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Ensino Superior

Colóquio do CES imagina futuro com saberes, experiências e alternativas

Julia Peccini

Aniversário do CES inspira homenagens e recebe apoio de organizações internacionais. Aplausos e entusiasmos marcam o evento do palestrante Boaventura de Sousa Santos, que focou questões democráticas, sociais e filosóficas. Por Júlia Lopes e Julia Peccini

O Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra acolheu ontem, dia 9 de novembro, uma conferência proferida por Boaventura de Sousa Santos, intitulada “The New Transformation and the Epistemologies of the South”. Seguiu-se o lançamento da sua obra mais recente, “O Fim do Império Cognitivo”.

A intervenção do palestrante integrou-se no colóquio “A imaginação do futuro. Saberes, experiências, alternativas”, em comemoração dos 40 anos do Centro de Estudos Sociais (CES).

Membro número três da Associação Portuguesa de Sociologia, formado em Direito na Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos é professor na Universidade de Wisconsin, Madison. As suas pesquisas de campo e estudos nas mais diversas áreas das humanidades levaram ao reconhecimento internacional. Além disso, tem influenciado muitos trabalhos de investigadores e estudantes ao redor do globo.

“A obra do professor inspira não só as nossas escritas e os nossos estudos, mas também as nossas práticas”, diz Gilsilene Passon, participante do Grupo de Estudos Boaventura de Sousa Santos, em Vitória, no estado do Espírito Santo no Brasil.

Foram muitos os que acorreram ao Auditório da Reitoria para apreciar a conferência, que teve como principais temas a democracia, a epistemologia do sul e o combate à colonização. Em relação ao momento atual do Brasil, Boaventura de Sousa Santos entende a decadência da democracia como uma crise narrativa e natural numa realidade capitalista e autoritária. Ou seja, na opinião do homenageado, “o capitalismo deveria ter medo não dos seus inimigos, mas de si mesmo”.

No pensamento do conferencista, “o medo sem a esperança leva à desistência”. Dessa forma, a palestra teve como principal foco a análise do passado e a questão da importância da pluralidade de opiniões como formas de progresso e criação de novos caminhos. “É preciso uma mudança da escala do olhar” reflete Boaventura de Sousa Santos.

“O Fim do Império Cognitivo” promete desafiar o domínio do pensamento eurocêntrico ao desenvolver as epistemologias do sul. Num âmbito de visualizar as resistências ignoradas pelas culturas dominantes, a obra tem como público alvo estudantes e investigadores, dividida em três partes: epistemológica, metodológica e pedagógica.

Um pouco da história do CES

Fundado em 1978 por Boaventura de Sousa Santos, o Centro de Estudos Sociais é uma instituição de abordagem interdisciplinar nos aspectos sociais e nas humanidades, ao serviço da democracia e da cidadania.

Em 2002 foi aberta a contratação de investigadores e, ao longo do tempo, houve a construção de projetos e revistas críticas que chamaram a atenção do Estado e organizações interessadas em investir e, assim, contribuir para o crescimento e reconhecimento do CES.

“Procuramos sempre fazer de fraquezas as forças”, afirma o fundador. Na atualidade, a instituição tem bastante peso na Europa, que promove a entrada de estudantes com diversos programas de doutoramento.

Como Portugal foi um dos últimos países colonialistas, um dos objetivos do CES tem sido a construção de pontes entre a Europa, a América Latina e África.

O evento decorre até dia 10 de novembro, na Faculdade de Economia e no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

Fotografias: Julia Peccini

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