Desporto

[Taça de Portugal] Académica vs Paços de Ferreira – Os estudantes, um a um

Foi, para Paulo Sérgio Santos, um jogo atípico, impossível de cronometrar temporalmente. Contudo, nem tudo foi mau: já há um ‘sketch’ para os vídeos de final de ano do Eurosport e Marinho deve candidatar-se a um contrato vitalício.

Guilherme Oliveira – 6

Cumpriu o desiderato de 99% dos treinadores de futebol nacionais, em obediência ao santo padroeiro do desporto-rei, seja ele quem for: foi titular num jogo de uma taça. O desejo de todos os academistas é que o seja novamente até um sítio mais a sul chamado Jamor. Até lá, que evite saídas extemporâneas a cantos e que defenda penaltis.

Mike – 6

Fez suspirar por João Simões, feito que não é nada fácil. Fez uma exibição medianamente positiva, pautada pelo interessante verde das suas chuteiras, menos esbatido que o do relvado, e por ter rompido com uma lei universal do futebol: quando acabam substituições e é preciso mais gente na frente, vai o central.

Nélson Pedroso – 7

Se fosse um extremo, seria um Marinho com menos drible e mais poder de fogo nas bolas paradas. O que, sublinhe-se, seria um claro ‘upgrade’ em relação ao que se viu ontem na ofensiva estudantil. Sendo o que é, um lateral trintão, e ignorando-se que a velocidade já não seja a de outrora, é do melhor a bater livres e penaltis.

João Real – 6

Agora sub-capitão, teve ao seu lado um parceiro em quem pode confiar para não ver feitos passes estapafúrdios. A noite foi relativamente calma, mesmo à luz das velas, tirando um tipo de amarelo em excesso de velocidade na primeira parte, e outro idêntico na segunda, que se lançou para cima de si.

Zé Castro – 7

Àquele manancial de passes tirados a régua e esquadro, muitos deles de primeira e de pé esquerdo, chama-se La Liga. Como dizia um tipo português que piloto de Fórmula 1 nos anos 1990, o 83 tem cara de miúdo, mas já é muito rodado. É de crer, e esperar, que a falta de velocidade seja de ainda estar na pré-época.

Ricardo Dias – 6

Está, rapidamente, a tornar-se naquele tipo em quem ninguém repara, mas que é imprescindível a um nível quase inconsciente. Esse conceito científico traduz-se pela expressão “sempre que falhar jogos”, sendo que tal vai suceder por Ricardo, algures no prolongamento, ter julgado que seria preferível ser expulso a ter de sofrer uma palpitação e ver o seu ‘keeper’ tentar defender mais um remate.

Guima – 6

De tipo promissor, numa parceria com o jovem Pedro Empis, a tipo invisível foram apenas uns meses. Ontem, foi um a mais a meio-campo, passando a ser mais um apenas quando Chiquinho saiu. Portanto, conclusão rápida, ou não gosta de jogar acompanhado na zona central do terreno, ou não gosta de jogar com tipos cujo nome futebolístico é um diminutivo.

Chiquinho – 5

Não tendo sido possível uma contabilização temporal correta de todos os acontecimentos sucedidos em campo, fruto das várias interrupções elétricas, o certo é que a exibição do 22 se pode caracterizar por um falhanço isolado algures aos 44 minutos marcados pelo placar eletrónico.

Harramiz – 5

Noite marcada pela notória falta de aderência entre as suas chuteiras e o relvado bipolarizado entre a secura e o alagamento, foi, todavia, melhor que o seu colega da ala oposta: mais acutilante e incisivo.

Femi – 6

Leva um ponto a mais que Harramiz pela assistência, no prolongamento, para o golo que sentenciaria a partida. O resto foi um manancial digno de uma aula de Física, em que o professor explica aos seus alunos a relação conflituosa entre dois ímanes – os pés de Femi e as várias bolas do jogo.

Diogo Ribeiro – 6

Teve duas desmarcações muito boas durante a primeira parte, que podem ser consultadas em qualquer resumo televisivo do jogo. Numa delas, chegou mesmo a enviar a bola ao enquadramento metálico da baliza. Veio do intervalo irreconhecível, como se não tivesse parado de correr durante os 15 minutos de descanso, e foi compreensivelmente substituído.

Ki – 7

Quando o Eurosport passar as suas habituais compilações de final de ano, dedicadas a enterranços desportivos, uma será sobre futebol. E terá de ter, forçosamente, aquele momento já no fim dos dez minutos de desconto da segunda parte, quando o sul-coreano, sorrateiramente escondido atrás do guarda-redes do Paços, espera que ele coloque a bola no relvado para lha roubar e levá-lo a cometer falta para grande penalidade. As palavras não fazem jus à ratice de Ki, procurem o vídeo.

Marinho – 8

Antes de entrar em campo, o eterno capitão foi literalmente vestido por Ricardo Ribeiro. No fundo, conjugou-se a vontade de dois dos que mais sentem a camisola que vestem. Por mim, hoje, a coisa seria simples, à Iniesta: “Ó Marinho, senta-te aqui e assina isto. Daqui para a frente, decides até quando queres ser «mobília» da casa”. Daqui a uns anos, #mistermarinho.

Fotografia: João Diogo Pimentel

Djoussé – 5

Donald terá acordado a pensar que seria titular. Donald percebeu que não, Diogo é que seria. Olhou para o lado e indagou ainda que, com Tozé, também não calçaria nesse domingo. Ao intervalo, contudo, viu Tozé ser pato, ir discutir com o árbitro, irritando Ivo, e soube, nesse instante, que iria jogar. Não muito bem, não, sequer, muito, mas iria jogar.

Ivo Vieira – 6

Insinuou que talvez os seus jogadores gostem mais de jogar contra equipas de escalões acima do que com as da II Liga. Contudo, é o que há cá, e é bom que a isso se habituem porque, este ano, a coisa dá ideia de vir a ser bastante renhida. Fora a atrapalhação nas palavras, ficou-lhe bem lembrar o flagelo que assolou o país inteiro este domingo, coisa que o seu homólogo da capital do móvel se esqueceu.

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