Cultura

A globalização cultural dos Jesuítas apresentada em obra

Edificaram uma rede de colégios que se estendeu por três continentes. “A companhia de Jesus e o seu percurso com o do Império Colonial Português” são os pontos principais do livro. Por Hugo Guímaro

O trabalho literário “Jesuítas, Construtores da Globalização” vai ser apresentado no dia 15 de dezembro, pelas 16 horas, no Anfiteatro do Laboratório Chimico do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC). Este evento tem entrada livre e é apresentado pelo diretor da Biblioteca Geral, José Augusto Bernardes, também docente na Faculdade de Letras da UC (FLUC). O livro tem como autores, de acordo com o docente, “dois grandes especialistas nesta área”, o dirigente do Centro de Ciência Viva da UC, Carlos Fiolhais e o historiador, José Eduardo Franco.

A apresentação decorreu já em Lisboa. Segue-se Coimbra, pois, nas palavras de José Augusto Bernardes, “o Colégio de Jesus é diversas vezes mencionado no livro”. Assim, estão reunidas as condições para que a obra “suscite o interesse de algum público”. O docente considera que o trabalho está bem realizado tanto do ponto de vista gráfico como da perspetiva literária. Acrescenta ainda que ler as legendas das gravuras promove “uma visão muito abrangente da matéria”. Estas são algumas das características apontadas. José Augusto Bernardes destaca o mérito conseguido pelos autores, que conseguiram evitar “o típico livro de propaganda”.

“A companhia de Jesus, o seu percurso com o do Império Colonial Português e a história do mundo”, apresentam-se como temas essenciais, refere o docente. Os Jesuítas, ordem religiosa fundada em 1534, foram pioneiros em diversas áreas, mas a principal foi o ensino. Constituíram uma rede de colégios que se “estendeu não apenas pela Europa mas também por África e pela Ásia”, ou seja, “foram pioneiros da globalização cultural”, declara José Augusto Bernardes. Estes “não tinham uma mentalidade impositiva, de conquista”, onde chegavam, procuravam “compreender as estruturas sociais que encontravam implantadas e as religiões”, acrescenta.

A necessidade de estabelecer diálogos do ponto de vista comercial e religioso com os povos nos territórios ultramarinos eram prioridades do Rei de Portugal, D. João III,  refere o docente. Os jesuítas tinham uma “vocação especial para esse tipo de comunicação” e trabalharam “para que a globalização fosse feita a partir do império português”. A Companhia de Jesus era composta por comerciantes, facto que o livro “sublinha bem, uma vez que é uma vertente menos conhecida”, conta José Augusto Bernardes.

O docente espera que a obra tenha impacto sobre a comunidade estudantil. “Este livro não vai ao encontro das expetativas imediatas do estudante comum”, esclarece. José Augusto Bernardes argumenta que um estudante que não domine a matéria pode contar com “um livro que desde logo pelo título e pelo aspeto, tem todas as condições para suscitar curiosidade”.

Fotografia: Ana Francisca Nunes

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