da Lusofonia da Universidade de Coimbra (UC) foi o local de debate dos candidatos ao Conselho Geral da UC (CG). Pela representação dos estudantes de 1º e 2º ciclos, concorrem Rafael Duarte, pela Lista C, Daniela Rosa, candidata pela Lista D e João Ferreira, mandatário da Lista P. Como representantes dos discentes de 3º ciclo, concorrem, pela Lista D, Luís Bento Rodrigues, e, pela Lista M, Marcela Uchôa.

Contacto com os estudantes

Para os mandatários de 1º e 2º ciclos, a falta de comunicação entre os estudantes e o CG é relevante, mesmo com a existência de comissões de trabalho abertas. Rafael Duarte frisou que, apesar de “estas não terem tido o sucesso esperado no último mandato”, as comissões estão preparadas para progredir.

Para a candidata da Lista D, Daniela Rosa, “as comissões são eficazes na medida em que são uma ideia boa que não pode ser desperdiçada”. Daniela Rosa propôs melhorá-las através da sua divisão em duas vertentes, uma de comunicação e outra de política universitária.

João Ferreira prometeu, para uma aproximação entre o CG e a comunidade estudantil, a sua participação nas Assembleias Magnas (AM), de forma a informar os estudantes do que se passa no CG. O mandatário defendeu ainda a criação de uma plataforma informática, em que o estudante se possa informar e sugerir propostas ao CG.

Ação social

Os três postulantes ao órgão declararam que estiveram em contacto com a administradora dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC). A partir do diálogo, os mesmos asseveraram que “há falta de recursos humanos nos SASUC”. Daniela Rosa não concorda na totalidade com a abertura de “postos de trabalho mais precários” aos estudantes bolseiros. Contudo, afirma que o Programa de Apoio Social a Estudantes através de Atividades a Tempo Parcial (PASEP) “até funciona bem, mas pode melhorar”.

Os representantes das listas mostraram-se contrários à mercantilização da UC no âmbito do trabalho. Para João Ferreira, a universidade tem olhado para a contratação de pessoal “como um aumento de despesas, e não como investimento”. Já o candidato pela Lista C declarou que a UC tem saldo positivo suficiente para colmatar as questões de infraestrutura e recursos humanos.

Questões pedagógicas

“O pilar central da UC são os estudantes”, sustentou Rafael Duarte e, como tal, defendeu que “a universidade tem de aproveitar o interesse dos estudantes pela investigação”. Este pregou ainda a redução da carga horária de algumas unidades curriculares que se sobrepõem. Para o candidato da Lista C, a redução não deve ser global e não afetaria a relação ECTS-hora da instituição. João Ferreira defendeu que é necessário rever os “falsos mestrados integrados”, o que, para si, é problema comum nas engenharias.

Já a candidata Daniela Rosa acredita que os regulamentos pedagógicos da UC têm de ser revistos, de forma a “ter em conta as especificidades de cada unidade orgânica”. Para tal, propôs uma maior intervenção dos Conselhos Pedagógicos das faculdades, que têm na sua composição membros representantes dos estudantes.

Infraestruturas da UC

João Ferreira afirmou que o Estádio Universitário de Coimbra (EUC) está “a ser mal aproveitado” e que o CG “pode mudar isso”. O cabeça da Lista P refletiu ainda sobre o facto de o EUC não ser gerido pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC. “Não faz sentido as luzes do estádio estarem desligadas às 20 horas”, frisou o candidato.

Daniela Rosa criticou a falta de acessibilidade de alguns dos espaços da instituição de ensino. A candidata defendeu a diversidade na academia e o igual acesso de todos os estudantes.

“É inadmissível haver salas de aula em condições precárias, como é o caso da Faculdade de Direito e da Faculdade de Letras”, argumentou Rafael Duarte. O candidato garantiu que o mandato de João Gabriel Silva na Reitoria da UC foi “positivo, no âmbito financeiro” e que as verbas do turismo poderiam ser revertidas para a solução destes problemas.

Eleição da Reitoria

Os candidatos ao CG concordaram que, ao não haver propostas eleitorais definidas, ainda não é prudente demonstrar apoio a algum dos candidatos a reitor. O mandatário da Lista C referiu que é necessário “ter um reitor com consciência das dificuldades da vida universitária”. Este prosseguiu a dizer que o voto deve ser “dos estudantes”, porque não quer ter essa responsabilidade sozinho.

Para Daniela Rosa, a Associação Académica de Coimbra (AAC) deve ser ouvida para a tomada da decisão que, na opinião de Rafael Duarte, vai ser “o ponto máximo do próximo mandato”. A candidata pela Lista D considerou ainda que é “importante a união dos postulantes”. João Ferreira concordou com a concorrente e afirmou que a “AAC deve ser levada em consideração” na eleição do reitor, apesar de não ter voto no CG.

Discórdia quanto ao âmbito do 3º ciclo

O candidato pela Lista D, Luís Bento Rodrigues, tem, na sua candidatura, o foco pela investigação de qualidade, a inclusão e internacionalização da UC. Este defende a massificação dos doutoramentos em Portugal. Contudo, acredita que a sociedade civil deve dar lugar à atuação destes enquanto profissionais.

Desse modo, o candidato afirma que os investigadores têm “o direito à patente dos resultados das suas investigações”. Marcela Uchôa discorda desta perspetiva, dado que o que é “produzido no âmbito do ensino público deve ser público”. A postulante relembra que as instituições de Ensino Superior não devem ser “mercantilizadas”.

O candidato da Lista D defendeu que a solução para a equiparação das propinas não pode partir do CG, visto que “isto não lhe compete”. O candidato referiu ainda o parecer da procuradora-geral da República que afirmara que o estatuto dos estudantes internacionais deve manter-se durante o seu percurso académico. A solução deveria partir da diplomacia do Governo Brasileiro diretamente com a UC, na visão de Luís Bento Rodrigues.

Os candidatos de 3º ciclo trocaram críticas contundentes. Para Marcela Uchôa, o estatuto de trabalhador da Divisão de Inovação e Transferências do Saber, órgão da universidade, parece ser incompatível com o cargo ao qual o adversário se candidata. No entanto, Luís Bento Rodrigues defende-se a dizer que, “se assim fosse, os próprios professores que compõem o CG não poderiam ali estar”. Na opinião do mesmo, o perfil combativo de Marcela pode não se adequar ao cargo a que se candidata.

 

[Artigo atualizado às 03h09 de 8 de dezembro]

 

Fotografias por Gabriel Rezende:

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