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Cultura

Coimbra pintada em tons de ‘blues’

Hugo Guímaro

Regresso do festival a casa marcado pela forte adesão do público. Produtor do evento destaca o balanço positivo e levanta o véu para próxima edição. Por Jéssica Gonçalves e Hugo Guímaro

Passados 15 anos, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) voltou a ser palco de um festival internacional de ‘blues’. Durante dois dias, realizaram-se quatro concertos com artistas provenientes dos vários cantos do mundo. Adalberto Ribeiro, um dos produtores do mesmo, considera isto um regresso a casa. Na visão do produtor, o objetivo do espetáculo passava por dois pontos principais. O primeiro era “demonstrar os vários subgéneros de ‘blues’” e, ainda, dar a conhecer às pessoas o “’blues’ de alta qualidade que se faz em Portugal”.

Pelas 22 horas de quinta-feira, 15 de novembro, abriam-se as portas do auditório do TAGV para deixar entrar o público para o primeiro concerto da noite. Antes de se ouvir algum tipo de melodia, já se sentia o entusiasmo no ar. Estreante neste festival, Tales Pinto, historiador de profissão, revela que chega “sem expectativas e com a esperança de ser surpreendido”.

Com a sala quase cheia e um público ansioso, as luzes baixam e o foco detém-se no centro do palco. Sem que se desse conta, a dupla anglo-espanhola, Julian Burdock e Danny del Toro entram em ação. De guitarra na mão, o cantor britânico inicia o concerto com os primeiros acordes da noite. Segundos depois, o seu colega de chapéu vermelho e óculos de sol acompanha-o com o sopro da sua harmónica. Durante o concerto a ligação que os artistas estabeleceram com o público foi evidente. As constantes trocas de pequenas palavras em inglês e português ouviram-se ao longo de toda a noite, assim como algumas piadas com o facto do espanhol Danny Del Toro estar de óculos de sol e não conseguir ver o entusiasmo do público. Prestes a terminar a atuação, o britânico Julian Burdock retirou o fio que ligava a sua guitarra ao amplificador e sentou-se no limiar do palco próximo do público. Isto incentivou o público a cantar em uníssono o último tema.

Julian Burdock & Danny del Toro cantam junto ao público. Fotografia: Hugo Guímaro

No intervalo do evento, Maria Machado, engenheira civil, confessa ter gostado da forma desconcertante e desassossegada com que os artistas comunicaram com o público. A dupla promoveu a venda do seu ‘merchandising’ enquanto tiravam algumas fotografias e distribuíam autógrafos. Danny del Toro confessou que o “público em Portugal é sempre incrível” e que para ele a relação com o ‘blues’ se traduz em “vida, emoção e o melhor que pode haver”.

Com o fim do intervalo, as portas abrem-se outra vez e o público regressa ao auditório para ouvir o último concerto do primeiro dia. Anabela Balazeiro, médica, espera que o espetáculo seja “alternativo e diferente”, uma vez que se revela fã de ‘jazz’ que se funde com o ‘blues’ nesta parte do espetáculo. A parceria entre a banda de ‘blues’, Budda Power, e a cantora de ‘jazz’ Maria João, tem como nome “The Blues Experience”. A banda iniciou de forma ligeira, mas a cada música que entoava notou-se o aumento da energia que transmitiam ao público. A cantora de ‘jazz’ revelou a sua voz estrondosa enquanto interpretava as músicas de forma teatral.

Interpretação da cantora Maria João durante o concerto. Fotografia: Hugo Guímaro

“Coimbra tem um grande significado, pois foi aqui que começámos a tocar” 

A surpresa da noite foi o regresso do artista Danny Del Toro para tocar com os Budda Power e Maria João. Em conjunto interpretaram um tema ao som característico da harmónica. As mensagens transmitidas através de algumas das letras das músicas eram inspiradas nas mentes das mulheres e na luta pelos sonhos. O grupo sente-se abençoado por “ter esta vida de tocar”, mas confessa ser difícil lutar contra a própria aventura. O concerto termina com o público a entoar “yeah, yeah!” em conjunto com a banda. Inês Oliveira, licenciada em Arquitetura, expressa o gosto pelos improvisos elétricos do grupo ao longo do concerto e que este lhe transmitiu “grande nostalgia”.

Coimbra em ‘blues’ – Parte II

No segundo dia do Coimbra em Blues – Festival Internacional de Blues em Coimbra, o público que se encontrava no auditório já era de uma faixa etária mais alargada. O australiano Gwyn Ashton abriu a noite com toda a energia. Sozinho em palco, conseguiu conciliar a guitarra, a voz e o bombo, e detinha o controlo total sobre a sua ‘performance’. O artista motivou de tal maneira o público que o fez levantar dos seus assentos e, em pé, cantaram e dançaram ao som do ‘rock n’roll’. A energia que se fazia sentir no ar era tão intensa que o músico lamentou “haverem tantas músicas e tão pouco tempo para tocar”. Em fim de atuação, o cantor passou para um estilo mais acústico, onde se sentou e tocou com a guitarra deitada nas suas pernas apenas com toques delicados nas cordas.

Gwyn Ashton a usar o ‘slide’ na guitarra. Fotografia: Hugo Guímaro

Na pausa entre concertos, deu-se mais uma vez a oportunidade ao público para comprarem camisolas e discos do artista. Este contou que foi uma boa noite e é ótimo estar de volta a Portugal. Confessou ainda que a sua relação com a música se traduz na sua vida e trabalho.

“A música é a minha vida” 

Alguns elementos da plateia, como Gonçalo Ferreira, estudante de Bioquímica e João Machado, estudante de Biologia, gostaram do concerto apesar de não conhecerem o artista. “Não é fácil coordenar a voz, a guitarra e a batida”, reconhece o aluno de Bioquímica. Ambos consideraram que o espetáculo transmitiu energia num ‘blues’ virado para o ‘rock’.

Para fechar o festival, a cantora americana Shanna Waterstown subiu a palco acompanhada pela sua banda. Ao longo do concerto, a conexão e química entre o grupo foi evidente devido às indicações subtis trocadas entre os elementos do grupo. Do início ao fim, foi transmitida muita energia de tal forma que fez o público levantar-se das cadeiras e dançar em conjunto com a banda. Se a ligação entre o grupo foi sentida, a relação que este estabeleceu com o público foi de igual forma visível. A artista confessou em conversa com a plateia que grandes nomes, como Aretha Franklin, a influenciaram para dedicar a sua vida ao ‘blues’. Com o fim do concerto, Daniela Paulo, empregada de mesa, defendeu que “isto é ‘blues’ de quem o faz e vive dele”. Acompanhada pelo namorado na ida ao concerto, a mesma refere que foi uma prenda de aniversário que lhe ofereceu e foi “bem-sucedida”.

Shanna Waterstown durante a sua ‘performance’. Fotografia: Hugo Guímaro

Termina assim o Coimbra em Blues – Festival Internacional de Blues em Coimbra após duas noites de espetáculo no TAGV. Adalberto Ribeiro faz um balanço “muito positivo” desta edição do evento sem nenhum aspeto negativo apontar. “Os concertos foram de alta qualidade e o público adorou”, acrescenta o produtor, mas reconhece que “este não é um género de ‘mainstream’, é um nicho de mercado e tem um público exigente e conhecedor”. O produtor agradece ainda a colaboração com o TAGV e à própria cidade. Confidencia que já há ideias para a próxima edição, mas que muito em breve vão ser reveladas as datas e o nome da primeira banda.

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