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Cultura

Ateneu acolhe apresentação de livro que enaltece a realidade moçárabe

Obra procura narrar a história de Portugal antes de ser país. Autor lamenta desinteresse de investigadores pelo tema. Por Mariana Bessa

Regressado a terras lusas, após a crise académica de 1969 que lhe valeu um exílio político, Jacinto Palma Dias, historiador, começou a interessar-se pelo Algarve, região onde nasceu. Foi lá que surgiu a motivação para escrever “Portugal antes de Portugal”, livro que vai apresentar amanhã, 27, no Ateneu de Coimbra, pelas 18 horas. A narrativa procura, sobretudo, corrigir erros históricos, que o autor considera não serem lacunas “mas sim perversões”.

O livro “explora dois casos muito polémicos em Portugal que são a situação Norte-Sul, ou seja, a questão galaico-portuguesa e a situação do Sul do país referente aos moçárabes”. Estes últimos eram o povo já residente no país que os muçulmanos, durante a época das invasões, aceitaram e que o autor identifica como “os sedimentos do Império Romano, os indígenas, os autóctones e os judeus”.

Com esta publicação, Jacinto Palma Dias pretende “mostrar como existe um mal entendido na história de Portugal que se pode dividir em duas fases”. A primeira é anterior ao 25 de abril de 1974 e caracteriza-se pelo “domínio de todo o território português pelos cristãos galaico-portugueses”, explica. A segunda, posterior à Revolução dos Cravos, marcada pela “grande importância dos muçulmanos”. No final, e uma vez que os muçulmanos chegaram em 711 d.C., deixa a questão: “quem é que cá estava, antes e depois do seu tempo?”. Segundo o autor, eram os moçárabes.

E no fim das Cruzadas, “os muçulmanos foram completamente absorvidos pelos portugueses e nenhum fugiu para o norte de África”, como por norma se ensina. “São os moçárabes que, no fundo, somos nós e a sua cultura é absorvente, muito culta”, refere.

Nesta obra, recheada de referências históricas e culturais, é possível conhecer factos do passado do país antes de ser Portugal, alguns que têm sido ocultos, outros contados de outra forma. O autor, que procura sempre afastar-se de motivações e ideologias partidárias, lamenta a falta de investigação na área. Critica também o uso que, por vezes, é feito da história, e ilustrou-o com o exemplo de um presidente da Câmara Municipal de Faro que, depois do 25 de abril, “decide abolir o feriado do S. João e colocá-lo como a conquista de Faro aos mouros, quando se sabe que Faro não foi conquistada”.

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Fotografia: Inês Duarte

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