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Ensino Superior

“O Ensino Superior tem que mudar se quiser ter um lugar no mundo” – Parte I

Miguel Mesquita Montes

Conferencistas discutiram passado, presente e futuro do mundo académico. Muros e fronteiras entre universidades e politécnicos “não fazem sentido”. Por Maria Francisca Romão

Qual diagnóstico médico, a conferência “Ensino Superior: Governo e Organização” viveu da ideia de que “os estudantes são o sangue que corre nas veias do conhecimento”. A metáfora ficou a cargo de Luke Georghiou, professor da Universidade de Manchester, mas foram muitas as intervenções que apontaram neste sentido. O encontro decorreu esta sexta-feira, dia 12, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Luke Georghiou centrou o seu discurso na investigação universitária enquanto “ser vivo essencial no ecossistema académico”. Defende que desta floresta do conhecimento fazem parte as instituições de Ensino Superior e as empresas. A boa articulação entre ambas é um objetivo a perseguir, adianta. As universidades ganham o acesso a equipamentos de ponta e as indústrias recebem, em contrapartida, novas ideias dos investigadores do futuro, argumenta o professor da Universidade de Manchester.

Um diploma aberto ao mundo

Luke Georghiou deu ainda destaque à crescente oferta de doutoramentos. “As universidades europeias descobriram na última década que um doutoramento serve para mais do que permanecer no mundo académico”, denunciou.

Dados de Luke Georghiou. Infografia: Maria Francisca Romão

Rosário Gambôa, professora no Instituto Politécnico do Porto, louvou o facto de estas instituições poderem agora formar doutorados. Ao colocar universidades e politécnicos frente-a-frente, conclui que “as missões destas duas instituições de ensino superior têm diferenças muito ténues”. Acrescenta ainda que não podem existir muros e fronteiras entre ambas.

“Nem ao Google se pode perguntar qual o futuro do Ensino Superior”

Manuel Mira Godinho, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, considera que a missão do Ensino Superior se divide entre passado, presente e futuro. Reitera a tese de que “a ideia de universidade é algo ainda muito vivo” e justifica-a com números: existem mais de 25 mil instituições de Ensino Superior espalhadas por todo o mundo.

Questionado sobre o futuro das academias, Manuel Mira Godinho brincou que “nem ao Google se pode colocar essa pergunta”. Mas a resposta do professor do Instituto Superior de Economia e Gestão não tardou. Frisou que os avanços tecnológicos, o crescimento exponencial da ciência e até da inteligência artificial são uma evidência. Assim, considera oportuno repensar o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.

A abertura da conferência ficou a cargo do reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva. No discurso introdutório, salientou que “as instituições de Ensino Superior têm que mudar se querem ter um lugar no mundo”. No que toca à academia coimbrã, João Gabriel Silva referiu que a universidade ainda não chegou ao patamar que para ela deseja.

O encontro foi ainda marcado pela intervenção de outros conferencistas. A segunda parte do artigo dá conta do que de mais relevante foi dito na tarde deste evento.

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