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Cidade

Manifestação contra eutanásia saiu às ruas de Coimbra

Vigília silenciosa com velas e lanternas levada a cabo por vários cidadãos da cidade. Manifestantes partilham vários pontos de vista acerca do assunto. Por Jéssica Gonçalves

Dos mais pequenos aos graúdos, 300 pessoas saíram para as ruas de Coimbra para se pronunciarem acerca da despenalização da eutanásia. Na passada segunda-feira, durante cerca de uma hora, alguns manifestantes encontraram-se à porta da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) para refletirem sobre a decisão que foi tomada hoje em Assembleia da República. Este evento foi impulsionado por um conjunto que pessoas que consideraram ser necessário exprimir a sua opinião acerca do assunto.

Entretanto, no decorrer de ontem, a decisão foi tomada. Assim, segundo o Público, o projeto do Pessoas–Animais–Natureza (PAN) obteve 107 votos a favor, 116 contra e 11 abstenções. O diploma do Partido Socialista (PS) teve 110 votos a favor, 115 contra e quatro abstenções. A proposta do Bloco de Esquerda recebeu 117 votos contra, 104 a favor e oito abstenções. O Partido Ecologista “Os Verdes” alcançou 104 votos favoráveis, 117 contra e oito abstenções.

A opinião dos manifestantes

“O principal objetivo é, enquanto sociedade civil e democrática, mostrar a opinião sobre algo que vai contra a vida e o que é defendido”, afirma Benedita Sobral, aluna de Eletrotécnica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC) e elemento da organização da manifestação. A estudante considera que o simbolismo do silêncio é “um exemplo da união e luta de todos no centro da cidade”. Considera também que na camada mais jovem da população “sobressai a falta de curiosidade”, pelo que isto resulta numa falta de interesse em relação a este tipo de assuntos. Apesar disto, revela-se contente com o grupo de jovens presente na manifestação.“Era importante, acima de tudo, a união contra esta causa, perceber que existe algo que é sério, a vida”, disse a jovem. Termina com o sentimento de dever cumprido e apela para que a camada mais jovem se mantenha unida e informada acerca do que se passa.

Henrique Ramos, médico que fazia parte do leque de responsáveis pela organização, acrescenta que o propósito da iniciativa “é fazer sentir aos deputados que o país não está de acordo com uma lei que é favoravel à eutanásia”. Refere ainda três tipos de argumentos, o político, o jurídico e o bioético. Em primeiro lugar, disse que “o parlamento não tem autoridade política para fazer passar esta lei”. Segundo Henrique Ramos, exceto o PAN que só tinha um deputado, todos os outros partidos políticos não tinham isto no seu programa eleitoral e, portanto, não estão mandatados pelo povo para nas costas dele agora votarem numa lei que não estava prevista.

Em termos jurídicos, a vida humana é inviolável segundo a Constituição. Do ponto de vista bioético, existem dois argumentos na opinião de Henrique Ramos. O primeiro tem a ver com a autonomia. “Se esse argumento fosse válido, qualquer pessoa com qualquer idade, sem doença incurável ou qualquer tipo de problema, podia entender que o melhor era acabar com a sua vida”. Acerca “do sofrimento intratável”, o médico garante que há solução para a dor. “Hoje em dia, a medicina trata tudo. Mesmo que a medicação não seja eficaz, pode recorrer-se à sedação. Deste modo, a pessoa mantém-se viva e deixa de ter dores”, concluiu.

Outro membro da organização, Beatriz Miranda, doutoranda em Direito na Faculdade de Direito da UC, afirma que a aprovação da eutanásia “influencia as pessoas e passa uma mensagem de que a vida em sofrimento tem menos valor, que é um peso e que, por isso, é melhor acabar com ela”. Considera que o objetivo da manifestação foi cumprido.

Segundo Abel Lopes, consultor e mais um dos elementos da organização, esta iniciativa surgiu com o intuito de “dar uma voz clara contra a lei”. “Quem aqui esteve, está contra a eutanásia”, afirma o consultor. Apesar de a organização considerar que existiu pouco tempo de divulgação, o evento contou com cerca de 300 que marcaram presença à frente da CMC. Abel Lopes conta ainda que, tal como em Coimbra, também na cidade do Porto, de Lisboa e de Leiria aconteceram iniciativas semelhantes.

 

Fotografias: Jéssica Gonçalves

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