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Cultura

“Último Caderno de Lanzarote” de Saramago apresentado em Coimbra

Hugo Guímaro

Nova publicação de José Saramago foi lançada hoje no Convento São Francisco. Livro consiste num diário do escritor durante o ano da premiação pela Academia Sueca. Por Vittorio Alves

Foi ao buscar textos para integrar uma publicação de conferências reunidas que a presidente da Fundação Saramago e viúva de José Saramago, Pilar del Río, encontrou o caderno esquecido. Antes da publicação de “A Caverna”, Saramago já havia declarado que viria a público o desfecho dos seus diários ilhéus. Foi divulgado na imprensa portuguesa e espanhola. “Parece que o facto de ter sido anunciado que haverá um livro significa que o livro já está fora”, ponderou Pilar. Acontece que Saramago se esqueceu e, por conseguinte, todos se esqueceram. Os 20 anos do Nobel, contudo, levantaram o “Último Caderno de Lanzarote” da invisibilidade. O Convento São Francisco foi o espaço escolhido para o receber.

A obra “Último Caderno de Lanzarote”’ é o diário do autor durante o ano de celebração da produção literária lusófona, que havia até então passado despercebida pela Academia Sueca. Pilar del Río revela que, naquele ano “absolutamente alterado”, Saramago recebeu diversas cartas que não o parabenizavam, mas agradeciam. Como na Colômbia de García Marquez, as pessoas passaram a sentir-se “mais altas”. “As pessoas viam o prémio como conquista sua”, expõe Pilar.

Na fotografia que serve como capa do livro, o escritor caminha por uma paisagem árida de costas para quem o vê. Tem braços rijos ao longo do corpo e cabelos grisalhos. “José Saramago considerou que a responsabilidade e a visibilidade que lhe dava o Nobel teria de ser aproveitada”, coloca Pilar del Río. A presidente da Fundação Saramago narra que este autor visitou lugares negligenciados e marginalizados e atraiu atenção a assuntos humanos pungentes da contemporaneidade. “Visitou escolas, visitou estados do Brasil, visitou culturas distintas das eurocêntricas”, destaca. Fê-lo, segundo a jornalista, porque “era a sua obrigação cívica”.

Esta conquista conjunta deu nome ao volume escrito por Ricardo Viel. O jornalista brasileiro acompanhou Saramago durante o ano do Nobel. “Jornalista que é, propôs-se a investigar, indagar, ver o que os jornais diziam e o que Saramago apontava”, colocou Pilar. O seu trabalho, “Um País Levantado Em Alegria”, foi lançado em conjunto com o sexto caderno.

Pilar teceu alguns comentários sobre a maneira pouco ortodoxa de celebrar o marco. “Porquê esperar 25 anos ou 50? Porque há uma tradição que nos disse?”. O argumento da tradição vai abaixo pela subversão e o questionamento de Pilar. “Estamos a falar de José Saramago, que punha a vírgula e o ponto onde achava conveniente”.

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