Cultura

Mais de um século de história da ESEnfC em exposição

Evento interliga uma “parte mais contemporânea” aos primórdios da instituição . Apesar da “massificação” do Ensino Superior, enfermeiros conseguem encontrar emprego. Por Mariana Bessa

Após a criação da primeira escola de enfermagem de Coimbra, o Convento de São Francisco abre portas a uma navegação pelo passado, presente e futuro desta área do saber. Organizada pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), a exposição “135 anos de Ensino de Enfermagem em Coimbra” pretende “pôr em evidência os principais marcos da história desta disciplina relacionados com a ESEnfC”, como explica Manuel Rodrigues, docente nesta instituição e um dos organizadores do evento.

No início da visita é possível descobrir uma “parte mais contemporânea” e só depois “é que se apresentam aspetos de natureza histórica”, como afirma o docente. Este “ciclo de desenvolvimento” inicia-se com “uma única escola, a Dr. Ângelo da Fonseca” que, nos tempos recentes, se fundiu à Escola Superior de Enfermagem de Bissaya Barreto, o que “originou a atual ESEnfC”, acrescenta.

Manuel Rodrigues considera esta exposição como um “primeiro passo no sentido de reabilitar a história desta grande instituição”, ainda que não ignore a necessidade de “fazer mais investigação para aprofundar alguns aspetos históricos menos conhecidos”. A importância reside no facto do “passado ser condição básica para entender o presente e o futuro”, já que “a história ajuda a perceber o caminho trilhado e modificar a condição atual”, esclarece.

Ao longo de 135 anos de ensino de enfermagem, ocorreram alterações “dos pontos de vista político e educativo”, que se traduziram em “repercussões ao nível curricular, ferramentas pedagógicas usadas e exigências de formação”, afirma o docente. De “processos formativos limitados” passaram a “métodos de ensino e aprendizagem, técnicas de abordagem e instrumentos educativos muito mais evoluídos”. Também os recursos disponíveis, de acordo com Manuel Rodrigues, são “melhores e mais modernos a nível tecnológico”, o que o leva a caracterizar a história do curso como um “revolução intensa”.

Como problemas da ESEnfC, que considera transversais a todo o Ensino Superior, o docente destaca a “massificação”, isto é, a excessiva procura de um determinado curso. Isto leva a que “os processos de ensino e aprendizagem, em determinados momentos, se vejam prejudicados, tanto nas salas de aula como em âmbito clínico”, clarifica. Isto traduz-se em “dificuldades em ter contextos clínicos adequados para responder a volumes tão significativos de estudantes”, assim como em “tranquilizar os alunos quanto às condições para entrarem no mercado de trabalho”. No entanto, Manuel Rodrigues realça a “vantagem desta profissão ser procurada extramuros”, pelo que “a maioria dos estudantes encontra trabalho”.

O combate a estas dificuldades trava-se, de acordo com o docente, com o “princípio da qualidade, que deve ser salvaguardado”. Para isto, “é necessário que as instituições sobrevivam, do ponto de vista económico, porque ainda precisam muito da contribuição da propina dos estudantes”. Como o “Orçamento de Estado não chega para cobrir as despesas da ESEnfC”, defende a utilização de outros recursos financeiros como “projetos financiados”, para que prevaleça uma “perspetiva de qualidade e menos uma lógica de quantidade”, conclui.

Fotografia: Bruna Coelho

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