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Ensino Superior

Em tempo de eleições, o voto é a palavra

Gabriela Moore

Cabeças de lista dos projetos “Agitar a Academia”, “Contigo Somos Académica”, “Mudança” e “Atitude Preto no Branco” comentam abstenção nas eleições estudantis em Coimbra. Bandeiras de conhecimento e aproximação aos estudantes unem diferentes candidatos. Por Maria Francisca Romão

Ao entrar nas faculdades da Universidade de Coimbra para as primeiras aulas das manhãs de segunda e terça-feira, os estudantes vão ser recebidos pela visita anual das urnas de voto para as eleições da academia coimbrã. A Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e a Mesa da Assembleia Magna da AAC (MAM/AAC) são os órgãos da casa que vão receber novos dirigentes. Mas há quem vire a cara às urnas e às eleições: a abstenção.

Miguel Mestre, candidato do projeto “Agitar a Academia”, Daniel Azenha, cabeça de lista do movimento “Contigo Somos Académica”, Pedro Chaves, rosto do manifesto “Mudança”, e Mariana Rodrigues, representante da alternativa “Atitude Preto no Branco”, apresentam a abstenção como “uma preocupação a resolver” e como uma doença das democracias. Mas refletem que o diagnóstico não se restringe às eleições académicas de Coimbra.

Nas palavras dos candidatos

“Há uma fraca cultura democrática no ensino secundário”, introduz Miguel Mestre e acrescenta que a abstenção “é uma bola de neve que se arrasta para o Ensino Superior, mas que não acaba neste”. Pondera assim que os estudantes que, hoje, não votam na academia sejam os cidadãos que, amanhã, se abstêm de eleger os governantes nacionais.

Daniel Azenha denuncia o facto de “a AAC nem sempre conseguir chegar aos estudantes”. Admite que, ao olhar para os corpos gerentes da casa como estruturas que se preocupam com as suas necessidades, os estudantes vão querer ter algo a dizer. E, em tempo de eleições, o voto é a palavra.

“Apatia” como soma de duas parcelas: “desinteresse” e “descrença” – é o raciocínio matemático de Pedro Chaves, na tentativa de apurar as causas da abstenção. Atribui a falta de convicção na política académica a uma classe de dirigentes que não tem representado os alunos da melhor forma. “É aos eleitos para os órgãos da AAC que cabe promover a sua credibilidade”, sugere o candidato.

Para Mariana Rodrigues, a abstenção nas eleições académicas resulta não de uma forma de protesto dos estudantes por não se identificarem com nenhum candidato, mas de um desconhecimento. Assim, alerta para uma academia que não tem conseguido aproximar-se de todos os estudantes de forma transversal.

Infografia: Maria Francisca Romão

Assembleia (cada vez menos) Magna

Longe vão os tempos em que escasseava o espaço para a enorme quantidade de estudantes que afluía às Assembleias Magnas (AM). Miguel Mestre traça um retrato das últimas AM, nas quais “tem sido muito difícil alcançar um quórum que permita tomar decisões políticas”. Daniel Azenha olha para estas reuniões como o palco adequado para dar a conhecer as lutas da AAC aos academistas.

Por seu lado, Pedro Chaves defende que os núcleos sejam a ponte entre os estudantes e a academia, no que ao “funcionamento da casa” diz respeito. Deixa a proposta de que a receção aos novos alunos seja encarada como uma oportunidade para explicar, por exemplo, o que é uma AM. Mariana Rodrigues frisa a necessidade de “entrar na esfera pessoal dos estudantes, de forma a perceber os seus anseios”. Com a promoção deste contacto mais direto, “a ida às AM e às urnas torna-se mais fácil”, remata a candidata.

Um problema: quatro caminhos de solução

O projeto “Agitar a Academia” defende que as campanhas se adensem com discussão política e debate entre listas alternativas. Neste sentido, Miguel Mestre sugere que as condições privilegiadas da cidade sejam aproveitadas. “A comunidade estudantil de Coimbra vive num polo urbano que não é muito grande, o que facilita a proximidade com a AAC”, exemplifica.

A iniciativa “Contigo Somos Académica” argumenta que divulgar as bandeiras de cada lista é uma forma de chamar os alunos às urnas. “É essencial centrar a discussão política no quotidiano dos estudantes”, reitera Daniel Azenha.

O manifesto “Mudança” confere uma responsabilidade acrescida aos órgãos de comunicação, principal fonte de informação da comunidade académica. Pedro Chaves reveste o discurso de um tom otimista, ao frisar a crença numa troca de paradigma: “a abstenção começa a dar lugar aos grandes movimentos sociais”, explica.

A lista “Atitude Preto no Branco” sugere “mecanismos de captação que devolvam os estudantes à academia”. Mas reconhece que conciliar o curso e a vida associativa ativa é um equilíbrio difícil. Mariana Rodrigues avança assim a ideia de criar uma plataforma de participação certificada. “O objetivo é que os estudantes possam tirar proveito curricular da sua atividade na AAC”, conclui a candidata.

Ao ponderarem estratégias para diminuir a elevada abstenção, as listas candidatas apontam quatro caminhos distintos. O objetivo comum é que, nos próximos dias 26 e 27 de novembro, todos os trilhos conduzam os eleitores até às urnas de voto.

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