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Cidade

Futuro de um Portugal europeu em debate na Biblioteca Geral da UC

Colóquio conta com a presença de eurodeputados. Uma análise e reflexão do contributo do país são alguns dos objetivos a ter em conta. Por Mariana Bessa

30 anos após a entrada de Portugal na União Europeia (UE), “é importante fazer uma avaliação” do passado e futuro, já que “tem havido um processo de integração tão desigual, em que Portugal tem sido seguramente um dos países mais atingidos [pela desigualdade]”, considera Marisa Matias, eurodeputada. É este o mote e temas a serem explorados e debatidos na Sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, amanhã, pelas 14h30, e dia 18, a partir das 10h. Marisa Matias, Francisco Assis, António Marinho e Pinto e Cláudia Monteiro de Aguiar são alguns dos convidados da mesa-redonda do evento.

O colóquio “Portugal e a Europa: 30 anos de integração” pretende analisar também “o contributo do país para o processo de construção europeia”, ao nível das “políticas da UE, das diretivas de proteção às minorias, aos direitos humanos e às questões da emigração”, explica Isabel Valente, investigadora do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra (CEIS20).

A proximidade do país em relação à Europa levanta opiniões antagónicas. Isabel Valente considera que “a nível de infraestruturas e do desenvolvimento económico e social, Portugal tem-se aproximado da média comunitária”. Porém, “se pensarmos numa lógica economicista, é evidente que, em termos de produção económica, se tem afastado”, refere.

Marisa Matias vê nos últimos anos uma integração negativa, em que Portugal foi “muito sacrificado, com uma mão dada entre as instituições europeias e não europeias, como o FMI, e o governo que estava em funções”. Com “a tentativa de ajustamento por via da desvalorização do trabalho, das privatizações e da destruição do estado social perdemos muito”, acrescenta. No entanto, a eurodeputada considera importante que haja “países que operam numa lógica diferente da lógica dominante de Bruxelas” e dá o exemplo de Portugal.

No continente europeu, “o papel português não é assim tão periférico”, defende Isabel Valente. “A entrada de Portugal deu a possibilidade de a Europa ter uma dimensão atlântica pelas relações privilegiadas com África, Brasil e América do Sul”.

Para Marisa Matias, “Portugal representa uma exceção naquele que é o modelo de governação dominante à escala europeia”, fruto do “acordo histórico” entre as forças de esquerda, o que levanta a esperança de serem “recuperadas algumas dimensões de soberania” no espaço político europeu.

Em relação ao futuro europeu, a eurodeputada crê na importância do envolvimento dos países, porque não acredita “numa democracia europeia forte se não forem fortes as democracias nacionais”. Acrescenta ainda que “a lógica do bolo só trouxe maus resultados e não resolveu nenhuma crise” pelo que o modelo em que “Bruxelas e Berlim decidem e Portugal ouve e executa” não funciona, afirma.

A investigadora do CEIS20 concorda com a importância de se “ter sempre um papel ativo”, mas salienta que “o grande objetivo nodal de todo este projeto é a paz”.

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Fotografia: D.R.

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