Desporto

À luz das velas, Briosa segue em frente na Taça

Em jogo impróprio para cardíacos, Académica venceu no prolongamento. Marinho, uma vez mais, crucial na competição. Texto e fotografias por João Pimentel

Na partida que ditou o encerramento da terceira eliminatória, a Académica recebeu, no Estádio Cidade de Coimbra, a equipa do Paços de Ferreira, num fim de tarde de grande calor. Na eliminatória anterior, os estudantes foram ao terreno do Mirandela e derrotaram os da casa, por duas bolas a zero. A partida ficou marcada pelas várias falhas na iluminação, decorrentes dos vários incêndios que deflagraram na região centro, que ditaram as respetivas paragens e pela reviravolta da equipa anfitriã.

Os primeiros minutos revelaram-se equilibrados, porém foi a Briosa a primeira equipa a fazer um remate. Aos 9 minutos, Nélson Pedroso, avançou pelo lado esquerdo, mas o disparo acabou por sair ao lado da baliza defendida por Defendi. Pouco tempo depois, aos 13 minutos, a luz do estádio teve a primeira falha e houve a primeira interrupção na partida. No retomar do encontro, Diogo Ribeiro, só com o guarda-redes pela frente, mas de ângulo apertado, rematou ao lado da baliza e com pouca força. O número 66 dos homens de negro, aos 27 minutos, teve nos pés a melhor chance da Briosa na primeira parte. Diogo Ribeiro, entrou na grande área e fez um “chapéu” a Defendi, mas a bola embateu no poste contrário. Ficou na retina a boa execução do avançado. O Paços estava mais encostado à sua defensiva e ia apostando nos contra-ataques. Aos 31 minutos, Luis Phellype, num ataque conduzido pelo lado direito, passou o guarda-redes da Académica, Guilherme, mas chutou atirou a bola à malha lateral. Passou o perigo. A Briosa respondeu aos 44 minutos, num contra-ataque de dois para um. Diogo Ribeiro passou a bola a Chiquinho, mas o número 22 rematou por cima da baliza.

Já em tempo de descontos, na primeira parte, o resultado sofreu alteração e, contra a corrente do jogo, os “castores” adiantaram-se no marcador. Num canto a beneficiar a sua equipa, André Leão saltou mais alto que Guilherme, que não ficou em bom plano, e fez o primeiro golo da partida. O guarda-redes e os elementos do banco de suplentes da Académica ficaram a pedir falta, mas o árbitro nada assinalou. A Briosa tentou responder poucos minutos depois, mas a primeira metade chegou ao fim com o Paços de Ferreira em vantagem, apesar do domínio dos estudantes.

Os jogadores voltaram dos balneários e a segunda parte recomeçou. Logo nos minutos iniciais se percebeu que a segunda parte ia ser diferente, com as duas equipas a equilibrarem-se mas sem grandes oportunidades. Até que surgiu o minuto 74. João Real fez falta dentro da sua grande área e o árbitro apitou falta e apontou para a marca da grande penalidade. Luis Phellype foi o marcador do penalti, mas Guilherme adivinhou o lado e defendeu o castigo máximo. A equipa da Briosa ganhou ânimo e, até ao final, entre paragens e recomeços, foi tentando procurar o golo do empate.

Quando chegaram os 90 minutos, o árbitro viu-se forçado a conceder mais 10 minutos de jogo. Foi precisamente no último minuto e lance da partida que o empate se consumou, quando já toda a gente se preparava para sair do estádio. Defendi preparava-se para bater a bola pela última vez, pousou a bola no chão, mas não reparou que tinha atrás de si o número 8 dos estudantes, Ki. O Sul-Coreano chegou à bola e Defendi fez falta sobre ele. Nelson Pedroso foi chamado para converter a penalidade e não desapontou. Ficou, assim, feito o empate, num final de tempo regulamentar impróprio para cardíacos.

Já em tempo de compensação, aos 95 minutos, Ki, num contra-ataque, fez uma boa finta, que o colocou em boa posição, mas rematou à figura de Defendi. A primeira parte do prolongamento chegou ao fim ainda com o empate a uma bola no marcador. As duas equipas atacavam com tudo e ficavam desprotegidas na defesa. Aos 108 minutos, já sem Ricardo Dias em campo devido a expulsão, num contra-ataque rápido com superioridade numérica dos estudantes, a luz voltou a falhar. O árbitro deixou seguir a partida e Balogun conduziu a bola, passou a Marinho que rematou para o fundo das redes da baliza adversária. Todos os jogadores e equipa técnica do Paços protestou com o árbitro, por não ter parado o jogo. Apesar dos protestos, o jogo chegou ao fim com uma extraordinária reviravolta da Briosa e com o resultado de duas bolas a uma.

Em tempo de conferência de imprensa, o treinador da equipa da capital do móvel, Vasco Seabra, falou num jogo “difícil de explicar”, que “começou dividido, mas na segunda parte com o Paços mais estável”. Aproveitou também para fazer críticas à arbitragem, relativamente ao lance do segundo golo da Académica, falou em protesto do encontro que “será [o protesto] para o departamento jurídico do clube analisar”. Por último, disse que “parece absurdo que o jogo tenha tido 7 paragens”. Por seu lado, o técnico da Briosa, Ivo Vieira, afirmou que “foi um jogo difícil para ambos”. Sobre as paragens ao longo do jogo, assegurou que “se houve equipa equipa mais prejudicada com as paragens, foi a Académica, porque sofreu mais paragens quando estava por cima” e que não lhe compete a ele dizer se o jogo deveria ter parado ou não. Quanto ao jogo, em si, explicou que a sua equipa “ficou em desvantagem injustamente”, mas acabou por conquistar “uma vitória merecida”.

Fotografias: João Pimentel

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