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Ensino Superior

Vitória de Bolsonaro aos olhos da comunidade estudantil brasileira em Coimbra

André Crujo

Opiniões dos estudantes dividem-se. Cansaço em relação ao PT e excesso de violência no país são apontados como fatores determinantes. Por Vasco Borges e Patrícia Silva

A comunidade brasileira em Coimbra não ficou indiferente à eleição de Jair Bolsonaro para presidente da República do Brasil. No dia a seguir à eleição, as opiniões dividem-se em relação ao futuro do Brasil. A eleição de Jair Bolsonaro não surpreendeu a maioria dos eleitores a residir em Coimbra.

Gustavo Moura, doutorando em Gestão na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, mostrou-se satisfeito com a vitória de Bolsonaro. Considera que “estava na altura de uma mudança drástica, depois de 16 anos com o PT no poder”. Ainda assim, ressalva que a vitória do candidato do Partido Social Liberal (PSL) não se deve apenas ao facto da população estar “farta” do Partido dos Trabalhadores. Defende que “as pessoas não só estão fartas do PT, mas estão fartas do medo, que está a fazer com com as pessoas fujam do Brasil”.

Em relação ao futuro do país, Gustavo fala numa relação entre “esperança e cobrança”. Esperança porque “as pessoas que tomam decisões importantes no Brasil confiam nele e, se eles quiserem investir, o mercado vai evoluir de forma positiva”. Cobrança porque “ele comprometeu-se a equilibrar as contas públicas, que se pressupõe estarem desequilibradas pela corrupção e incompetência de funcionários do PT”.

Quanto a toda a polémica em que Bolsonaro se tem envolvido, o estudante desvaloriza as acusações feitas ao novo presidente brasileiro. “É complicado discutir política no Brasil, as pessoas estão muito assustadas com o barulho que se faz, com o que leem na ‘internet’, mas nem tudo é verdade”. À semelhança do que tem acontecido nos Estados Unidos da América, Gustavo acredita que o senado vai ter um papel decisivo na governação do país, ao limitar o poder do presidente. “A democracia não deixa uma pessoa ter um poder tão grande”, reitera.

Pelo contrário, Jéssica Moris, doutoranda em Direitos Humanos na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC), revela-se preocupada com a vitória de Bolsonaro. “Eu vejo isso como uma grande ameaça à democracia brasileira”, confessa. Jéssica alerta para “o aumento do discurso de ódio e da violência contra diferentes grupos minoritários”.

Em relação aos fatores que levaram à vitória de Bolsonaro, a estudante da FDUC explica que “as pessoas estavam frustradas com questões políticas que se colocam no Brasil nos últimos tempos”. No entanto, alerta para o facto de “os media e as redes sociais serem utilizados para manipular a opinião pública”.

No que diz respeito ao futuro do país, Jéssica considera que a imagem do Brasil ficou manchada a nível internacional. A doutoranda em Direitos Humanos salienta a formação de uma aliança entre o poder executivo e o poder militar que, a seu ver, é perigosa. “O futuro próximo é um processo de uma decadência da democracia, ainda ontem os militares saíram às ruas para comemorar em tanques de guerra”, finaliza.

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