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Cidade

Coimbra sensibiliza para o combate ao Tráfico de Seres Humanos

Jéssica Gonçalves

Desconhecimento de como agir perante situações de presumível tráfico humano foi uma conclusão da iniciativa. Campanha decorreu em sete municípios da região centro. Por Raquel Bem

“Diz Não ao Tráfico de Seres Humanos” é o nome da campanha que se realizou a 18 de outubro, data em que se assinala o Dia Europeu do Combate ao Tráfico de Seres Humanos. A ação decorreu na Praça D. Dinis, junto às Escadas Monumentais, entre as 11 e as 13 horas.

Na iniciativa, “fizeram-se várias simulações com dez temas alusivos a diversas situações e crimes relacionados com a temática”, afirma a docente e representante da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) na Rede Regional do Centro de Apoio às Vítimas de Tráfico de Seres Humanos (RRC APV TSH), Maria do Rosário Pinheiro.

O objetivo da atividade passou pela sensibilização das pessoas acerca de um crime ao qual podem estar sujeitas. “No dia a dia, a população deve estar atenta aos sinais de tráfico, apoiar a denúncia e a sinalização das vítimas”, acrescenta a docente da FPCEUC. Jorge Ferreira, técnico superior de serviço social da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), considera que o intuito também passa por perceber “a reação das pessoas perante uma situação concreta, ainda que simulada, de tráfico de seres humanos”.

Membros da organização do evento “Diz Não ao Tráfico de Seres Humanos”

A ação consistiu numa abordagem repartida por dois momentos distintos. Como explica Maria do Rosário Pinheiro, “as pessoas são abordadas num primeiro momento” com uma situação criada pelos atores de rua. De seguida, “são interpeladas com a informação de que está a decorrer a campanha seguido de um pedido de opiniões acerca da temática”. A professora da FPCEUC considera que é “uma abordagem participativa e transformadora”.

Na opinião de Cátia Antunes, participante na atividade como atriz de rua e mestre em Ciências da Educação na FPCEUC, a abordagem foi pensada para fazer as pessoas parar. “Eu preciso de vender o meu filho porque não tenho dinheiro” foi uma das frases com que esta abordou os participantes no decorrer da atividade.

Ao ter os estudantes universitários como público-alvo, Jorge Ferreira esperava uma maior consciência e um maior conhecimento em relação a estas temáticas. O técnico superior de serviço social da CMC sublinha que a campanha levou a que as pessoas “ponderassem a compra ilegal de um rim”. Jéssica Portovedo, aluna do segundo ano da licenciatura em Turismo, Território e Patrimónios na Faculdade de Letras da UC, não desconfiou da veracidade da abordagem feita pelos dois atores de rua. Apesar de não ter ficado interessada na proposta de ser barriga de aluguer, confessou que iria comentar a oferta com algumas colegas.

“Há pessoas que ainda entram nesse discurso”, refere Miguel Gomes, ator de rua e aluno do mestrado em Ensino em Biologia e Geologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. Já Cátia Antunes refere a forma “fácil como as pessoas conseguem ser manipuladas através do discurso”.

A atriz Cátia Antunes conta que uma das problemáticas mais notadas pelos intervenientes está relacionada com o facto de “a maioria das pessoas abordadas não saberem o que fazer – se fariam queixa, se iriam para casa”. Jorge Ferreira confirma o desconhecimento sentido em relação a como agir em situações como estas. Por esse motivo, quando conscientes de que se tratava de uma ação de sensibilização, as pessoas tentavam “obter mais informação”. O público procurou saber “como reagir e detetar pequenos sinais em situações do dia a dia”.

Esta ação, que decorreu em sete municípios em simultâneo, nasceu de um desafio lançado pela Comissão de Acompanhamento da RRC APV TSH. A organização em Coimbra ficou a cargo da Câmara Municipal em colaboração com a FPCEUC, a Akto – Direitos Humanos e Democracia e a Delegação do Baixo Mondego da Cruz Vermelha Portuguesa.

Fotografias por Raquel Bem, Jéssica Gonçalves e Hugo Guímaro

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