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Ensino Superior

Maio de 68: “É proibido proibir”

André Crujo

Recordar a data sob um pensamento crítico é o foco da conferência. Palestrantes preocupados com semelhanças entre o contexto sociopolítico impulsionador do movimento e o da atualidade. Por André Crujo e Paula Martins

No ano que assinala o meio centenário do Maio de 68 dá-se a conferência sobre o tópico. A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra acolheu três oradores com opiniões distintas acerca da questão. O colóquio, que ocupou a tarde desta sexta-feira, procurou pensar no futuro com um olhar sobre o passado.

“Maios de 68: de Paris a Portugal” é o nome dado às palestras que descrevem a revolução estudantil iniciada em França. O que começou por ser um movimento protagonizado por jovens burgueses alastrou para as fábricas francesas, que trouxe dez milhares de trabalhadores a reivindicar melhores condições laborais. Este exemplo desencadeou uma reação semelhante em vários pontos do globo a que Portugal não ficou indiferente.

Para o antigo diretor do atual Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia, Álvaro Vasconcelos, a ideia de repetir um “Maio de 68 é uma proposta interessante”. A explicação decorre da “necessidade de discutir os problemas das sociedades e encontrar propostas alternativas”. “As democracias estão em crise”, alerta o antigo diretor e completa que “uma revolução cultural é indispensável”.

Preocupados com o futuro da Europa, os palestrantes compararam a atual emergência de populismos, um pouco por todo o mundo, com o contexto pré-Maio de 68 da época. Contudo, em relação ao balanço histórico, os pontos de vista não resultaram num consenso. “Maio de 68 é contraditório, trouxe tanto de bom, como de preocupante”, explica José Rebelo, professor do Instituto Superior Ciências Trabalho e da Empresa (ISCTE). Os movimentos emergentes que contestaram os padrões da época carecem de soluções exequíveis. Esta é a razão da crítica apresentada, pelo professor do ISCTE, às repercussões resultantes.

Álvaro Vasconcelos reconhece os perigos associados às vertentes progressistas – “é evidente que em todos os movimentos aparecem pessoas que são radicais”. Isto vem associado à consideração de que a opinião contrária não deve ser expressa. Em conclusão, afirma que a solução “passa por encontrar uma forma de conviver nesta enorme diversidade”.

 

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