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Ciência & Tecnologia

Investigadora portuguesa em estudo internacional sobre reparação celular neuronal

Procedimento permite regular os novos neurónios como os antigos. Combate às doenças neurodegenerativas e AVC’s é uma possibilidade. Por Mariana Bessa

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é, segundo dados do Serviço Nacional de Saúde, uma das maiores causas de morte e incapacidade em Portugal. E se se pudesse voltar atrás e inverter os seus efeitos? Um estudo destaca a possibilidade de existir uma solução para reparar danos cerebrais através do transplante de neurónios. A ser publicado na revista ‘Nature’, o trabalho é liderado por Magdalena Götz, investigadora na Universidade Ludwig-Maximilians e no Helmholtz Zentrum de Munique, em colaboração com Mark Hübener, cientista no Max Planck Institute for Neurobiology.

Como explica Sofia Grade, investigadora na Universidade Ludwig-Maximilians e no Helmholtz Zentrum de Munique, que participou na investigação, “após um traumatismo craniano, AVC ou doença neurodegenerativa, os neurónios que morrem não são restituídos, o que pode resultar numa perda definitiva de funções”. Em teoria, bastava transplantar neurónios na zona lesionada mas, “até hoje, não se sabia de que forma essas células transplantadas comunicavam com as células do hospedeiro”.

É neste sentido que o estudo se revela pioneiro já que “demonstra, pela primeira vez, que os neurónios de embriões de murganho, após transplante, se desenvolvem a vários níveis e participam nas redes neuronais de forma semelhante aos que se perderam com a lesão”, explica Sofia Grade. Isto é prova de que “o cérebro de mamíferos adultos, após lesão, é mais plástico do que se previa” e que esses circuitos, “formados durante a gestação, são capazes de incorporar novos neurónios, de uma forma funcional, na fase adulta do organismo”.

Ainda que os transplantes celulares já sejam praticados, por exemplo, na doença de Parkinson, estes “foram feitos na zona-alvo dos neurónios que morreram”, com o objetivo de “restabelecer os níveis de dopamina, assegurados pelos neurónios perdidos”, sublinha a investigadora. Neste novo tipo de transplante homotópico, “há uma regulação dos novos neurónios da mesma forma que os anteriores eram regulados”. Assim, “se o novo substituir o antigo, toda a rede neuronal vai funcionar de forma normal”, acrescenta.

Sofia Grade tem “expectativas otimistas” em relação à aplicação desta técnica, já que “a dimensão da lesão e, em específico, o grau de inflamação, influencia o sucesso do transplante”, e isso torna possível “dosear com compostos anti-inflamatórios”. Para a investigadora, o progresso desta investigação vai passar por “testar a incorporação neuronal noutras lesões relevantes, assim como o uso de outras células”.

[Artigo atualizado 12/11]

Fotografia: DR

 

 

 

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