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Ciência & Tecnologia

Estudo da ESTeSC alerta para malefícios do tabagismo a curto-prazo

Disfunção endotelial e pressão arterial podem indiciar acidente vascular cerebral, enfarte do miocárdio ou disfunção erétil. Por Rafael Soares

“Efeitos agudos do tabaco na função vascular em fumadores jovens e saudáveis” é o título do estudo conduzido por Telmo Pereira, docente do Departamento de Fisiologia Clínica da Escola Superior de Tecnologia e Saúde de Coimbra (ESTeSC). Esta publicação garantiu-lhe o prémio “New Investigator Award in clinical science”, no “Hypertension Seoul 2016” (26º ‘Meeting’ da “International Society of Hypertension”), ocorrido na Coreia do Sul, em Setembro.

Com o objetivo de “perceber o efeito imediato, ao nível cardiovascular, do consumo de cigarros”, a investigação permitiu identificar os seus malefícios em fumadores recentes, como explica o docente. Neste âmbito, destacou a disfunção endotelial e a pressão arterial. Segundo Telmo Pereira, as células endoteliais, responsáveis por “produzir substâncias essenciais para manter a saúde, como o óxido nítrico”, perdem essa capacidade, após um curto período de consumo de tabaco e deixam as artérias “vulneráveis à ação de agentes externos”. Este é o primeiro indicador da doença arteriosclerótica, que se pode “manifestar mais tarde sob a forma de um acidente vascular cerebral, enfarte do miocárdio ou disfunção erétil” e que pode “levar à morte”.

Apesar dos efeitos do tabaco a curto-prazo, “o corpo tem a capacidade para recuperar” quando “as pessoas, até aos 30 anos, deixam de fumar”, como defende o docente. Porém, “há uma relação dose/resposta, ou seja, a agressão é tanto maior quanto maior for o número de cigarros que uma pessoa fuma


por dia”.

Ainda que haja informação acerca dos malefícios dos cigarros, o docente justifica a permanência de hábitos tabágicos, por parte dos jovens, pela “ideia de invulnerabilidade” e pela falta de consciência, a curto-prazo, dos efeitos. “Há uma noção de que são intocáveis, imbatíveis e os problemas de saúde não os afetam”, explica. Acrescenta que, “quando se pensa em doenças cardiovasculares que se manifestam aos 40 ou 50 anos, pensa-se em horizontes longínquos, o que torna difícil a perceção e a urgência em mudar alguma coisa”.

Para combater estes hábitos, Telmo Pereira prioriza as medidas educativas em detrimento das proibitivas, que “podem não ser eficazes”. O mais importante “é o papel da educação, da consciencialização para o risco”, responsabilidade que cabe “a todos os agentes sociais”, argumenta.

Fotografia: Mariana Bessa

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