Cultura

Pedras n’ “Os Sapatos” não impedem vitória do CITAC

Edição esteve em risco por corte nos apoios aos grupos participantes. Peça teve uma dimensão visual impactante que marcou o ano conturbado no teatro universitário. Por Leonardo Fernandes

A peça “Os sapatos”, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), foi distinguida com o prémio FATAL 2018, atribuída à melhor peça apresentada no Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, que decorreu entre 10 e 19 de maio na capital. Inspirado num texto produzido por Yvette Centeno, uma antiga “citaquiana”, ““Os sapatos” é um projeto antigo que ganhou agora vida e que contou com o apoio de várias gerações do CITAC”, explica o presidente do mesmo, José Ribeiro.

José Ribeiro destaca que o organismo atravessa períodos conturbados após o corte do apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. “Tratou-se de uma mudança de panorama gigantesco porque era o principal apoio”, refere. Desta forma, foi necessário um repensamento do modo de trabalhar do CITAC. O presidente deste organismo autónomo conta que começaram a olhar para dentro e a apoiar-se nas pessoas que o constituem para que fosse possível a criação desta peça.

A encenação da peça esteve ao encargo de Cheila Pereira e Margarida Cabral do coletivo artístico DEMO (Dispositivo Experimental, Multidisciplinar e Orgânico), e que são duas antigas formadas do CITAC. Como enaltece José Ribeiro, a exibição foi possível devido a uma colaboração entre as várias gerações do CITAC. “Este trabalho nasceu do CITAC para o CITAC, e permitiu inserir todos os bocadinhos de cada personalidade e realidade que o organismo já viveu”.

Quando questionado sobre de que forma a peça do CITAC se insere no panorama do festival, o presidente do organismo autónomo mencionou que se tratou de um ano muito complicado para todos os grupos de teatro académicos, pois todos perderam o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. “Isto é um festival que esteve em risco e muitos não conseguiram ir, ou por não ter encenador para apresentar uma peça no FATAL, ou por não poder pagar as deslocações a Lisboa”, explica José Ribeiro. “A peça do CITAC explora um pouco essa questão através da criação de um ambiente hostil e imersivo em que as pessoas se conseguem rever”.

A parceria com a DEMO contribui para acrescentar uma dimensão impactante a nível visual. “A visão e o fator da estética são muito importantes para os espetáculos deles e fazem a diferença”, referiu o presidente do organismo. A juntar a isto, destaca-se o trabalho de som realizado pelo CITAC, “o sonoplasta compôs a música e fez a montagem ao vivo, o que acrescentou uma camada muito diferente ao espetáculo”.

Fotografia: Ana Francisca Nunes

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