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Ensino Superior

Presidente da Comissão Europeia recebe doutoramento Honoris Causa pela UC

Jean-Claude Juncker considera a UC como inspiração para outras instituições de ensino. Desafios futuros da Europa destacados no evento. Por José Gomes Duarte e Francisco Madaíl

Foi entre o vermelho característico das paredes da Sala dos Capelos da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC), que decorreu hoje a cerimónia da condecoração de Doutoramento Honoris Causa do Presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Juncker. O evento, iniciado às 11 horas, contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e do reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva.

Tentativa de reconciliação da Europa como mensagem a destacar

O discurso inicial foi proferido pelo próprio doutorado, que se confessou honrado pela distinção. Este referiu que a UC serve como inspiração para outras instituições académicas de ensino superior europeias.

Foi com “uma inefável e gloriosa alegria” que Fernando Alves Correia, professor catedrático da FDUC, descreveu o sentimento da academia em receber o atual presidente da CE, que tomou posse a 1 de Novembro de 2014. O docente falou de “valores identitários da União Europeia e da UC”. Fez ainda questão de relembrar que enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker nunca regateou o apoio aos emigrantes portugueses.

Durante o seu discurso, o professor definiu o presidente da CE como um “político de exceção e visionário”. Este foi ainda defensor da ideia de que Jean-Claude Juncker tem um papel importante em “reconciliar todo o continente europeu”. Sublinhou ainda alguns desafios que a Europa atravessa, como as ameaças à sua segurança, o ‘Brexit’ e as crises político-financeiras de alguns Estados-Membros.

Na sua intervenção, o docente da FDUC relembrou cinco cenários possíveis para o futuro do “velho continente”. Enfatizou ainda, nas palavras do ex primeiro-ministro luxemburguês, um sexto cenário baseado na união de valores. Para que essa perspetiva de junção de ideais seja viável, Fernando Alves Correia, apela a uma “caminhada conjunta de todos os Estados-Membros”. Esse trajeto, segundo o professor, vai implicar que “quem vai à frente deva abrandar o passo”, de modo a resistir à formação de uma Europa “à la carte” ou de “geometria variável”.

Homenagem a Marcelo Rebelo de Sousa

Jorge Coutinho de Abreu, também professor catedrático da FDUC, foi responsável pelo elogio do apresentante, o Presidente da República. O interveniente explicitou, no seu discurso, a sua dúvida relativa ao seu cargo no evento. O mesmo evidenciou que seria preferível o novo doutor honoris causa ter sido o apresentante na cerimónia em questão.

O catedrático traçou uma parte do percurso universitário, jornalístico, político e ativista sociocultural de Marcelo Rebelo de Sousa. Após referir que Portugal atravessou um “longo período de austeridade”, Jorge Coutinho de Abreu definiu o chefe de Estado como um “presidente popular”. Durante a sua intervenção teve oportunidade de citar poetas portugueses como Miguel Torga, José Gomes Ferreira e José Mário Branco.

Para finalizar o seu discurso, o docente da UC acrescentou algumas consideração negativas. “Estranha criatura essa a que chamam União, mas sem harmonização na tributação das empresas” e “a fuga despudorada aos impostos por empresas” foram duas das reprimendas destacadas pelo professor da FDUC. Este frisou a necessidade de “substituir a o modelo de austeridade por uma estrutura mais responsável e democrática” e defendeu que “a luta contra a pobreza deve ser uma prioridade”. A cerimónia terminou com os hinos da UC, da União Europeia e da República Portuguesa, interpretados pela Charamela da academia.

Fotografia: Ana Francisca Nunes

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