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Cultura

“Quartas no Torga” arranca com conferência que une Miguel Torga e a Química

“Da banalidade ao maravilhoso” faz a ponte entre a complexidade dos processos químicos e a poesia de Torga. Por Sandra Henriques

Cardiazol. Sérgio Rodrigues, professor no Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, conta que existe uma parte nos “Contos da Montanha” em que o autor, Miguel Torga, só escreve esta palavra. Movido pela curiosidade, o docente pesquisou o seu significado e descobriu que se tratava de um medicamento ligado à técnica de eletrochoques. “Uma pessoa pode aprender imenso a seguir uma pista num livro”, conta Sérgio Rodrigues. E é através de pistas que o docente encontra a ligação entre Miguel Torga e a química, mote para a conferência “Evocações Químicas a propósito da obra de Miguel Torga: da banalidade ao maravilhoso”. A iniciar-se às 18 horas de dia 10, na Casa Museu Miguel Torga, é a primeira do ciclo de conferências “Quartas no Torga”, onde se pretende discutir o escritor, as suas obras e a sua personalidade.

Em 2014, Sérgio Rodrigues escreveu o livro “Jardins de Cristais – Química e Literatura” onde fala um pouco da ligação da obra de Miguel Torga à química. Segundo o docente, a química é trivial, está presente no quotidiano e por isso as pessoas esquecem-na. Encontra-se em coisas banais como o vinho, o pão, os sentimentos e memórias e, por isso, como afirma o orador, não vale a pena acreditar em “produtos sem químicos”. Dia 10, o orador quer promover a química, que considera ser muitas vezes mal vista pela carga negativa da palavra “químicos”.

Direta ou indiretamente, os químicos aparecem na obra de Torga, que muito se interessou pela melhoria de vida das pessoas, esclarece o docente. “Em 1944, Torga escreveu o conto «O leproso» e nessa altura ter lepra era uma tragédia. Hoje em dia já não é nada graças à química”, afirma. Sérgio Rodrigues lembra ainda que no longo testemunho que é o Diário de Miguel Torga (datado de 1941 a 1994), a química está constantemente presente nos relatos. “A ciência ajuda-nos a perceber que o mundo é complexo e maravilhoso e a poesia ensina-nos a gostar disso”, acrescenta o docente.

Dialogar com todos os presentes na sala, cruzar os apreciadores de química com os de literatura e desafiar as pessoas que deixaram de ler a verem os textos de uma perspetiva diferente, são também alguns dos objetivos de Sérgio Rodrigues para a conferência.

torga

Fotografia: D.R.

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