Desporto

Académica vs Vitória SC B – os estudantes, um a um

Paulo Sérgio Santos viu um confronto que dizem ser ibérico, em que um ex-PSG coxeou em campo e descobriu que há um avançado da Briosa que corre. Pode até ter sido internacional, porém não foi por isso que se tratou de um jogo bonito de se ver. Fotografias por Carlos Almeida

Ricardo Ribeiro – 2,5

Nunca vi Lev Yashin jogar, mas, reza a lenda, o soviético era um autêntico muro – defendeu 150 grandes penalidades e manteve a sua baliza inviolável em 270 partidas. O que é que o Pantera Negra tem a ver com o ninja academista? Pouco ou nada. Ricardo Ribeiro tem potencial, parece, em determinados momentos, não uma aranha negra, mas um qualquer animal azul elástico. Depois, noutros, a banalidade toma conta de si.

Pedro Correia – 2

Escrevi, há uns meses, que este moço louro devia ser mais vezes aposta do seu treinador. No meio da tempestade mental que reina em Costinha na hora de definir onzes, conseguiu cruzar a borrasca e ser hoje, de novo, titular na direita estudantil. Teve 45 minutos de esplendor e 43 de ocaso.

Makonda – 2

Jogo em que o acarinhado francês ocupe o lugar na lateral esquerda é jogo em que a plateia suspira de alívio. Pode não haver brilhantismo, como hoje, mas é certo que o ex-PSG cumpre, nem que manque durante quase todo o jogo. E se não sabiam, os estrangeiros ficaram a saber que se apanha mais depressa um Nuno Santos que um coxo.

Diogo Coelho – 3

Está na moda o recurso ao ‘crowdfunding’ nas mais variadas áreas da vida. E se ele resulta para jogos eletrónicos, jornalismo, impressão de teses de doutoramento ou tartes em forma de Pi, porque não para se tentar adquirir um central que, não sendo um Baresi ou um Beckenbauer, tem (muitos) mais jogos bons que maus. Como hoje, em que até marcou o único golo.

Yuri Matias – 2,5

O jovem Jefferson de Sousa, natural de Campina Grande, e vindo do América Futebol Clube, tem sido um caso agrícola de sucesso no batatal do Calhabé. Pegou de estaca nas últimas semanas, depois de meses de quarentena lá no fundo do plantel academista. E o seu crescimento tem sido interessante: apresenta uma velocidade apreciável, não foi expulso e está a tentar crescer algo similar a um rabo-de-cavalo.

Nuno Piloto – 2

Viu-se mais na segunda parte, quando avançou no terreno por troca com Leandro Silva. Na primeira percebeu que os humores dos Picos da Europa são traiçoeiros e que é fácil perder-se no nevoeiro quando a coisa embala.

Jimmy – 2

A garça negra dos estudantes também andou perdida. Longilínea, mostrou no segundo tempo ‘flashes’ daquilo que em tempos já se viu naquele relvado, em tardes de sol: um papa-metros que tem qualidades para outros voos, algo que é, ubiquamente, uma esperança e uma nostalgia.

Marinho – 3

Há uns meses, aquando do jogo frente ao Sporting da Covilhã, deixámos a questão: “E quando te reformares, Marinho, como vai ser?”. Foi a assistência para o cabeceamento vitorioso de Diogo Coelho, foram receções assombrosas, fintas estonteantes, um manancial de tudo aquilo que um jogador de futebol pode querer ter por centímetro quadrado da sua existência. Marinho foi, já dizia Mia Couto, “abensonhado”.

Leandro Silva – 2

Viu-se mais na segunda parte, quando recuou no terreno por troca com Nuno Piloto. Até lá, o pequeno buda da Académica mostrou que tem pouco de maestro. Depois, quando as circunstâncias lhe pediram uma outra visão sobre a vida, menos paz e amor e mais sarrafada e corrida, houve um outro Leandro Silva.

Traquina – 2

Traquina é um jogador, como, curiosamente, tantos outros no plantel da Briosa, de extremos. Para além de ser extremo. A duplicidade gera uma visão em que a realidade tem dificuldade em integrar, em si mesma, o 20 dos estudantes. Nada nele é vulgar e tudo, a resultar, é uma obra de arte. O problema é raramente, muito raramente, resultar.

Rui Miguel – 1,5

Ponto positivo: em termos meramente numéricos, é a melhor época da sua carreira, com dez golos. Ponto negativo: nenhuma equipa sobe de divisão com um avançado assim e que já não vai para novo. Novo ponto positivo: é raçudo e os adeptos gostam disso. Novo ponto negativo: não há, mas tal não se configura como positivo, neste caso.

Ernest – 0

Fez duas fintas iguais e iguais a tantas outras. Quando aprender um truque novo, crescerá como jogador. Quiçá.

Diogo Ribeiro – 0

Os avançados da Briosa, pelo menos, correm.

Ki – 0,5

Sofreu, pelas minhas contas, duas grandes penalidades em sete minutos, mais uma cotovelada e uma joelhada. Só não afianço porque a bancada da imprensa fica longe e não levei os óculos.

Costinha – 2

A época está a chegar ao fim e não se sabe se continua. É um tipo com uma inteligência acima da média e um discurso polido, mas não haver um onze base contínuo, de jogo para jogo, confunde. E a desculpa não pode ser os 42 jogos da II Liga, simplesmente não pode. Há mitos urbanos melhores que esse.

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