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Ensino Superior

Mondeguinas não atuam na Festa das Latas como forma de protesto

Micaela Santos

Grupo académico acusa organização de as considerar “insignificantes” e de favoritismo. Alexandre Amado considera medida “exagerada”. Por Luís Almeida

O palco da Festa das Latas e Imposição de Insígnias não abriu com os acordes que era suposto. Chegadas ao palco, as Mondeguinas – Tuna Feminina da Universidade de Coimbra (UC) explicaram que não iriam atuar como forma de protesto contra as condições e “faltas de respeito” por parte da organização. Em palco, colocaram a questão: “atuar em casa é um favor que nos fazem”? Já na última edição da Queima das Fitas esta tuna se manifestou contra as condições e a redução do tempo de atuação dos grupos académicos.

A decisão, de acordo com Ana Luísa, membro da direção da tuna, surgiu esta tarde em reunião. “Recebemos a informação de que a nossa atuação ia ser adiantada para as 22h15 e reunimos para tomar esta medida”, esclarece. Acrescentou ainda que a hora da sua subida ao palco foi alterada duas vezes.

Quanto a isto, o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Alexandre Amado, afirma compreender o desconforto da hora a que a atuação iria decorrer. O dirigente associativo explica que o adiantamento das atuações se prende com o facto de a Câmara Municipal de Coimbra impor um limite ao volume do som a partir das 3 horas da manhã. Ou seja, os artistas convidados têm de atuar até essa hora.

Alexandre Amado considera ainda que tem de haver coerência no protesto. “As Mondeguinas tiveram acesso a alimentação e a entrada gratuita no recinto. Contudo, recusaram-se a atuar”, critica. O presidente da DG/AAC considera isto “uma medida exagerada”, pois “a alteração de horário não é justificação e “as condições são acordadas previamente com os grupos académicos e eles aceitam ou não”. No entanto, sublinha que “existe sempre espaço para melhorar e têm todo o direito a manifestar a sua opinião”.

Segundo Ana Luísa, a mensagem que tencionam passar é que “a Festa das Latas deve ser de estudantes para estudantes” e “deve dar a conhecer a vida em Coimbra e não ser um festival de outono”. Rita Lopes, também membro da direção da tuna, revela que o objetivo é ter algum resultado, mas lamenta que não seja imediato.

Esperam que outros grupos sigam os seus passos, de forma a que, juntos, possam causar mais impacto. Ana Luísa afirma não ter esperança que isto cause alguma mudança porque considera que, perante a Comissão Organizadora, são insignificantes. Acusam ainda a organização de ter o lucro como prioridade e a redução de despesas à custa dos estudantes como objetivo.

“Não se pode falar em academismo ou falta dele. Diz-se que só se pensa no lucro, mas a festa tem de ser paga”, reitera Alexandre Amado. “Se a festa não der lucro, quem sofre é a AAC e, por consequência, os estudantes”, realça. O presidente da DG/AAC relembra que, quando existia um dia para os grupos académicos na Festa das Latas e Imposição de Insígnias, “nem que todos os gerais vendidos entrassem, não cobria os gastos desse dia”, revela. Acrescenta que “uma festa sem artistas convidados implica repensar por completo a Festa das Latas”. Contudo, garante que se a organização se esforça para dar condições aos grupos académicos é porque quer que atuem nas festas. Admite ainda não ter receio que outros grupos tomem a mesma decisão.

Rita Lopes sublinha que, ainda que não façam isto com agrado, não podiam atuar “como se nada fosse”. Ainda em relação aos horários de atuação, afirma que “não faz sentido alguns grupos terem horários fixos e outros sujeitarem-se a rotatividade”. Explica que existe um regulamento onde estão discriminados os grupos que têm um horário fixo e que há “favoritismo” pois quem costuma fechar o palco são as tunas masculinas. Em relação a este assunto, o dirigente associativo confirma que “os horários estão regulamentados há cerca de três ou quatro anos, mas a DG/AAC está aberta a discutir isso”.

Por fim, ambos os membros da direção das Mondeguinas realçam que isto é uma medida drástica e que não fazem de ânimo leve, pois afirmam gostar de atuar nas festas académicas. “Se fizemos isto, é porque algo não está bem”, conclui Rita Lopes. Como parte do seu protesto, as Mondeguinas atuaram à entrada do Parque da Canção. Também a Desconcertuna – Tuna Mista da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC, que atuou após o protesto das Mondeguinas, fez um minuto de silêncio pela “falta de consideração pelos tunos” e no seguimento do que a tuna anterior fez.

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