Cultura

De São Paulo para Coimbra “A Casa de Bernarda Alba”

Mariana Silva | Foto gentilmente cedida pelo Teatro Académico de Gil Vicente

Após cinco anos, João Garcia Miguel retorna ao TAGV. Espetáculo vai ser encenado em apresentação única. Por Nino Cirenza e Mariana Nogueira.

Vai ser representada, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), no próximo dia 22 de novembro, pelas 21h30, a peça “A Casa de Bernarda Alba”, do dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca. O espetáculo foi apresentado em São Paulo e vai percorrer todo o país, além de apresentações no estrangeiro, como em Budapeste e no Rio de Janeiro.

João Garcia Miguel, encenador do espetáculo, explica que esta peça se trata de um texto clássico e que tinha “um contexto muito particular quando foi feito”. Acrescenta ainda que, “a peça é do final da vida do Lorca, antes de ele ser fuzilado pelas forças do Franco”. O encenador resume a peça como “um jogo da vida e das coisas do mundo, que ao mesmo tempo é maravilhoso, mas que implica sempre sofrimento”.

O enredo aborda a morte de um pai de família, que deixa cinco filhas e uma esposa. Após a morte desta figura paternal, as personagens fecham-se em casa e essa situação torna-se atrativa para os homens da região, para a infelicidade de Bernarda Alba. A peça é, neste sentido, levada a um “desfecho inesperado, que tem tanto de maravilhoso, quanto de trágico”, explica João Garcia Miguel.

Para além disto, o encenador destaca a simultaneidade de várias línguas faladas no espetáculo, que se trata de “um elemento teatral” e que vai obrigar aos espectadores “a estarem mais atentos para não perderem as ligações e os sentidos”. A peça conta com um elenco multicultural, que reúne atores portugueses, irlandeses e brasileiros.

Não é a primeira vez que o realizador do espetáculo se apresenta em Coimbra. Na sua última passagem pela cidade, em 2013, esteve presente no TAGV com o texto “As Barcas” de Gil Vicente, que recorda como uma “memória muito grata e profunda”. Nesta nova encenação, João Garcia Miguel espera que “os deuses do teatro estejam de novo presentes”, e que lhes dê “a graça de ter muitos espectadores”.

Quanto ao parecer do público, João Garcia Miguel garante que “vai haver gente a gostar, a ficar perplexa e a interrogar-se”. O encenador salienta que isso “é um sinal de que o teatro vive, inquieta, comove, faz as pessoas pensar sobre elas e o mundo que as rodeia”. Por fim, o diretor teatral deseja que “seja um belo dia de teatro”.

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