All for Joomla All for Webmasters
Ciência & Tecnologia

FCTUC recebe V Jornadas Portuguesas de Paleopatologia

Apresentar resultados concretizados nesta área da ciência é o objetivo do evento que este ano se foca nos ossos humanos. Por Bianca Basílio Silva

Uma iniciativa que visa contribuir para o conhecimento dos últimos avanços na pesquisa paleopatológica em Portugal decorre nos próximos dias 25 e 26 de novembro, no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Esta ciência estuda as doenças em populações do passado. As V Jornadas Portuguesas de Paleopatologia são organizadas pelo Centro de Investigação em Antropologia e Saúde em parceria com o Grupo de Estudos em Evolução Humana e o Departamento de Ciências da Vida/Antropologia da FCTUC. O evento pretende abordar “vários tipos de doença, desde doenças da cavidade oral a patologias infeciosas como casos de lepra e sífilis”, descreve Célia Lopes, investigadora no Departamento de Ciências da Vida da FCTUC.

Dia 25 vão ser feitas apresentações gerais, enquanto dia 26 conta conta com duas conferências: “Escravos: Recuperando a identidade através dos ossos” e “Saúde e morte na capital da província romana da Lusitânia”. No seguimento destas palestras, vai existir uma mesa redonda intitulada “Reflexões sobre gestão de esqueletos humanos (lei, ética e património cultural)”.

Na primeira conferência vai ser apresentado “um trabalho feito sobre uma série osteológica que foi descoberta numa lixeira no Algarve” como afirma a investigadora. Ou seja, uma descoberta de ossos humanos, que vieram a ser identificados como sendo de escravos. O intuito é ser-lhes dado “a dignidade que não terão tido”, refere Célia Lopes.

Na segunda conferência vão estar presentes arqueólogos, que vão discutir aspetos arquitetónicos das cidades romanas e antropólogos. De acordo com a investigadora, vão “falar da parte das patologias que foram encontradas nos esqueletos que foram, até agora, estudados”. Tenta-se assim saber de que forma estas questões se “refletiam na saúde das populações de outrora”.

A mesa redonda “não vai ser tão especifica da paleopatologia, mas sim da antropologia do esqueleto”, explica Célia Lopes. A intenção passa por “discutir de que forma a atual lei do património está a ser aplicada”. Esta lei obriga a permanência de um antropólogo em cada escavação sempre que existam restos humanos e especifica como estes devem ser tratados.

Sobre os últimos avanços na paleopatologia portuguesa, a investigadora afirma que se “têm utilizado cada vez mais recursos atuais”. Estes passam pelo trabalho visual à utilização de Raio-X, TAC, ADN e digitalização em três dimensões. Célia Lopes ilustra que estes recursos permitem ver e partilhar o material osteológico com outras pessoas sem ser preciso estar constantemente a mexer no osso”.

A investigadora reforça a importância desta ciência para a sociedade pois permite “traçar a história das doenças passadas que por vezes tem tendência a ressurgir”. É o caso da tuberculose e da sífilis, alvos de preocupação da Organização Mundial de Saúde nos dias de hoje.

Existe um grande espólio osteológico que em grande parte não está estudado, refere, e que ainda há muito por descobrir. Sublinha ainda que está a decorrer o início de um trabalho com base em “artigos hospitalares, área importante” para o estudo do esqueleto humano.

Fotografia: Margarida Mota

Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra

Rua Padre António Vieira, Nº1 - 2ºPiso 3000 Coimbra

239 851 062

Seg a Sex: 14h00 - 18h00

© 2019 Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

To Top