All for Joomla All for Webmasters
Cidade

Comemorações do Armistício relembram o passado e olham para o presente

Gabriel Rezende

Lançamento de fotografias inéditas revelam o dia-a-dia dos militares portugueses na Primeira Grande Guerra. Oradores ressalvam a importância de não esquecer o passado para não o repetir. Por Beatriz Furtado e Gabriel Rezende

A Sede do Núcleo de Coimbra da Liga dos Combatentes (NCLC) abrigou nesta tarde o início das comemorações do Centenário do Armistício. O evento contou com uma exposição sobre a Primeira Grande Guerra e palestras sobre o papel de Portugal no conflito. O ápice foi o lançamento do livro “A Malta do 23 na Grande Guerra”, com fotografias de Abraão Coelho e compilado por Jorge Carvalho.

Para o autor do livro, major Jorge Costa Carvalho, “lembrar a história é mostrar que se tem caráter”. O major afirma que escolheu o título com base num livro de André Brun, “A Malta das Trincheiras”. O autor frisa que o Batalhão da Infantaria Nº 23 “foi um dos que na altura, depois da Batalha de La Lys, participou nos últimos combates na zona da Bélgica que levaram à rendição do exército alemão”.

Segundo Jorge Carvalho, as fotografias têm grande valor histórico. “É importante que estas fotografias sejam divulgadas porque ainda merecem muito estudo”, afirma o autor do livro. As fotografias foram passadas dos negativos de vidro para formato digital por Alexandre Ramires, professor na Escola Secundária Infanta D. Maria. O professor, que estuda a fotografia no contexto histórico, afirma que este tipo de trabalho “possibilita lançar novos olhares sobre a história”.

Alguns dos oradores afirmaram que as imagens não são fotografias de guerra convencionais e pertencem ao espólio do NCLC. Abraão da Cruz Coelho, 2º sargento do Batalhão da Infantaria Nº 23 e um dos sócios fundadores da Liga após a Primeira Grande Guerra, preferiu registar momentos intimistas e de confraternização. Dentre as fotografias, encontra-se uma que mostra trincheiras e um lamaçal, das poucas que retratam cenário de guerra.

A exposição compreende os postais enviados por Abraão Coelho, todos os dias, à sua esposa durante o período da Primeira Grande Guerra. A coleção foi cedida à Liga por Isabel Rebelo, professora e “colecionadora nata”. A mesma encantou-se com a coleção e decidiu comprá-la. A colecionadora relata que o sargento “era amante de fotografia e comprava coleções de postais para enviar à esposa para lhe responder”.

O tenente-coronel e presidente do NCLC, João Paulino, afirma que as comemorações pretendem “homenagear todos os que participaram na Primeira Grande Guerra”. O presidente releva a importância da iniciativa para Coimbra. “A cidade teve dois batalhões, uma artilharia e uma força médica e foi uma das que mais enviou combatentes para a guerra”, continua João Paulino.

O evento abrangeu ainda comunicações do coronel Pedro Esgalhado e de João Paulo Avelãs Nunes, professor de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Os oradores discorreram sobre o contexto da decisão portuguesa de entrar na Primeira Grande Guerra, o conflito e o imediato pós-guerra. “Quando ignoramos a história, tendemos a repeti-la”, ressalvou o coronel.

Fotografias por Beatriz Furtado e Gabriel Rezende

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra

Rua Padre António Vieira, Nº1 - 2ºPiso 3000 Coimbra

239 851 062

Seg a Sex: 14h00 - 18h00

© 2018 Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

To Top