Cultura

“Composição em Tempo Real”: um ‘workshop’ do inesperado

Os eventos pertendem reunir em seu torno os interessados pelo mundo da arte, com maior destaque para a dança contemporânea e performance.Por Margarida Maneta

É como uma ferramenta de criação e improvisação que João Fiadeiro, estudante de doutoramento no Colégio das Artes e organizador do evento, descreve o ‘workshop’ “Composição em Tempo Real”. Este vai decorrer no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) de 10 a 12 de outubro e tem como objetivo “oferecer ferramentas para um conjunto de artistas que, com mais ou menos experiência, possam utilizá-las nos seus próprios trabalhos”.

No ponto de vista do organizador, o ‘workshop’ tem um valor equivalente ao da apresentação de um espetáculo porque nele é possível criar uma relação mais personalizada e complexa entre os intervenientes. Quando questionado sobre a importância deste tipo de eventos na região, João Fiadeiro não hesitou em afirmar que estes são mais um contributo cultural para a cidade. Apesar de se focar nas disciplinas de dança contemporânea e performance, o organizador acrescenta que o ‘workshop’ se “trata de uma reflexão que pensa a própria improvisação e é transversal a muitas áreas”. No que toca a adesão, o organizador remete para o inesperado. “Não tenho a noção de que intervenientes vou ter e de facto é quase uma boa analogia do que o próprio workshop trata”, do encontro com o desconhecido e o improvável, explica.

Influenciado pela sua formação adquirida em vários cantos do mundo – desde Nova Iorque a Berlim e passando por Lisboa – o organizador encara o ‘workshop’ como um encontro aberto do qual não tem uma expectativa até então estabelecida a não ser o desejo da existência do próprio encontro. Deste acredita que possam emergir novos artistas, pois “nenhum artista existe sozinho”. Isto é, pelo facto de o evento promover o encontro de um conjunto de indivíduos que realizam a sua atividade artística em Coimbra, os artistas acabam por existir também “em relação do confronto e das experiências que vão tendo ao longo da sua vida”, acrescenta. Reconhece ainda que “o processo de aprendizagem e de atualização é sempre necessário fazer em qualquer área” sendo através de eventos como este que construiu o seu percurso profissional e onde particpa ainda hoje na posição de ouvinte.

Ainda durante esta semana, no dia 14 de outubro, pelas 21h30 no TAGV e com o preçário a rondar entre os 5 e os 7 euros, João Fiadeiro vai apresentar o seu espetáculo “O que fazer daqui para trás” e do qual realça a relação entre ausência/presença daquilo que se vê quando nada está presente e daquilo que não se vê quando tudo está presente. Segundo ele, este espetáculo relaciona-se com o ‘workshop’ visto que são dois projetos elaborados por si, chegando até a defini-los como duas faces da mesma moeda.

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